Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Talitha Gomes Ferraz (ESPM-Rio)

Minicurrículo

    Doutora em Comunicação e Cultura (ECO-UFRJ) e pós-doutora pelo Centre for Cinema and Media Studies da Ghent-University (CIMS-UGent). Professora do curso de Cinema da ESPM-Rio, pesquisadora líder do GP Modos de Ver (ESPM-CNPq) e pesquisadora associada à Coordenação Interdisciplinar de Estudos Contemporâneos da UFRJ (CIEC-ECO-UFRJ).

Ficha do Trabalho

Título

    Memórias e ativismo no caso da reativação do cine-teatro belga De Roma

Seminário

    Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil

Resumo

    Investigamos o caso do histórico De Roma, cine-teatro localizado na Antuérpia, Bélgica, que ressurgiu em 2003 após 20 anos de completo abandono. Com forte ativismo da comunidade local, a reativação e a manutenção do equipamento englobam aspectos ligados a determinadas gestões da memória. Nosso objetivo é examinar as camadas socioculturais e sociopolíticas, a rede de narrativas ligadas às experiências de frequentadores e o campo de forças por onde se produzem as versões sobre o passado do local.

Resumo expandido

    Simon Raynolds (2011) pontua que a primeira década do século XXI caracterizou-se como a “década do re-”. Fazendo menção à onda retrô que surgiu com força no cenário do rock nos anos 2000, Raynolds comenta a vasta predominância do prefixo “re-” nas elaborações de produtos e narrativas pelas indústrias culturais contemporâneas. Retrospectivas, ressurgimentos e revivais são alguns dos termos supracitados em meio a dinâmicas socioculturais e midiáticas identificadas pelo autor. Para além do horizonte analisado por Raynolds, não é difícil percebermos as consagrações do prefixo “re-” em outras esferas socioculturais e de consumo cultural. No cinema, por exemplo, remakes de clássicos do século XX já se configuram como clichês rentáveis para o mercado. No que concerne às salas de cinema, conexões entre esse equipamento coletivo urbano e uma “onda retrô” têm se fortalecido mundialmente em graus variados.

    De maneira associada a uma gama de noções que sugerem a urgência da proteção histórica, reativação ou restauração desses dispositivos tecnológicos, urbanos, midiáticos e sociais – cuja primazia ocorreu mais amplamente em outras épocas das mídias e das cidades –, o assunto ‘sala de cinema’, especialmente ‘cinema de rua’, passou a integrar com acentuada recorrência pautas tratadas por políticas públicas culturais, interesses temáticos de reportagens jornalísticas, relatos saudosistas de cinéfilos, iniciativas de alguns setores do mercado cinematográfico etc. Esses agentes costumam representar tais cinemas como potentes liames socioculturais capazes de acionar uma série de conteúdos históricos e mnemônicos ligados à cultura cinematográfica.

    Diante disso, examinamos o caso do cine De Roma, localizado na cidade da Antuérpia (Bélgica), que se destaca em meio às atuais tendências belgas de retomada de antigos cines de rua. A relevância do De Roma se deve tanto ao seu papel como um histórico marco referencial do lazer urbano nessa cidade quanto às dinâmicas desenvolvidas desde 2003 em torno do seu longo processo de reforma e reativação como um cine-teatro popular, dedicado a shows musicais e sessões de filmes de arte.

    Após 20 anos de abandono e deterioração das estruturas originais do cinema, as etapas de reativação do De Roma contaram com o ativismo de entusiastas (antigos frequentadores, moradores locais e agentes culturais) que, amparados pela figura de uma associação sem fins lucrativos criada especificamente para tal finalidade, promoveram as obras e os reparos gerais no local. O projeto do De Roma não contou incialmente com aportes financeiros estatais, nem mesmo com investimentos do setor privado. Foi a partir da mobilização de um circuito de voluntários que todos os primeiros avanços rumo à retomada cultural do espaço ocorreram. Mesmo com a posterior entrada de capital público e empresarial, até hoje são essas pessoas – unidas num corpo de voluntários e alguns funcionários assalariados– as responsáveis pela gestão, a programação e o funcionamento operacional do local.

    Por meio da análise de dados coletados durante uma pesquisa etnográfica realizada na Bélgica entre 2015 e 2016, investigamos, à luz de conceitos como “memória coletiva” (HALBWACHS, 1992), “memória enquadrada” (POLLAK, 1989), “lugares de memória” (NORA, 1984) e “usos e abusos da memória” (RICOEUR, 2004) as camadas socioculturais e sociopolíticas, a rede de narrativas ligadas às experiências vividas ontem e hoje por frequentadores e o campo de forças por onde se produzem determinadas versões sobre o passado do De Roma em vista das necessidades de sua conservação no presente. Nosso interesse é analisar a integração entre ações e discursos que balizaram a recuperação do De Roma e que atualmente dão ensejo às justificativas para a sobrevida do equipamento, a gestão de seus recursos e a conquista de mais e mais entusiastas, voluntários e investidores privados e governamentais.

Bibliografia

    DE ROMA WEBSITE. Desenvolvido pelo teatro De Roma. Apresenta informações sobre o teatro. Disponível em: http://www.deroma.be . Acesso em: 17 maio 2016.

    DE ROMA, A UNIQUE HISTORY. Antuérpia: De Roma, s/d, 10 p. Relatório técnico.

    FOUCAULT, Michel. Space, knowledge and power. In: RABINOW, Paul (Ed.). The Foucault Reader. New York: Pantheon Books, 1984.

    HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.

    MALTBY, R.; BILTEREYST, D.; MEERS, P.. Explorations in new cinema history: approaches and case studies. Oxford: John Wiley & Sons, 2011.

    NORA, P. Les lieux de mémoire. Paris: Gallimard, 1984.

    POLLAK, M. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v.2, n.3, p.3-15, 1989.

    RICOEUR, P. Memory, History, Forgetting. Trad.: Kathleen Blamey e David Pellauer. Chicago, London: The University Chicago Press, 2004.

    TODOROV, T. Les abus de la mémoire. Paris: Arléa, 2004.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM