Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Fernando Mascarello (Unisinos)

Minicurrículo

    Fernando Mascarello é organizador do livro História do Cinema Mundial (Papirus, 2012, 7a. edição). Na SOCINE, foi membro do Conselho Deliberativo de 1999 a 2009, além de criador e coordenador dos Seminários Temáticos “Indústria e Recepção Cinematográfica e Audiovisual” (2009 a 2011) e “Recepção Cinematográfica e Audiovisual” (2012 a 2014). É professor do curso de Realização Audiovisual da Unisinos, onde também coordena a Especialização em Cinema. Doutorou-se em Cinema pela ECA/USP em 2004.

Ficha do Trabalho

Título

    Neonoir, novos homens?: Masculinidades em Drive, eXistenZ e Twin Peaks

Resumo

    O trabalho propõe uma análise da representação da masculinidade nos filmes Drive e eXistenZ e na série Twin Peaks. Tendo como base teórica os estudos do noir, os estudos de gênero e queer e os estudos sobre os homens, os dois filmes e a série são aproximados como exemplos de uma possível vertente minoritária do neonoir, cujos protagonistas encenam novas possibilidades de uma masculinidade heterossexual em reconfiguração, as quais são vistas como desviantes ou não-preferenciais pelo patriarcado.

Resumo expandido

    O trabalho propõe uma análise da representação da masculinidade nos filmes Drive (Nicolas Winding Refn, 2011) e eXistenZ (David Cronenberg, 1999) e na série Twin Peaks (David Lynch, 1990 a 1991). Os dois filmes e a série são aproximados como exemplos de uma possível vertente minoritária do chamado neonoir, cujos protagonistas encenam novas possibilidades de uma masculinidade heterossexual em reconfiguração. Com base em autores tanto dos estudos queer e de gênero, como Eve Sedgwick e Judith Butler, quanto dos estudos sobre os homens, como Todd Reeser, procuro pensar os sentidos dos comportamentos desses protagonistas como exploratórios de masculinidades heterossexuais tradicionalmente tipificadas como desviantes ou não-preferenciais pelo patriarcado.

    De início, a fim de compor uma necessária moldura teórica e histórica na área dos estudos noir e neonoir, procedo a uma revisão bibliográfica sobre o tema da dramatização do embate entre homem e mulher nessas filmografias. Naturalmente, esse tema já tem sido bastante discutido na extensa pesquisa em torno à manifestação original do noir nos EUA entre as décadas de 1940 e 1950 (ver Mascarello [2012] para uma síntese desse debate em específico). No que tange ao neonoir, por outro lado, tanto o estabelecimento do campo de estudo quanto a discussão sobre o tema do referido embate entre os sexos têm, ambos, sido mais árduos e complexos, pelo fato de a filmografia ser mais recente e bem mais diversificada e disseminada entre distintos gêneros cinematográficos.

    No mapeamento inicial do campo do neonoir – inaugurado, entre outros, por Hirsch (1999) –, um fenômeno recorrente é a ênfase dos pesquisadores sobre a reposição, nesses filmes, da masculinidade compulsivamente exagerada típica de muitos personagens do noir original, reativa ao empoderamento feminino metaforizado pela figura da mulher sexualmente agressiva e fatal (conforme a análise clássica de Krutnik [1991]). Uma hipótese central do presente trabalho é a de que existe, porém, uma vertente, ainda que minoritária, do neonoir que encena comportamentos heterossexuais masculinos que desviam da norma heteronormativa, contribuindo para o desbravamento de territórios necessários a uma reconfiguração anti-patriarcal e anti-homofóbica da masculinidade. Essa hipótese se alinha com o fato de que, após uma má acolhida inicial ao noir pelas teóricas feministas do cinema (nos 1970), já ao final dos 1980, municiado pelos estudos queer e de gênero que começavam a se estruturar, o pensamento feminista passa a perceber que, no noir, o que está demarcado, implicitamente, é exatamente a falência dos comportamentos masculinos reativos que os filmes representavam.

    Partindo desse recorte teórico e histórico do noir e do neonoir, bem como da hipótese inicial de pesquisa, procedo à análise da representação das masculinidades heterossexuais tais como performadas pelos protagonistas dos filmes e série: o motorista de Drive; o falso agente de marketing Ted Pikul em eXistenZ; e o agente do FBI Dale Cooper em Twin Peaks. A análise elege como foco os papéis e comportamentos assumidos por estes protagonistas em suas relações amorosas ou erotizadas com as personagens femininas (as protagonistas Allegra Geller, em eXistenZ, e Irene, em Drive; e a personagem Audrey, em Twin Peaks), e também, subsidiariamente, em seu convívio com outros personagens masculinos e femininos (particularmente em Twin Peaks).

    A fim de embasar o esforço de análise, mobilizo seja o referencial teórico dos estudos queer e de gênero, seja as contribuições igualmente essenciais para a contemporânea compreensão da heterossexualidade masculina trazidas pelos chamados estudos sobre os homens. Entre os autores que têm colaborado para a constituição desse campo, a análise recorre em particular ao teórico Todd Reeser (2010) e a alguns dos colaboradores da obra psicanalítica contemporânea de maior destaque na área das masculinidades heterossexuais, o livro organizado por Reis e Grossmark (2009).

Bibliografia

    BUTLER. Judith. Gender trouble. Nova Iorque: Routledge, 1990.
    COHAN, Steven; HARK, Ina Rae (orgs.). Screening the male: Exploring masculinities in Hollywood cinema. Nova Iorque: Routledge, 1993.
    HIRSCH, Foster. Detours and lost highways: A map of neo-noir. Nova Iorque: Limelight, 1999.
    KRUTNIK, Frank. In a Lonely Street: Film Noir, Genre, Masculinity. Londres: Routledge, 1991.
    LEHMAN, Peter (org.). Masculinity: Bodies, movies, culture. Nova Iorque: Routledge, 2001.
    MASCARELLO, Fernando. Film noir. In: MASCARELLO, Fernando (org.). História do cinema mundial. Campinas: Papirus, 2012. 7a. ed.
    REIS, Bruce; GROSSMARK, Robert. Heterosexual masculinities: Contemporary perspectives from psychoanalytic gender theory. Nova Iorque: Routledge, 2009.
    REESER, Todd. Masculinities in theory: An introduction. Malden: Blackwell, 2010.
    SEDGWICK, Eve Kosofsky. Between men: English literature and male homosocial desire. Nova Iorque: Columbia University Press, 1985.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM