Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Dinaldo Sepúlveda Almendra Filho (UNILA)

Minicurrículo

    Doutor em Sociologia (IESP-UERJ) e Mestre em Comunicação Social (PUC-Rio). Professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), no Curso de Cinema e Audiovisual e no Mestrado em Literatura Comparada. Líder do Núcleo de Estudos em Estética e Política dos Imaginários (NEPI), grupo do CNPq com a pesquisa “Imaginários urbanos latino-americanos: cinemas e cidades nas margens da modernidade tardia”. Autor do livro “Os mistérios do Carandiru: cárcere, massacre e cultura de massas”.

Ficha do Trabalho

Título

    Figurações da justiça no “cine de la marginalidad”

Seminário

    Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais

Resumo

    Este texto analisa as figurações da justiça no cinema dos anos 1990 e 2000, relacionando a ficção produzida no regime estético definido por Christian León como “el cine de la marginalidad” com o conceito de “justiça como lealdade ampliada” no discurso político de Richard Rorty. Como resultado, reconhece as oscilações dos sensos do justo nas ações e na moralidade dos personagens típicos da “estética do desencanto” ou da “dramaturgia do desamparo” associadas aos espaços urbanos latino-americanos.

Resumo expandido

    Este texto analisa as figurações da justiça no cinema dos anos 1990 e 2000, relacionando a ficção produzida pelo “cine de la marginalidad” (León, 2005) com o conceito de “justiça como lealdade ampliada” no discurso político de Richard Rorty (2005). Observa, assim, as oscilações dos sensos do justo nas ações e na moralidade de personagens da “estética do desencanto” ou da “dramaturgia do desamparo”, associadas aos espaços urbanos das cidades latino-americanas.

    Na virada do século, o cinema político deslocou a sua atenção das lutas nacionais para as redes globais de cidades periféricas. A ficção privilegiou a encenação dos espaços urbanos problemáticos e violentos, habitados por personagens que protagonizam histórias de marginalidade social atualizadas em um regime estético “pós-utópico”. Rodrigo D No futuro (Victor Gaviria, 1990), Pizza, Birra, Faso (Adrián Caetano e Bruno Stagnaro, 1998), Ratas, ratones e rateros (Sebastián Cordero, 1999), Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002), El oso rojo (Adrian Caetano, 2002) ou La Playa DC (Juan Andres Arango, 2012), dentre outros, desligaram-se ou colocaram em perspectiva os conceitos do discurso político moderno que embasavam os enunciados visuais do Nuevo Cine Latinoamericano (NCL): “revolução”, “povo” e “nação” (León, 2005, p. 22). Estes são conceitos cujos horizontes políticos delinearam um forte senso de justiça de obrigação moral universal, ligado à construção dos imaginários cinematográficos dos problemas sociais e culturais da América Latina. O cinema deveria ser, em um sentido heroico, porta voz do povo e de um destino coletivo mais justo.

    O que acontece com o conceito de justiça no discurso ficcional, quando desvinculado de obrigação moral universal? Com o esgotamento do paradigma estético e político de 1970 e após a crise de 1980 (Avellar, 1995; Ruffinelli, 2013; del Río, 2013), os filmes que tematizam as cidades em 1990 e 2000 não deixaram de evocar as heranças do NCL e do neorrealismo italiano ao mesmo tempo em que apresentaram novos matizes, rupturas e metamorfoses. Ou, então, hibridizaram-se com gêneros de ação hollywoodianos para criar, no vocabulário da comunidade interpretativa, categorias estéticas instáveis e politicamente problemáticas como “favela effect” (Mennell, 2008) ou “realismo de periferia” (Figueiredo, 2010). Merece destaque “el cine de la marginalidad” ou “realismo sucio”, que enfoca os problemas sociais e culturais “desde la realidad cotidiana y corporal de seres excluidos (…) temáticas menores de los sujetos marginales, la imposibilidad de futuro, la violencia callejera y la cotidianidad en la gran urbe” (León, 2005, p. 30).

    Partindo dos filmes acima mencionados, o texto analisará as figurações da justiça em uma dramaturgia da incerteza e de conflitos sem redenção, caracterizada por personagens errantes e sem destino, cujas ações e dramas cotidianos são regidos pela experiência de risco e pela flutuação dos sensos do justo. O primeiro objetivo é demonstrar quais conceitos de justiça “pós-utópicos” são tornados tangíveis e sensíveis na encenação das cidades a partir de tramas, de ações dramáticas e de escolhas que os personagens fazem diante de dilemas morais contingentes, dissociados dos ideais de “povo” ou “nação”. O segundo objetivo é relacionar o discurso ficcional com o que Rorty (2005) chamou, no discurso político, de “justiça como lealdade ampliada”: conflitos morais caracterizados pela ampliação e inclusão de pessoas nos nossos círculos de pertencimento comum por razões de justiça, ou a restrição e a exclusão de pessoas por sentimentos de lealdade. No “cine de la marginalidad”, as oscilações dos sensos do justo entre “justiça” e “lealdade” revelam-se matéria-prima da ficção urbana latino-americana: a vida de pessoas comuns, dilaceradas moral e emocionalmente por conflitos entre concepções do justo orientadas para o bem comum ou permeadas pelo individualismo, pelo ressentimento e pela vontade de vingança.

Bibliografia

    AVELLAR, José Carlos. A ponte clandestina.Rio de Janeiro/São Paulo: Editora 34, 1995.

    LEÓN, Christian. El cine de la marginalidad: realismo sucio y violencia urbana. Quito: Ediciones Abya-Yala/Universidad Andina Simón Bolívar, 2005.

    MENNEL, Barbara. Cinema and cities. London: Routledge, 2008.

    MILLELIRI, Carole. Le cinéma de banlieue: un genre instable. Mise au point. Cahiers de l’association française des enseignants chercheurs en cinéma et audiovisuel, nº. 3, abr. 2011. Disponível em:

    RÍO, Joel del. Primícias y reciclajes del siglo XXI. In: TORCHIA, Edgar Soberón. Los cines de America Latina y el Caribe. (1970-2010). San Antonio de Los Baños: Ediciones EICTV, 2013.

    RORTY, Richard. A justiça como lealdade ampliada. In: Pragmatismo e política. São Paulo: Martins Fontes, 2005

    RUFFINELLI, Jorge. Los años 90: volver al futuro. In: TORCHIA, Edgar Soberón. Los cines de America Latina y el Caribe. (1970-2010). San Antonio de Los Baños: Ediciones EICTV,

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM