Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Gustavo Soranz (Unicamp)

Minicurrículo

    Professor do Uninorte (AM) e da Universidade Estadual do Amazonas. É membro do Núcleo de Antropologia Visual da Ufam (NAVI/UFAM), do Centro de Pesquisas em Cinema Documentário da Unicamp (CEPECIDOC) e do grupo Documentação e Experimentação em Sistemas Audiovisuais, da Unicamp.

Ficha do Trabalho

Título

    The fourth dimension: uma análise fenomenológica

Resumo

    Apresentamos uma análise do filme The Fourth dimension (2001), dirigido por Trinh T. Minh-ha, fundamentada na aproximação entre a fenomenologia e o cinema, na busca de descrever como este trabalha a expressão do tempo e da temporalidade em sua dimensão estética, a partir da experiência da cineasta no Japão contemporâneo, evidenciando modos particulares de engajamento com essa realidade cultural a partir de gestos expressivos de ser e de estar no mundo percebidos na matéria fílmica.

Resumo expandido

    A proposta deste artigo é apresentar uma análise do filme The Fourth Dimension (2001), dirigido pela cineasta Trinh T. Minh-ha, sob a luz da fenomenologia. Para isso, partiremos da proposta de Vivian Sobchack (1992), que buscou elaborar um método de análise fílmica, com especial atenção ao cinema documentário (1999), inspirado na fenomenologia existencial do filósofo francês Maurice Merleau-Ponty. Para a autora, tal esforço compreende um trabalho de (1992, p. xvii) “descrever e explicar a origem e lócus da significação e do significado cinematográficos na experiência da visão como uma atividade existencial corporificada e significativa.”
    O trabalho de Sobchack em lapidar uma metodologia de análise fílmica assentada na fenomenologia é reconhecido como um dos marcos na busca por trazer tal doutrina filosófica para fundamentar estudos na área da teoria do cinema, contribuindo para oferecer novas possibilidades epistemológicas para esse campo de estudos. Malin Wahlberg (2008), que realizou um trabalho de revisão das principais propostas teóricas que buscavam tal intento de aproximação, considera que “Sobchack oferece uma teoria modificada que se opõe à doxa metafísica da fenomenologia clássica, enquanto reconsidera a percepção como visão corporificada. Além disso, seu trabalho é uma importante tentativa de apresentar a fenomenologia existencial como uma alternativa para o modelo psicanalítico de espectatorialidade e identificação cinemática. (2008, p.15)
    Seguindo Sobchack, uma vez que a experiência cinematográfica é corporificada e inserida no mundo, devemos pensar tal fenômeno por dois movimentos complementares: primeiro, como uma experiência de mediação entre consciência e fenômeno. Poderíamos dizer, entre sujeito e objeto. Uma experiência de percepção por parte de um sujeito consciente que sente e experimenta o mundo e cuja manifestação expressiva resulta em matéria fílmica – imagens e sons articulados entre si – que traz esse mundo à existência. Segundo, como uma experiência mediada de recepção, da experiência de perceber o mundo por meio das imagens que nos são apresentadas dele. As imagens visíveis de um mundo tanto quanto a visão elaborada de um mundo. Em termos fenomenológicos esse duplo movimento apresenta os conceitos de noema – os fenômenos da nossa experiência – e noesis – os modos como percebemos e vivenciamos o mundo.
    Para uma utilização proveitosa da fenomenologia como aporte teórico nos estudos de cinema, que implica pensar em como tais princípios filosóficos podem contribuir para aprimorar nosso entendimento do filme escohido para ser objeto de escrutínio, precisamos ir além das relações que definem a constituição da experiência fílmica segundo Sobchack. É necessário um embate direto com o filme, com sua expressividade e materialidade, a fim de evitar a armadilha da mera abstração teórica que deixa o objeto fílmico ausente da elaboração conceitual.
    Nossa proposta aqui é a de buscar uma aproximação íntima e detida com o filme The fourth dimension, com sua materialidade, com as estratégias fílmicas adotadas, com o contexto da produção, a fim de realizar uma “descrição fenomenológica densa” desta experiência fílmica. Em particular, nos interessa refletir sobre a expressão do tempo e da temporalidade no filme. Sobre como ele dá dimensão expressiva a diferentes temporalidades imbricadas na experiência da cineasta com o Japão contemporâneo, oscilando de modo tanto sutil quanto complexo entre uma dimensão rural e contemplativa e uma modernidade urbana e pulsante, situando a diretora como sujeito da experiência e do discurso, evidenciando um modo particular de sentir e de estar no mundo, apresentado e modulado pelos meios do cinema em uma reflexão instigante sobre a experiência do tempo e a potência da imagem. Sobre o cinema e o engajamento do sujeito com o mundo.

Bibliografia

    CHAMARETTE, Jenny. Time and Matter: temporality, embodied subjectivity and film experience. Rethinking subjectivity beyond French cinema. Palgrave Macmillan, 2012.
    SOBCHACK, Vivian. The addres of the eye: a phenomenology of film experience. Princeton University Press, 1992.
    _________________. Toward a Phenomenology of Nonfictional Film Experience. In: GAINES, Jane M. & RENOV, Michael. (Ed) Collecting visible evidence. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1999.
    SORFA, David. Phenomenology and film. In. BRANIGAN, Edward & BUCKLAND, Warren. (Org.) The Routledge encyclopedia of film theory. Nova York: Routledge, 2014.
    TRINH T. Minh-ha. The digital film event. Nova York: Routledge, 2005.
    WAHLBERG, Malin. Documentary time: film and phenomenology. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2008.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM