Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Claudio Leal (USP)

Minicurrículo

    Claudio Leal, graduado em Comunicação Social-Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, é mestrando em Meios e Processos Audiovisuais na Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP).

Ficha do Trabalho

Título

    O diálogo crítico de Glauber Rocha e Walter da Silveira

Seminário

    Teoria dos Cineastas

Resumo

    Este trabalho propõe uma revisão do diálogo entre o crítico Walter da Silveira, fundador do Clube de Cinema da Bahia, e o cineasta Glauber Rocha, nos anos 50 e 60 em Salvador (BA). Silveira era apontado pelo discípulo como um dos três teóricos decisivos para o Cinema Novo, ao lado de Alex Viany e Paulo Emílio Salles Gomes. Os impactos da formação cinéfila são sentidos na maturação teórica do cineasta.

Resumo expandido

    Nas suas críticas, Glauber Rocha põe uma tríade de intelectuais no centro do pensamento do cinema brasileiro moderno. A frequência de Alex Viany, Paulo Emílio Salles Gomes e Walter da Silveira, em seus artigos, não se perde no sabor retórico. Há estratégia e meditação na escolha dos interlocutores. A esse primeiro raio de influência, o cineasta baiano agregava ainda os críticos Cyro Siqueira, Salvyano Cavalcanti de Paiva e José Lino Grunewald. Mas, sob diferentes alegações, insistia na centralidade de Viany, Salles Gomes e Silveira na abertura de caminhos teóricos para a geração do Cinema Novo. “Fizemos uma aliança teórica com a Cinemateca Brasileira e uma aliança política com Alex Viany e Walter da Silveira. O cinema novo teorizava, mas logo estava preparado para a prática”, avaliou Glauber no livro Revolução do Cinema Novo (1981).

    Dentre os três críticos, Walter da Silveira tem uma trajetória menos explorada, confinada à gênese de uma mentalidade cinematográfica em Salvador, embora suas contribuições extrapolem o Clube de Cinema da Bahia, espaço decisivo para a formação do jovem Glauber. Iniciado em meados da década de 50, esse diálogo crítico aconteceu sobretudo nos jornais, encerrando-se somente com a morte de Walter da Silveira, em 1970. Este trabalho procura reconstituir essa interlocução e sua influência no amadurecimento teórico do cineasta Glauber.

    Na cidade do Salvador dos anos 50, a cinefilia imantava os jornais e impunha-se sobre os espaços sagrados das artes plásticas e da literatura. Tornava-se um campo de mediação das visões de mundo em choque. O neo-realismo italiano, a redescoberta de Hollywood via Cahiers du Cinéma e a erupção da Nouvelle Vague armavam as paixões críticas. No fenômeno cinéfilo baiano, Walter da Silveira e Glauber Rocha assumem papeis centrais mas diversos. Walter, o formador, Glauber, o crítico-realizador, ambos frequentemente em colisão. Influenciado pelos modelos críticos de Georges Sadoul e André Bazin e marcado pela militância comunista, da qual se distanciaria na segunda metade dos anos 50, Walter não deixará de examinar a natureza dos artigos do discípulo: “injustos quase sempre, continuadamente sinceros, porém”.

    No gabinete do mestre, Glauber conheceu os primeiros exemplares dos Cahiers du Cinéma da fase amarela. No cineclube, encontrou-se com as referências fílmicas e teóricas que reverberariam em seu programa estético. O confronto entre Revisão crítica do cinema brasileiro, de Glauber, e dois artigos escritos em 1962 por Walter da Silveira (“Raízes do Cinema Novo” e “Cinema Novo”) oferece um retrato das distâncias e proximidades. Enquanto Glauber e uma parte representativa dos realizadores de sua geração retornam à importância de Humberto Mauro, Walter da Silveira destaca Nelson Pereira dos Santos. Esses confrontos teóricos ocorreram no momento em que Glauber saltava da cinefilia para a definição de um ideário no cinema.

Bibliografia

    ARAÚJO SILVA, Mateus. “Glauber crítico: notas sobre O Século do Cinema”. Revista da Cinemateca Brasileira, v. 1, p. 16-33, 2012.
    BRASIL, José U. S. As críticas do jovem Glauber: Bahia 1956/1963. Tese (doutorado). Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Comunicação, Salvador, 2007.
    REBECHI JUNIOR, Arlindo. Glauber Rocha, ensaísta do Brasil. Tese (Doutorado em Letras). São Paulo: Universidade de São Paulo, 2011.
    ROCHA, Glauber. Cartas ao mundo. BENTES, Ivana (Org.). São Paulo: Cia. das Letras,
    1997.
    ______. Revisão crítica do cinema brasileiro. São Paulo: Cosac Naify, 2003.
    ______. Revolução do cinema novo. São Paulo: Cosac Naify, 2004.
    SILVEIRA, Walter da. “Raízes do Cinema Novo”. O eterno e o efêmero. Salvador: Oiti Editora, v.3, p.265, 2006.
    ______. “Cinema Novo”. O eterno e o efêmero. Salvador: Oiti Editora, v.3, p.267-281, 2006.
    TEIXEIRA GOMES, João Carlos. Glauber Rocha, esse vulcão. Rio de Janeiro: Nova
    Fronteira, 1997.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM