Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Maria Ines Dieuzeide Santos Souza (UFMG)

Minicurrículo

    Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFMG, com bolsa da FAPEMIG. Mestre pelo Programa de Pós-graduação em Imagem e Som da UFSCar, e graduada em Comunicação Social pela UFES. Faz parte do grupo de pesquisa Poéticas da Experiência, da UFMG.

Ficha do Trabalho

Título

    Intervenção divina ou a reinvenção pelo cinema

Resumo

    Nossa proposta parte da análise do filme Intervenção divina (Elia Suleiman, 2002) para compreender as formas como o cotidiano palestino sob a ocupação israelense é colocado em cena. A partir da identificação de três características principais – o controle rigoroso da mise-en-scène, a estrutura de esquetes e a repetição dos eventos –, estabelecemos um diálogo do filme com o cinema burlesco para pensar como essa posta em cena passa pelo deslocamento e pela reinvenção possibilitadas pela ficção.

Resumo expandido

    Intervenção divina – uma crônica do amor e da dor (Yadon ilaheyya, França / Marrocos / Alemanha / Palestina, 2002), do diretor Elia Suleiman, é o filme do meio de uma trilogia que se volta para o cotidiano palestino sob a repressão do governo israelense. Assim como o primeiro (Crônica de um desaparecimento, 1996), este longa-metragem se estrutura em duas partes, a primeira centrada na cidade de Nazaré e a segunda em Jerusalém – com destaque para a barreira militar entre Ramalá e Jerusalém. Depois de um prólogo que se aproxima do nonsense – um grupo de jovens que persegue um Papai Noel esfaqueado no meio da paisagem pedregosa dos arredores da cidade –, a primeira parte se detém no cotidiano de um bairro árabe de Nazaré. As relações entre os vizinhos são tensas, presas em enquadramentos rígidos e situações que beiram o absurdo. Ainda que exponha uma vida absolutamente banal e repetitiva, esse cotidiano está marcado por uma violência latente, já anunciada na perseguição estranha do início.

    A segunda parte do filme tem início com a aparição do personagem encarnado pelo próprio diretor. A cena de entrada de Suleiman já dá o tom do desenrolar do longa: viajando de carro, Elia lança pela janela um caroço do damasco que está comendo; o caroço atinge um tanque de guerra parado ao lado da estrada, que explode com a colisão. Atravessando episódios que vão da banalidade total ao mais fantástico, este personagem se dividirá entre as idas ao hospital, onde visita o pai doente, e os encontros silenciosos com uma namorada misteriosa e poderosa, que se dão no pátio do posto de controle militar entre Ramalá e Jerusalém. Essa moça será a protagonista dos eventos de maior resistência aos militares israelenses: ela consegue, com passo firme e olhar desafiador, derrubar a torre do checkpoint com seu simples caminhar; no final do filme, se revelará guerreira ninja, com poderes super-heróicos, capaz de dar fim a um grupo de soldados em treinamento.

    Tal como os outros dois filmes da trilogia (composta ainda por O que resta do tempo – crônica de um presente ausente, 2009), o longa se caracteriza por uma estrutura fragmentada, na qual esquetes absurdas vão se repetindo em enquadramentos rígidos e encenações rigorosamente coreografadas. Em diálogo com outros diretores da tradição burlesca (podemos pensar especialmente em Jacques Tati), Suleiman cria para si um personagem que testemunha o cotidiano sob ocupação militar e reelabora o presente por meio de artifícios e engrenagens cinematográficos.

    Parece-nos que há, em Intervenção divina, uma tentativa de elaboração da vida em território de disputa (como é a vida dos que vivem no conflito entre Israel e Palestina) por meio do jogo ficcional de redisposição e refiguração de seus componentes, de seus espaços, de seus personagens. O diretor propõe novas configurações do cotidiano experienciado pelos moradores de Nazaré e Jerusalém, mediado pelo corpo burlesco que “[…] desfaz os encadeamentos da causa e do efeito, da ação e da reação, porque ele põe em contradição os próprios elementos da imagem móvel” (RANCIÈRE, 2013: 17). Suleiman parece afirmar que a posta em cena dessa vida passa pelo deslocamento, pela reinvenção possibilitada pela ficção – de si e do mundo. E o burlesco contribui para acentuar a redisposição dos elementos, com suas possíveis transgressões, com seus novos arranjos, novos espaços de disputa.

    Essa análise é parte de nossa pesquisa de doutorado, focada na trilogia palestina de Elia Suleiman, na qual buscamos compreender a articulação proposta pelos filmes entre encenação, ponto de vista e construção espaço-temporal, em sua relação com o contexto sócio-político contemporâneo sobre o qual se debruçam, e examinar como esta posta em cena pode estabelecer um diálogo formal com a particular condição de exílio na qual se encontra o cineasta, condição que se estende para o povo palestino.

Bibliografia

    AUMONT, J. O cinema e a encenação. Lisboa: Texto&Grafia, 2006.

    BERGSON, H. O riso. Ensaio sobre a significação da comicidade. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

    DREUX, E. Le cinéma burlesque ou la subversion par le geste. Paris: L’Harmattan, 2007.

    GERTZ, N.; KHLEIFI, G. Palestinian Cinema: Landscape, trauma and memory. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2008.

    RANCIÈRE, J. A fábula cinematográfica. Campinas: Papirus, 2013.

    ______. As distâncias do cinema. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.

    SAID, E. Reflexões sobre o exílio e outros ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

    TESSÉ, J.P. Le burlesque. Paris: SCÉRÉN-CNDP, Cahiers du cinéma, 2007.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM