Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Virgínia Paula Pinho Freitas (UFC)

Minicurrículo

    Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federeal do Ceará. Formada pela terceira turma do Curso de Realização em Audiovisual da Vila das Artes. virginiapaulapinho@gmail.com

Ficha do Trabalho

Título

    A fuga como um caminho

Resumo

    Em “A saída dos operários da fábrica” (1995) Harun Farocki produz crítica da economia das imagens que transborda na crítica da própria história do cinema. O trabalho fabril é observado pela câmera de segurança e ocultado pela imagem do cinema. A saída da fábrica é a fronteira contraditória entre essência e aparência. Contradição expressa nos corpos em tensa coreografia, através da qual a imagem da classe ora se faz, ora se desfaz. Pensamos aqui conectando categorias de Marx, Rancière e Lepecki.

Resumo expandido

    Em “A saída dos operários da fábrica” (Arbeiter verlassen die Fabrik, Alemanha, 1995), Harun Farocki toma como ponto de partida a película “A saída dos operários da fábrica Lumière” (La Sortie des usines Lumière, França, 1895), dos irmãos Louis e Auguste Lumière. Considerado como um marco na história do cinema, o filme dos Irmãos Lumière dura aproximadamente 45 segundos e mostra frontalmente cerca de 100 operários saindo da fábrica de artigos fotográficos de Lyon-Montplaisir. Durante 12 meses Farocki se debruçou sobre uma vasta produção imagens realizadas em diversos períodos e suportes e para diversas finalidades que registravam variações possíveis para esse tema: a saída da fábrica. Com esse material fez um filme.

    A saída da fábrica destaca a contradição entre a fuga para a liberdade do não-trabalho, do ócio, da vida lá fora, ao mesmo tempo em que expõe uma coreografia do controle. Uma coreografia que se revela mais sutil e opaca, por isso mesmo mais eficiente. Neste sentido, Farocki vai ao encontro da perspectiva de Ranciére, na qual “se existe uma conexão entre arte e política, ela deve ser colocada em termos de dissenso – o âmago do regime estético” (RANCIÈRE, 2010). Lepecki também enfatiza esse ponto de vista ao caracterizar esse âmago como algo que “é em si mesmo dinâmico, cinético, no sentido de que dissenso produz a ruptura de hábitos e comportamentos, e provoca assim o debandar de toda sorte de clichês: sensoriais, de desejo, valor, comportamento, clichês que empobrecem a vida e seus afetos.” (LEPECKI, 2012.)

    A base material do trabalho fabril recobriu o fenômeno do trabalho alienado com uma “capa” de invisibilidade difícil de ser devassada pelas imagens. Restou pouco para o cinema. Talvez um reduzido território fronteiriço. Quase uma linha traçada no chão, que faz da “saída dos operários”, paradoxalmente, um “retorno” necessário. Ali, para além da imagem-clichê do sistema de máquinas e dos movimentos repetitivos da grande indústria, encontra-se um limiar, uma condição de movimento, um espaço de contingência e mutação, de passagem. Um limiar que se faz através de uma tensa coreografia de controle dos corpos. Uma coreografia também de obscuridade, com pontos cegos, opacidade. Fronteira entre essência e aparência, entre a esfera da produção e da circulação de mercadorias. Lembrando que nessas circunstâncias históricas, o trabalho fabril é fundamentalmente trabalho alienado (Marx, 2004).

    A negação que Farocki faz se dá através de um estranhamento brechtiano, onde fica evidente o despedaçamento da lei da circulação de mercadorias. O estranhamento é produzido na imagem estática do coro. Tudo está parado. O movimento cessa. Uma coreografia sem movimento. O direito de propriedade que está lastreado na lógica da circulação de mercadoria não dá conta do conflito, é, na verdade, a causa do conflito. O “Não” da ordem se segue ao “Não” dos trabahadores. Surge o dissenso no filme. A greve aparece como anti-movimento da circulação sistêmica. A coreopolítica proposta por Lepecki vai além do espaço do saída da fábrica, que é o foco de Farocki, seu palco é toda a cidade. Contudo, a perspectiva e o modo operante são profundamente interligados. Há aqui uma apropriação dos conceitos de Ranciére e Lepecki com objetivos próprios na compreensão do filme “Saída dos operários da fábrica”.

    A porta da fábrica é um espaço de coreografia específica dos trabalhadores, espaço de fronteira, de devir, de ruptura onde explodem contingência e liberdade. Lugar de transição, apesar de ser o espaço de controle por excelência. Por outro lado, essa liberdade sublimada recai elipticamente numa constante dessublimação repressiva, suave, total. O movimento não realiza a liberdade. O movimento permanece repetido, como movimento da mercadoria que vai reproduzir seu valor para retornar no dia seguinte ao processo de produção e circulação. Consumir como indivíduos para serem consumidos enquanto classe no espaço oculto da produção.

Bibliografia

    ADORNO, Theodor e HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento – Fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 1985.
    FAROCKI, Harun. Influências transversais / montagem flexível. In: (ORG.), Gerardo Yoel. Pensar o Cinema: Imagem, Ética e Filosofia. São Paulo: Cosac Naify, 2015. p. 227-234.
    ________.. Trabalhadores saindo da fábrica. In: (ORG.), Amir Labaki.A verdade de cada um. São Paulo: Cosac Naify, 2015. p. 211-220.
    ________. Desconfiar de las imágens. Bueno Aires: Caja Negra, 2013.
    LEFEBVRE, Henri. O Direiro à Cidade. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2001.
    LEPECKI, André. Coreopolítica e Coreopolícia. 2012. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ilha/article/view/24920
    MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Editora Boitempo, 2004.
    MARX, Karl. O Capital–Critica d aeconomia política. Volume I. LivroPrimeiro. São Paulo: Abril Cultural, 1996.
    RANCIÈRE, Jacques. Dissensus: On Politics and Aesthetics. New York: Continuum, 2010.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM