Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Susana Amaral (UFRJ)

Minicurrículo

    Susana Costa Amaral é artista-pesquisadora e cineasta. Formada em Comunicação Social pela Escola de Comunicação da UFRJ, é mestre em Artes da Cena pela mesma instituição. Ganhou o prêmio de melhor vídeo-cenografia no 27° FITUB pela peça “Cavalos e Baias”, em parceria com a cia teatral Miúda. Roteirizou, dirigiu e montou o curta “Uma Noite e Meia”, menção honrosa na Festival Primeiro Plano 2015.

Ficha do Trabalho

Título

    A encenação performativa em Ela Volta na Quinta

Resumo

    A partir dos estudos da performance, este trabalho busca apontar as diferentes maneiras pelas quais o desinvestimento na dicotomia real/ficção presente na encenação de Ela volta na quinta, de André Novais, tensiona certa reivindicação contemporânea de realidade, ao mesmo tempo em que colabora para o redimensionamento do corpo em cena como principal vetor de intensidade e presença, dando forma à uma complexa relação de intimidade entre câmera e personagem e entre espectador e filme.

Resumo expandido

    No universo que compõe a filmografia do cineasta mineiro André Novais, se de um lado há o realismo urbano, tão explorado pela cinematografia brasileira, de outro, e é deste lado que André localiza suas imagens, há a delicadeza dos universos íntimos e sensíveis que apostam na procura da epifania através de histórias inspiradas no cotidiano. No filme Ela volta na quinta, primeiro longa metragem do realizador, a mãe, o pai, o irmão, a namorada do irmão, os amigos do irmão, assim como ele próprio e a namorada Élida Slipe compõem o quadro de personagens do filme. Diante do desafio de filmar sua própria rede de afetos, Novais volta-se para a vida em suas miudezas, em suas repetições. Atento à complexidade das relações humanas em toda a sua fragilidade e, mais importante, em toda a sua banalidade, o filme se dá pela emergência do extraordinário no ordinário do cotidiano. Apesar do forte índice de realidade que carrega, não restam dúvidas quanto à ficcionalidade da narrativa, muito embora seja justamente esta relação de ambiguidade que o filme estabelece com o espectador o seu principal vetor de força. Em Ela volta na quinta, a dramaturgia se constrói pelas vias da memória, da intimidade e da dilatação do tempo, produzindo camadas de realidade e presença (GUMBRECHT, 2010) que impregnam a imagem do próprio estofo material da vida cotidiana, biográfica.
    Nesta construção, Novais opta em mostrar seus personagens em rituais do dia a dia, pontuando o passar das horas a partir da repetição de eventos rotineiros como deitar-se para dormir, sentar-se para comer, etc. A cotidianidade é estabelecida no âmbito da encenação a partir da execução de pequenas ações, como estender a roupa, varrer a casa, preparar o jantar – o que Richard Schechner definiu como twice-behaved behavior -, e no âmbito cinematográfico, a partir da repetição de enquadramentos e ambientes, principalmente nos planos onde vemos os personagens na cama, no quarto de dormir. Dessa maneira, o cotidiano é trabalhado a partir de sua inserção no tecido social do núcleo de uma família da periferia de Contagem, cidade do estado de Minas Gerais. Da sequência inicial onde vemos as fotografias da família, ao minimalismo narrativo e cenográfico, às modalidades de voz de cada personagem. A construção da trama narrativa preenchida do contexto histórico-geográfico da vida do próprio realizador corresponde à concretude do espaço e do tempo penosamente real, intersubjetivo e social da experiência vivida. Tanto a dramaturgia, quanto a encenação proposta pelo diretor trabalham de maneiras extremamente óticas, sem muitas intervenções da técnica cinematográfica, o que permitem ao espectador ver além da redundância cotidiana das imagens em cena, ao mesmo tempo em que privilegia os pequenos gestos e expressões dos corpos em cena. O que enxergamos de forma sensitiva é a experiência vivida, corporalmente, do tempo e do espaço familiar que dribla as imposições miméticas e representativas.
    Em Ela volta na quinta importa menos o caráter realista ou autêntico das imagem, e mais sua capacidade reflexiva acerca do real em sua dimensão material, social e performativa. Nesse sentido, ganha importância a escolha do realizador de filmar a si mesmo e a sua própria família como personagens de uma história fictícia, inventada, mas que vai se sustentar dramaturgicamente através de vestígios do real, evidências do vivido. O que pretende-se demonstrar a partir dessa análise é de que maneiras o desinvestimento na dicotomia real/ficção a partir da encenação em Ela volta na quinta tensiona certa reinvindicação contemporânea de realidade a partir de um regime do visível, ao mesmo tempo em que colabora para o redimensionamento do corpo em cena como principal vetor de intensidade e presença, dando forma à uma complexa relação de intimidade entre câmera e personagem e entre espectador e filme analisada aqui pela lente metodológica dos estudos da performance.

Bibliografia

    DEL RIO, Elena. Powers of Affection: Deleuze and the Cinemas of Performance. Edinburgh, Edinburgh University Press, 1998.
    GUMBRECHT, Hans Ulrich. Produção de Presença: o que o sentido não consegue transmitir. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUC-Rio, 2010.
    LEHMANN, Hans-Thies. “Performance” e “Corpo”. In: Teatro Pós-Dramático. São Paulo: Cosac Naify, 2007
    MASSUMI, Brian. Parables for the Virtual: Movement, Affect, Sensation. Durham: Duke University Press, 2002.
    SCHECHNER, Richard. 2006. “O que é performance?”, em Performance studies: an introduccion, second edition. New York & London: Routledge, p. 28-51.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM