Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Marcio Aurelio Recchia (FFLCH – USP)

Minicurrículo

    Mestrando em Letras na área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, Departamento de Línguas Clássicas e Vernáculas (DLCV) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) pela Universidade de São Paulo (USP); Lato Sensu em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (2013); Bacharel em Letras Português/Inglês pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – USP (2006); Licenciado em Letras Português/Inglês pela Faculdade de Educação – USP (2006).

Ficha do Trabalho

Título

    A desconstrução do oásis de paz português na perspectiva do forasteiro

Seminário

    Cinemas em português: aproximações – relações

Resumo

    Pretendo apresentar algumas reflexões levantadas em minha pesquisa de mestrado a partir dos seguintes objetos de estudo: o filme Fantasia Lusitana (2010), de João Canijo, e o romance O ano da morte de Ricardo Reis (1984), de José Saramago. Tanto o filme quanto o romance desconstroem a imagem de um Portugal perfeito e harmônico divulgado pela propaganda salazarista através da percepção externa, seja do lusitano ausente por 16 anos, seja do estrangeiro que usa Lisboa como rota de fuga do nazismo.

Resumo expandido

    A primeira metade do século XX testemunhou duas das maiores guerras jamais vistas, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). É no período de entreguerras que algumas nações europeias se tornam ditaduras de extrema direita de cunho fascista, destacando Alemanha, Itália, Portugal e Espanha. É justamente a ascensão de líderes totalitários como Adolf Hitler e Benito Mussolini que ajudará a desencadear a segunda grande guerra.
    Em abril de 1945, as mortes de Mussolini e Hitler encerram os regimes totalitários na Itália e na Alemanha, porém, na Península Ibérica, governos análogos liderados pelos ditadores Francisco Franco e António Salazar perdurarão nas décadas sucessivas. O caso investigado em minha pesquisa é o da ditadura portuguesa.
    Uma vez definida esta premissa, pretendo traçar paralelos e contrastes entre cinema e literatura. Para tanto, tenho como objetos de estudo o filme Fantasia Lusitana (2010) do diretor João Canijo e o romance O ano da morte de Ricardo Reis (1984) do escritor José Saramago.
    Ambas as obras revisitam Portugal sob o jugo da ditadura salazarista (1932-1968) durante o Estado Novo português (1926-1974), que terminará apenas com a Revolução dos Cravos, computando um período de 48 anos, a mais longeva ditadura totalitária europeia no século XX.
    Por se tratar de um período muito extenso, estabeleci um recorte temporal proporcionado pelo romance e pelo filme, isto é, o decênio 1935-1945, iniciando com o retorno da personagem saramaguiana Ricardo Reis a Portugal em dezembro de 1935 e finalizando com o término da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1945, um dos eventos explorados por Canijo em seu filme.
    É pertinente lembrar que após a queda do regime ditatorial, tanto a literatura quanto o cinema passaram a revisitar esse longo período de silêncio imposto pela censura. Levando-se em conta as duas produções já mencionadas, o romance O ano da morte de Ricardo Reis tem seu enredo desenvolvido entre dezembro de 1935 e agosto de 1936, momento em que os movimentos nacionalistas e fascistas crescem na Alemanha, Itália e Portugal, e que a guerra civil espanhola está para eclodir. É um cenário turbulento em toda Europa, onde a tensão e a incerteza pairam no ar.
    Portugal, diante do discurso paternalista de Salazar, procura controlar as informações veiculadas pelos meios de comunicação, utilizando-se para isso do jornal, do rádio e do cinema panfletários. A personagem Ricardo Reis, que procura compreender seu país através dos jornais, foi criada a partir do heterônimo de Fernando Pessoa, cuja morte em novembro de 1935 serve de mote para que a mesma retorne a Portugal depois de uma ausência de dezesseis anos.
    É precisamente este hiato de mais de três lustros que faz com que Ricardo Reis, ao retornar ao seu país natal, o olhe com distanciamento, fato que, com efeito, o aproxima do olhar do estrangeiro.
    Já o filme Fantasia Lusitana exibe cenas oriundas de arquivos oficiais usadas para fortalecer o regime, bem como fotografias de época e discursos de Salazar. Entretanto, embora em sua origem este material tivesse a intenção de exibir Portugal como um verdadeiro “oásis de paz”, Canijo adota uma estratégia de desconstrução dessa aparência ao sobrepor a essas imagens alguns registros de depoimentos de estrangeiros que passaram por Lisboa, desfazendo a imagem paradisíaca.
    Esta técnica acaba por mostrar que Portugal é um país pobre e vulnerável, isto é, bem distinto do apregoado pelo regime, pois estes estrangeiros não estavam influenciados pelo poder do discurso salazarista, dado que se encontravam em Lisboa temporariamente, aguardando o embarque rumo à América, fugitivos da violência da guerra.
    Dentre os vários estrangeiros, Fantasia Lusitana recupera os relatos da dramaturga alemã Erika Mann, filha do escritor Thomas Mann; do escritor judeu-alemão Alfred Döblin e do escritor e piloto francês Antoine de Saint-Exupéry, cujas narrativas divergem bastante da imagem veiculada por Salazar.

Bibliografia

    CARNEIRO, M. L. T.; CROCI, F. Tempos de Fascismos – Ideologia – Intolerância – Imaginário. São Paulo: Edusp, 2010.
    CUNHA, Paulo. Guerra colonial e colonialismo no cinema português. ESTUDOS DO SÉCULO XX. Colonialismo, anticolonialismo e identidades nacionais. (3, 2003), coordenação Luís Reis Torgal e Luís Oliveira Andrade, p. 187-208.
    FERRO, M. Cinema e História. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
    GAUTHIER, Guy. O documentário: Um outro cinema. Campinas: Papirus, 2011.
    LEMIÈRE, Jacques. O cinema e a questão de Portugal após o 25 de Abril de 1974. In: MENDES, João Maria (coord.). Novas & Velhas Tendências no Cinema Português Contemporâneo. Lisboa: Gradiva, 2013. p.38-63.
    SARAMAGO, J. O ano da morte de Ricardo Reis. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.
    TORGAL, L. R. O Cinema sob o olhar de Salazar. Lisboa: Temas e Debates, 2011.
    VANOYE F. e GOLIOT-LÉTÉ A. Ensaio sobre a análise fílmica. Campinas: Papirus, 2014.
    Filme:
    CANIJO, J. Fantasia Lusitana, Midas Filmes, Lisboa, 2010.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM