Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Gabriela Semensato Ferreira (UFRGS)

Minicurrículo

    Mestra e Doutoranda em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na linha de pesquisa Teoria, Crítica e Comparatismo, vinculada aos Estudos Literários. Desenvolve pesquisa sobre obras híbridas contemporâneas, que apresentam traços autobiográficas e autoficcionais, além de explorar as diferentes linguagens artísticas, como a literária e a cinematográfica.

Ficha do Trabalho

Título

    Tensões/torções entre corpo, palavra e imagem em obras contemporâneas

Seminário

    Cinema e literatura, palavra e imagem

Resumo

    Neste trabalho discute-se a tensão e a torção geradas por possíveis relações entre corpo, palavra e imagem em duas obras: Jogo Duplo, (2007), de Sophie Calle, e Elena (2012), filme dirigido por Petra Costa. Investigam-se as duplicidades, ou multiplicidades, propostas nesses textos, a partir do uso de nomes próprios, da presença/ausência de personagens, e dos traços autobiográficos, mas potencialmente autoficcionais, que esses jogos artísticos engendram.

Resumo expandido

    Há obras que parecem clamar pela atenção de um espectador ou leitor atento, numa espécie de sedução por meio do olhar. Trata-se, nesses casos, de um desejar ver e ser visto, de uma leitura que é ao mesmo tempo investigação, ou voyeurismo. Provoca-se essa atenção tanto pelo que se dá a ver, como pelas lacunas deixadas pelo corpo, seja este o corpo do texto, da palavra, o corpo em performance, ou corpos estranhos, que não parecem pertencer ali, como o que ocupa a posição de autor.
    Em obras como “Elena” (2012), da diretora e roteirista Petra Costa, essa relação entre o que se vê e o que se diz é colocada em tensão. O desejo de descoberta pode ser envolto em certo temor de descobrir, de retirar o véu que protege nossa imaginação do que é a morte. É justamente a morte, porém, que, para Blanchot (1997), dá vida à palavra. No referido filme, Elena, a irmã de Petra, entra e sai de cena, mas, em certo sentido, não se pode dizer que alguma vez esteja realmente presente. Isso porque, talvez, o real, aquele dito “pré-existente”, só entra em jogo, nessa obra, como uma referência. As imagens de Elena são misturadas a sua voz em gravações e filmagens de um tempo passado, mas também se confundem com impressões suas justapostas ao presente da narrativa fílmica. O borrar dos limites de sua presença/ausência, no entanto, só ocorre, potencialmente, com a interação de Petra, que a todo momento conversa com a irmã, mas nunca obtém respostas. Pelo modo como é construído, esse monólogo em off é mais próximo de um discurso poético do que de uma narração. A fala de Petra surge quando sua face está encoberta ou fora de campo. Ela não narra, no sentido de discorrer sobre uma sequência de eventos, mas conversa com a irmã, num diálogo que supõe um lugar de fala que, entretanto, parece vazio. Elena só fala a partir de um passado que se faz de alguma forma presente na obra.
    Assim, pode-se pensar no surgimento de tensões, a partir dessas relações entre palavra, corpo e imagem, entre ausências e presenças, ou (in)visibilidades que são colocadas em jogo nessa obra. Onde, por um lado, parecem haver duplicidades, percebem-se, por outro, triangulações ou mesmo multiplicações. Duplicidade, ambiguidade, fingimento, talvez, em “Elena”, mas também em outras obras, já que a arte pós-modernista (apesar da polêmica nomenclatura), consegue por vezes fazer dialogar o “real” e o ficcional, ou ver a “verdade” de uma invenção, sem perder de vista as potências do falso.
    Essas duplicidades podem começar, ainda, pelos nomes dos personagens, mas também da expectativa de aproximação entre esses nomes e o do autor ou autora, em obras com traços autobiográficos, por exemplo, ou documentários. Esse é o caso de “Jogo Duplo” (2007), de Sophie Calle, em colaboração com Paul Auster, uma publicação que não se pode dizer nem apenas literária, nem apenas visual. Trata-se da criação de uma personagem baseada na artista, e da criação de obras baseadas na personagem. É um ir e vir composto por experimentos com comida, fotografia, strip-tease e até um cemitério. Um ir e vir, ou aqui e lá, parecido com o “fort-da”, ou jogo de carretel observado por Freud (1920).
    Nesse sentido, os jogos duplos de que se fala, nesses casos, não se contentam com a escolha entre isso e aquilo, entre ficção e verdade, ou ficção e realidade, mas operam no entrelugar. Não são opostos. Encontram-se, possivelmente, em uma cadeia, uma sequência que incita o questionamento, mais uma vez, do que constitui uma representação. Sua relação implica tensão, e mesmo torção, como o percurso da linha em torno do carretel. Esses duplos, portanto, são triplos, múltiplos. Da artista Sophie à personagem Maria, à personagem de Jogo Duplo, “incorporada”, ou encarnada, até certo ponto, por Sophie. Onde se veem duas mulheres, revelam-se muitas, como em uma das cenas finais de Elena em que elas flutuam na água como Ofélia, de Shakespeare.

Bibliografia

    AUSTER, Paul. Leviathan. New York: Penguin Books, 1993.
    BLANCHOT, Maurice. A parte do fogo. Tradução de Ana Maria Scherer. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.
    CALLE, Sophie. Double Game. England: Violette Limited, 2007.
    COSTA, Petra. Elena. Direção: Petra Costa. Roteiro: Petra Costa e Carolina Ziskind. Estúdio Busca Vida Filmes. Brasil, 2012. DVD: 80 min.
    DELEUZE, Gilles. A Imagem-Tempo. Cinema 2. São Paulo: Brasiliense, 2005.
    DERRIDA, Jacques. Escritura e Diferença. São Paulo: Perspectiva, 1995.
    FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
    FREUD, Sigmund. Além do princípio de prazer, 1920. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
    MARTELO, Rosa Maria. O cinema da poesia. Lisboa: Documenta, 2012.
    WILLS, David. Prosthesis. California: Stanford University Press, 1995.
    MAST, Gerald. Literature and Film. In: Interrelations of Literature. New York: The Modern Language Association of America, 1982.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM