Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Roberta Veiga (UFMG)

Minicurrículo

    Professora Doutora do Dep. de Comunicação Social da FAFICH-UFMG e do PPGCOM-UFMG. Editora da revista Devires – Cinema e Humanidades. Pesquisadora junto ao grupo Poéticas da Experiência (UFMG) onde desenvolve a pesquisa “A escrita de si pela imagem: cinema, história e espetáculo”. Membro do comitê científico do Forumdoc.bh (Festival do Filme Documentário). Tradutora do livro “Nothing Happens: Chantal Akerman’s Hyperrealist Everyday”, de Ivone Margulies, pela Edusp. Secretária Acadêmica da SOCINE.

Ficha do Trabalho

Título

    A privatização da imagem: do youtube ao cinema, o desvio do politico

Seminário

    O comum e o cinema

Resumo

    A partir da experiência de um filme feito com vídeos do youtube (de uma mesma personagem) que se situam entre o tutorial e o confessional, discutimos a privatização da imagem, que ao oprimir o comum como potência da alteridade, promove o desvio da política. Indaga-se ainda se na passagem dessas imagens de si para o dispositivo cinematográfico, o encontro com um segundo olhar – não de seguidores, mas de espectadores – possibilitaria, pela negatividade, o gesto crítico que reenviará ao político.

Resumo expandido

    Sem querer reivindicar um cinema “puro”, abordaremos nessa apresentação um cinema que, ao se constituir de vídeos feitos para o youtube, produz um imagem privatizada, asséptica e controlada, que ao se fechar à diferença, ao exterior, ao que faz vinculo com o mundo e a história, é o próprio desvio da política.
    Sabemos da força política das redes sociais, locus de constituição do comum enquanto formas de alteridade colocadas em relação. O youtube, especificamente, pode operar na contracorrente da informação oficial ao permitir o compartilhamento de olhares nos contextos de disputa (como os milhares de vídeos da Jornadas de Junho que revelam o acontecimento de dentro). Porém, no youtube, o comum pode também ser relegado ao domínio da identificação, do próprio e do si-mesmo, engrossando o caldo do espetáculo. Trata-se do que chamamos privatização da imagem, recorrente num formato de vídeo no qual o sujeito vira a câmera pra si e performa de modo similar aos apresentadores de tevê, mas acentuando o ambiente caseiro e a vida privada. De vídeos tutoriais, passando pelos canais de humor de youtubers, aos vídeos confessionais, o acento na vida intima cresce exponencialmente.
    Dentro, mas na contramão, da proposta do Seminário “O cinema e o comum”, o filme que pretendemos discutir é justamente aquele que, oferecendo-se como sintoma de uma sociedade tomada pelo capitalismo estético ou cognitivo, não fratura as forças da biopolítica e do espetáculo, mas as referendam. O objetivo é justamente pensar o completo avesso daquilo que torna a experiência cinematográfica uma comunidade estética e, portanto, política (RANCIÈRE). Trata-se de alcançar a comunidade de heterogêneos pelo seu oposto, sua negatividade, afirmando o que ela não é: uma comunidade de homogêneos.

    Intitulado Itube, o filme é uma montagem de vídeos do youtube realizados por Flávia, uma jovem brasileira residente nos EUA, que se torna popular nas redes sociais postando seus vídeos tutorais (de maquiagem, moda, etilo de vida) e confessionais. A proposta é analisar o filme em duas direções: mostrar como o gesto da youtuber/personagem nega o ser-comum operando um desvio do político; e pensar em que medida a passagem para o cinema pode refundar a dimensão política pelo desvio do primeiro olhar vigilante da audiência do youtube.
    No primeiro eixo, pensamos o gesto de virar a câmera para si e o endereçamento ao público do youtube, como forma de negação da saída de si, ou seja, ao se endereçar ao outro, endereça-se a “si-mesmo”. Longe do transbordamento do sujeito como proprietário que caracteriza o comum, a youtuber produz uma imagem lisa, artificial em sua gênese, que se dobra sobre a clausura de seu cotidiano doméstico e de seu circuito ordem-consumo-exposição. Privada das rasuras, hiatos, fraturas, vida e imagem se colam.
    Dado que o Itube não foi lançando no Brasil e que o diretor, mesmo tendo o filme aceito num festival de cinema, não foi encontrado, não há rastros de sua existência. Buscamos resguardar o anonimato que o diretor parece ter escolhido, no entanto, apresentamos trechos do filme (os vídeos que se encontram no youtube), sem deixar de perseguir a segunda direção proposta para análise que concerne ao dispositivo cinematográfico, ao digamos, “efeito cinema” que se institui pra além da montagem: o que acontece na passagem dessas imagens, destinadas ao youtube, para o cinema em temos do engajamento de um segundo olhar? Em que medida essa camada outra de espectatorialidade complexifica a ordem do discurso criando uma possibilidade crítica, de indagação propriamente política? Pretendemos ainda pensar como os vídeos do youtube enquanto constituintes do filme se comportam frente às operações analíticas próprias ao cinema. De que maneira as noções de campo, contra-campo e fora de campo, nos permite pensar o desvio político na estrutura fílmica e um possível reenvio político no dispositivo cinema?

Bibliografia

    AGAMBEN, Giorgio. A comunidade que vem. Lisboa: Presença, 1993.
    BENJAMIN, Walter. Pequena história da fotografia. In: Magia e técnica, arte e política. Obras escolhidas, vol. 1. São Paulo: Brasiliense, 1985.
    BRASIL, André G. Modulação/montagem: ensaio sobre biopolítica e experiência estética. Tese de Doutorado. PPGCOM/UFRJ. Julho, 2008.
    DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Lisboa: Edições Afrodite, 1972.
    ESPOSITO, Roberto. Communitas. Origen y destino de la comunidad. Buenos Aires: Amorrortu, 2012.
    FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. MACHADO, R.(org). Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.
    MONDZAIN. Marie José. Nada tudo qualquer coisa ou a arte das imagens como poder de transformação. In: SILVA, R.; NAZARÉ, L (org). A república por vir. Arte, Política e Pensamento para o século XXI. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2011.
    RANCIÈRE, Jacques. O desentendimento: política e filosofia. SP: Ed.34, 1996.
    __________. As distâncias do cinema. S.P: Contraponto

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM