Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Filipa Raposo do Amaral Ribeiro do Rosário (CEC-FLUL)

Minicurrículo

    Investigadora de Pós-Doutoramento do Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa, onde desenvolve o projeto “Paisagens no Cinema Português dos últimos 50 anos”. Coordena no mesmo Centro um projeto sobre Cinema e Espaço, é Professora Convidada no Instituto Politécnico de Tomar. É doutorada em Estudos Artísticos – Estudos do Cinema e Audiovisual, com a tese “IN A LONELY PLACE – Para uma Leitura do Espaço do Road Movie a partir da Representação da Cidade Norte-americana”.

Ficha do Trabalho

Título

    O social, o histórico e o estético nas paisagens do cinema português

Seminário

    Cinemas em português: aproximações – relações

Resumo

    Nesta comunicação, procurarei apresentar três hipóteses de relação entre personagem e paisagem no cinema português dos últimos 50 anos: a personagem (I) desconhece e descobre a paisagem, (II) habita a paisagem sem lhe pertencer, (III) pertence à paisagem, sem dela conseguir escapar. Serão referidos filmes de Manoel de Oliveira, Paulo Rocha e Pedro Costa, entre outros. Deste modo, compreender-se-á de que forma o social e o histórico são tornados estéticos por via da paisagem no cinema português.

Resumo expandido

    Enquanto construção, o conceito de paisagem pressupõe um sujeito que habita e/ou observa um determinado território geográfico. É ele, ou ela, que, no processo de contemplação, edifica a paisagem a partir daquilo que vê e sempre em função daquilo que reconhece. Isto é, aquele que observa reproduz no espaço observado os seus próprios e apriorísticos esquemas mentais: na exterioridade, ingenuamente admiramos as nossas próprias formas de ver, afirma Anne Cauquelin (2008: 20).
    No cinema, esta projeção inevitável implica, pelo menos, três sujeitos contemplativos: o realizador, a personagem e o espectador, sendo que o olho da câmara poderá partilhar a perspectiva com a personagem, ou não. O espectador, que se encontra do lado de cá do ecrã, apreende sempre esta dinâmica dupla que, por sua vez, irá informar a paisagem que o mesmo espectador edificará.
    Do ponto de vista da narrativa fílmica, a questão da edificação da paisagem a partir do cenário pode ser pensada em termos da autonomia do espaço filmado relativamente à ação. Martin Lefebvre distingue duas formas de atividade por parte do espectador na experiência do visionamento: o modo narrativo e o modo “espetacular”, o primeiro fixa-se na atenção dada à ação do filme, o segundo na contemplação e reação à “visualidade” do filme enquanto espetáculo (2006: 28, 56). Assim, este modo “espetacular” alterna com o modo narrativo no decurso do visionamento e, quando o foco deixa de estar na ação que dinamiza a narrativa, surge então a contemplação. Afirma Lefebre: “a contemplação do espetáculo fílmico depende de um olhar “autonomizador”. É este olhar que possibilita a ideia de paisagem fílmica no cinema de ficção narrativo (e no documentário centrado em eventos)” (29).
    O cinema português está profundamente ligado à sua história social e nacional. Explica Tiago Baptista que apenas muito recentemente deixou o cinema português de assumir como seu desígnio a reflexão sobre a identidade cultural portuguesa, exercício esse que definiu o pensamento cinematográfico nacional até meados dos anos 90 (2010: 5). Desta forma, e generalizando, a paisagem no cinema português tende a (re)produzir um discurso de cariz sociológico e histórico, onde, em todo o caso, as categorias de apreciação estética da paisagem – isto é, o belo, o sublime e o pitoresco (Brooks, 2013: 110) – poderão estar implicados.
    Ainda sobre o cinema português: este, para além de muito pessoal, poético e hermético, é tendencialmente metafórico, por motivos históricos concretos (Costa, 2011: 108). Estes traços distintivos da cinematografia portuguesa testam a arrumação teórica de Lefebvre, no sentido em que, tratando-se de um cinema narrativo, a mesma cinematografia tende a dilatar o tempo, integrar o silêncio, excluir a ação física. Ou seja, mecanismos que potenciam a alteração do olhar do espectador para o modo “espetacular”, estetizante.
    Nesta comunicação, procurarei apresentar três hipóteses de relação entre personagem e paisagem/cenário no panorama do cinema português dos últimos 50 anos: (I) a personagem desconhece e descobre a paisagem, (II) a personagem habita a paisagem sem lhe pertencer, (III) a personagem pertence à paisagem, sem dela conseguir escapar. Serão referidos os seguintes filmes: Acto da Primavera (1963), Vale Abraão (1993), O Estranho Caso de Angélica (2010) de Manoel Oliveira; Verdes Anos (1963) e O Rio do Ouro (1998) de Paulo Rocha; Belarmino (1964) de Fernando Lopes; Veredas (1978) e À Flor do Mar (1986) de João César Monteiro; Trás-os-Montes (1976) de António Reis e Margarida Cordeiro; O Sangue (1989) e Juventude em Marcha (2006) de Pedro Costa; O Fantasma (2000) de João Pedro Rodrigues e Ruínas (2009) de Manuel Mozos. Deste modo, poder-se-á compreender o lugar simbólico da personagem face à paisagem no cinema português e, posteriormente, de que forma o social e o histórico são tornados estéticos por via da paisagem neste contexto fílmico específico.

Bibliografia

    Baptista, T. (2010), ‘Nationally correct: the invention of Portuguese Cinema’, Portuguese Cultural Studies, 3, pp. 3-18.
    Brook, I. (2013), ‘Aesthetic Appreciation of Landscape’, in Howard, P., Thompson, I. and Waterton, E. (eds) The Routledge Companion to Landscape Studies, Londres: Routledge, pp. 108-118.
    Cauquelin, A. (2008), A Invenção da Paisagem, Lisboa: Edições 70.
    Costa, J. M (2011), ‘documentário no pós-abril: os anos 70 na história do cinema português (e seus parêntesis)’, Panorama – 5ª Mostra do Documentário Português, 1 a 10 de Abril, Lisboa: CML/Direcção Municipal de Cultura/Videoteca, APORDOC, pp. 102-111.
    Harper, G. e Rayner, J. (eds). 2010. Cinema and Landscape: Film, Nation and Cultural Geography. Chicago: Intellect, UCPress.
    Lefebvre, M. (ed). (2006). Landscape and Film. Nova Iorque: Routledge.
    Rosário, F. (2014) ‘O lugar da voz na construção do espaço documental português: Morais, Mozos e Tocha’. Cinema: Revista de Filosofia e da Imagem em Movimento – 5, pp 189-205.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM