Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Mariana Aymee Sacchetto (UNICAMP)

Minicurrículo

    Graduada em Marketing e Propaganda na Universidade Norte do Paraná.
    Especialista em Fotografia: Práxis e Discurso Fotográfico pela Universidade Estadual de Londrina.
    Mestranda em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas.
    E-mail: marianasacchetto@hotmail.com

Ficha do Trabalho

Título

    ESTRUTURAS NARRATIVAS NAS ANIMAÇÕES DE SYLVAIN CHOMET

Resumo

    Este trabalho consiste na análise da aplicabilidade da metodologia de Field (1996) na estrutura narrativa das animações As bicicletas de Belleville (2003) e O Mágico (2010) de Sylvain Chomet. Por meio desse estudo, pretende-se refletir sobre as características básicas utilizadas na construção de uma narrativa cinematográfica. A proposta é ressaltar as formas e as possibilidades narrativas próprias do cinema ficcional.

Resumo expandido

    No final do século XIX, os irmãos Lumière não acreditavam que o cinema serviria como entretenimento social. Então, a partir da ideia do cinema contar histórias iniciou-se a criação de uma linguagem própria com o uso de dois pontos fundamentais: a criação de estruturas narrativas e a relação com o espaço.
    O objetivo deste trabalho é estudar a aplicabilidade do método desenvolvido por Field (1996) na estrutura narrativa de Sylvain Chomet nas duas obras, já mencionadas. O método desta pesquisa consistiu em uma análise qualitativa bibliográfica sobre cinema de animação, estrutura narrativa e da metodologia de Field (1996), além das observações sobre os próprios filmes, objetos desta pesquisa.
    Segundo Houaiss, o cinema de animação é o “gênero cinematográfico que consiste na produção de imagens em movimento a partir de desenhos, bonecos ou quaisquer objetos filmados ou desenhados “quadro a quadro”. Nesse conceito incluem-se os desenhos animados, as animações abstratas e os efeitos visuais.
    A estrutura narrativa consiste basicamente em “como” a história será contada. Field (1996, p.33) diz que “de fato, narrativa significa contar uma história, o que supõe um sentido de direção, um movimento, uma linha de ação do início ao fim”.
    Field dispôs que a estrutura narrativa consiste em três atos. Segundo ele: inicia-se o filme no Ato I, no contexto da apresentação, no qual apresentam-se os personagens, as situações que os afetam e o ambiente. O Ato II é aquele “novo rumo” em que o personagem principal confronta alguns obstáculos e conflitos para alcançar o drama. Já o Ato III é o momento da história que logo irá se resolver positiva ou negativamente para o protagonista.
    Em “As bicicletas de Belleville”, a metodologia de Field é perfeitamente aplicável e clara, pois todos os atos são objetivamente perceptíveis. O filme conta a história de Champion, um menino tristonho que mora com a avó na França, que para lhe agradar o presenteia com um cão, no entanto, somente quando ganha uma bicicleta é que a narrativa ganha contornos felizes. Percebendo a aptidão do menino para o ciclismo a avó lhe incentiva à prática do esporte. O tempo passa. Já adulto Champion se inscreve para o Tour de France. Apesar da dedicação e do treino árduo, Champion não termina o percurso, bandidos o sequestram e o levam para uma metrópole do outro lado do oceano. A avó e o cão Bruno partem em jornada para resgataá-lo e esta viagem os leva a Belleville, um lugar caótico, povoado por pessoas frias e de comportamentos duvidosos.
    No caso de “O Mágico”, o método de Field não é evidente, Chomet baseia-se no roteiro original do diretor Jacques Tati. O protagonista é o próprio Tati/Hulot. Apesar de no filme o personagem do mágico permanecer sem nome, a citação torna-se explícita no momento em que a cópia animada e o original projetado encontram-se frente a frente. Isso acontece quando – metalinguagem -, o mágico vê-se diante da projeção na tela de cinema. Neste filme, os diálogos funcionam mais como música do que texto; os personagens de gestos grandiosos tendendo ao exagero estão presentes, além de certa crítica à modernidade.
    Por fim, o cineasta Sylvain Chomet em As Bicicletas de Belleville expõe o sarcasmo, a fartura, o consumo, as pessoas obesas e os gangsters inescrupulosos, além da evidência objetiva do método narrativo de Field. No entanto, em O Mágico, mesmo mantendo os excessos do primeiro filme, mas agora com o desencanto, o embate entre o antiquado e o atual, a tristeza, a pobreza e a obsolescência, Chomet utiliza-se do método de Field, mas forja no observador a dúvida, através da metalinguagem e do uso de um roteiro que não o seu. Mas sim, e tão somente, seu guia.

Bibliografia

    BONA, Jose Rafael; IMME, Thiago André. Narrativa de cinema: uma análise dos conflitos que sustentam a história do filme Taxi Driver. Ano X, n. 08 – Agosto/2014 – NAMID/UFPB – http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/tematica
    Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro Instituto Antônio Houaiss. Ed. Objetiva , 2001.
    FIELD, Syd. Os exercícios do roteirista. 2. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996
    LIMA, Marília Xavier de. Sujeito-da-câmera X Narrador onisciente: Análise da narrativa no filme Cachê. Trabalho apresentado ao Intercom Junior, na Divisão Temática de Comunicação Audiovisual, do XIV Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste. 2009.
    LUCENA JÚNIOR, Alberto. Arte da animação: Técnica e estética através da história. São Paulo: Senac, 2005.
    MARTIN, Marcel. A linguagem cinematográfica. Trad. de Paulo Neves. São Paulo: Brasiliense, 149 2003.
    XAVIER, Ismail. O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência. 3. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2005.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM