Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Simplicio Neto Ramos de Sousa (ESPM)

Minicurrículo

    Diretor e Roteirista de documentários como “Onde a Coruja Dorme” e “Carioca era um Rio”. Bacharel em Ciências Sociais pela UFRJ, Mestre e Doutor em Comunicação pelo PPGCOM-UFF. Pesquisa o realismo no cinema brasileiro. Foi Professor Substituto no Dep. de Cinema e Video da UFF, de 2008 a 2010. Hoje é Professor Assistente I do Curso de Cinema e Audiovisual da ESPM-Rio. Curador e Editor de Catálogo de Mostras nos CCBBS, como “Cineastas e Imagens do Povo” e “Os múltiplos lugares de Roberto Farias”

Ficha do Trabalho

Título

    As “Proezas de Satanás” e os “efeitos de magia” no cinema brasileiro

Resumo

    Na representação do fantástico no nosso cinema destaca-se “Proezas de Satanás na Vila do Leva-e-Traz” (1968) de Paulo Gil Soares, sobre a chegada do Demônio ao Sertão. Filmagem em locação, luz natural, e procedimentos “realistas”, se unem a jump-cuts “anti-ilusionistas”, explorando, contraditoriamente, mundos imaginários. Levantamos a questão de como “faux raccords” podem ser usados mais como os “special effects” do cinema de gênero, “efeitos de magia” e imersão, a partir de uma análise fílmica

Resumo expandido

    Jean-Claude Bernardet (2011, p. 151), crítico atuante no auge do Cinema Novo, nos resume, já num artigo de 1968 que, “desde 65”, passa-se “da análise em base naturalista para um uso didático e deliberado da alegoria e da metáfora” nos filmes do movimento, alguns incorporando elementos ditos fantásticos na descrição da realidade brasileira. Nos termos colocados a época por Glauber Rocha, tal afastamento do naturalismo, se dava, não só, pelas necessidades de expressão codificada, dada a Censura do Regime Militar, mas pela superação conceitual da estética da fome, que marcou o início do Cinema Novo, de teor neo-realista. Agora se impunha uma estética do sonho, que incorporaria também as tradições surrealistas, irracionalistas, ou fantasiosas, de representação. Era uma abertura tanto para influências internas recalcadas, as do pensamento mágico tradicional das culturas afro-ameríndias do Brasil, como para influências externas, das vanguardas, das críticas que o dramaturgo Bertolt Brecht – com seu “Teatro Épico”, baseado num “efeito de distanciamento” -, havia feito ao realismo. Críticas presentes também no cinema europeu, em Jean Luc Godard, etc (STAM, 1981). Nessa busca do fantástico em numa realidade brasileira, versão cinematográfica do realismo mágico que também ganhava espaço na literatura latino-americana, destaca-se “Proezas de Satanás na Vila do Leva-e-Traz” de Paulo Gil Soares, um filme lançado no mesmo 1967 de Terra em Transe. Nele Paulo Gil trabalhara como assistente de direção de Glauber, seu ex-colega na Escola de Teatro da UFBA, dirigida por Martim Gonçalves, um divulgador de Bertolt Brecht, no Brasil (MEDEIROS, 1987). Glauber assumia a ajuda de Paulo Gil na estética do sonho em Terra em Transe, nos procedimentos que permitiram “criar um novo país, Eldorado, estilizando cenários existentes do Rio.” (ROCHA, 1967). No filme de Paulo Gil que analisaremos, prêmio principal no Festival de Brasília de 1968, o próprio Demônio, chega ao Sertão. Contudo, na busca pela representação de realidades fantásticas de Paulo Gil, não se parte para os expedientes típicos dos expressionistas alemães, como a artificialidade de cenários absurdos. Aqui se parte na direção inversa do expressionismo, que, segundo André Bazin (1991), tinha mais fé na imagem, e construía cenários falsificantes, sem conexão com o real. O baiano continua afirmando sua fé no real no sentido bazaniano, buscando a filmagem em locação e o respeito ao registro de um contínuo do espaço-tempo, através do plano-sequência,. Neste estilo de Paulo Gil, num cenário não artificial, explora-se sua potencialidade de sugerir mundos imaginários, nessa aparente contradição incorporando elementos incômodos a Bazin, os elementos de fantasia, e o dialogo com os gêneros “irrealistas”, do terror e do mistério, e seus efeitos de magia (STAM, 2008). O filme é repleto de cortes abruptos na montagem, incorporando os jump-cuts e faux raccords disseminados pelos filmes de Godard e Alain Resnais, a princípio como forma de distanciamento brechtiano adaptadas ao Cinema. Procedimentos que nós então nos propomos estudar, num trabalho de análise fílmica, levantando a questão de como, em boa parte do filme, esses “jump-cuts” e “faux raccords” na verdade são usados como “special effects” no sentido hollywoodiano, efeitos de ficcionalização, usados para denotar as transformações e magias diabólicas, seus atos de transfiguração do real. Efeitos que são imersivos, pois os percebemos como geradores de “unheimlich”. Tal conceito freudiano dá conta do efeito psicológico de estranheza causado ao leitor pela literatura fantástica, e pelo romance gótico do século XIX, o conto de terror romântico a la E.T.A. Hoffman (TODOROV, 2000; CESAROTTO, 1996). O desnorteamento do “unheimlich”, atrai os fãs dos gêneros fantásticos, fascinados pelo desconhecido. Como esse questão se resolve nas técnicas de mise-en-scéne de Paulo Gil, e quais as possibilidades que elas apontam para um cinema brasileiro fantástico?

Bibliografia

    BAZIN, André. O Cinema: Ensaios. São Paulo: Brasiliense, 1991.
    BERNARDET, Jean-Claude. Trajetória Crítica. São Paulo: Martins Fontes, 2011.
    CESAROTTO, Oscar. O que era sinistro para Freud. In: CESAROTTO, Oscar. No olho do outro.“O homem da areia”, segundo Hoffmann, Freud e Gaiman. São Paulo: Iluminuras, 1996.
    MEDEIROS, Rogério Bitarelli. O estilo épico de Brecht no Cinema de Glauber Rocha. In: BADER, Wolfgang. Brecht no Brasil: Experiências e Influências. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
    ROCHA, Glauber. Entrevista de Glauber Rocha sobre o lançamento de Terra em Transe. Revista Artes, ago.-set. 1967.
    STAM, Robert. O espetáculo interrompido: literatura e cinema de desmistificação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.
    ______. A literatura através do cinema: Realismo, magia e a arte da adaptação. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2008.
    TODOROV, Tzvetan. Introdução a Literatura Fantástica. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2000.
    XAVIER, Ismail. O Cinema Brasileiro Moderno. São Paulo: Paz e Terra, 2001.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM