Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Ana Carolina Roure Malta de Sá (UnB)

Minicurrículo

    Possui graduação em Letras (português/inglês), pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2007), especialização em Filosofia da Arte, pelo Instituto de Filosofia e Teologia do Estado de Goiás (2008) e Mestrado em Comunicação Social, na linha Imagem e Som, na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (2014). Doutoranda na Pós-Graduação em Comunicação Social, na linha Imagem e Som. Atualmente leciona a disciplina História da Arte e do Cinema, na Faculdade Mauá de Brasília.

Coautor

    Susana Dobal (UnB)

Ficha do Trabalho

Título

    Direção de fotografia: Impressionismo e Barroco em Lavoura Arcaica

Resumo

    O filme Lavoura Arcaica (2001), de Luís Fernando Carvalho, baseou-se no romance homônimo de Raduan Nassar. A direção de fotografia de Walter Carvalho desenvolve uma estética relacionada a dois momentos da história da arte e do cinema: o Impressionismo e o Barroco. O artigo investiga, a partir da fotografia, como se configuram as relações entre a obra cinematográfica e o uso da luz nesses dois momentos, e de que modo esse diálogo atua na construção da narrativa.

Resumo expandido

    Lavoura Arcaica (2001), de Luís Fernando Carvalho, uma narrativa baseada no romance homônimo de Raduan Nassar, é considerado um filme marcante para o cinema brasileiro, pela afinidade da sua linguagem com o processo artístico da expressão. A direção de fotografia de Walter Carvalho, que combina com as experimentações de linguagem empreendidas pelo diretor do filme, desenvolve uma estética relacionada a dois momentos da história da arte e do cinema: o Impressionismo e o Barroco. O trabalho investiga, a partir da fotografia, como se configuram as relações entre o filme e o uso da luz nesses dois momentos, e de que modo esse diálogo atua na construção da narrativa.
    Lavoura arcaica narra a história de André, que resolve ir embora de casa, a fim de se libertar da autoridade do pai e esquecer a paixão por sua irmã Ana que tanto o angustia. O filme traz uma direção de fotografia que busca na linguagem literária um fio condutor para desenvolver a linguagem visual. O fotógrafo afirma, por exemplo, que, para criar a iluminação, partiu da seguinte frase do livro: “era boa a luz doméstica da nossa infância” (NASSAR, 2014).
    Ele traduziu então para a fotografia uma luz clara, diurna, que acompanha o André menino, estabelecendo um diálogo com o Impressionismo ao enfatizar os efeitos da luz sobre a paisagem (SCHAPIRO, 2002). É uma luz intensa, um excesso de claridade que se relaciona também ao excesso de afeto da mãe. Essa luz impressionista se contrapõe à luz tenebrista do pai autoritário, emocionalmente distante, portador da verdade absoluta, que fala os sermões na fazenda iluminada apenas por uma luz de lampião.
    O tratamento de luz e sombra ou o uso excessivo da luminosidade na fotografia metaforiza duas divisões fundamentais para a narrativa: o conflito entre a postura distanciada do pai e o afeto transbordante da mãe e, ainda, a luz da infância de André em oposição à luz noturna (CORRAIN, 2004) e sombria de sua vida adulta. Os contrastes claro-escuro também presentificam sentimentos de angústia e pessimismo, criando uma atmosfera sombria e tensa, além de evidenciar a interioridade sombria de André.
    A iluminação contrastada em Lavoura Arcaica dialoga com o Tenebrismo de Caravaggio, que consiste “no uso da luz em termos emocionais” (TREVISAN, 2003: 240). Essa técnica de iluminação “[…] dotou a Arte Barroca de seu recurso estilístico por excelência: o contraste. Efetivamente, o eros barroco é um eros de antítese, de oposições estridentes, de sentimentos conflituosos. É uma arte de movimentos que se contrariam” (TREVISAN, 2003: 241). A adaptação cinematográfica traz uma narrativa com fortes contrastes humanos e a fotografia marcada pelo uso exacerbado de uma iluminação claro-escuro metaforiza essas oposições.
    As formalizações estéticas tornam visíveis os aspectos invisíveis relativos ao conteúdo. Segundo Klee (2001:23), “as obras de arte não só reproduzem com vivacidade o que é visto, mas também tornam visível o que é vislumbrado em segredo”. No filme, forma e conteúdo são inseparáveis, elas se completam e se produzem ao mesmo tempo. O tratamento dado à imagem termina servindo para desvendar o que é apenas insinuado pela narrativa, ou seja, para intensificar a experiência dos personagens que a narrativa pretende explorar. A fotografia revela-se, portanto, como elemento-chave e não simplesmente como mera técnica de captação de imagens, configurando-se como agente que contribui para a construção do sentido do filme.
    Para pensar a direção de fotografia em Lavoura Arcaica retoma-se Klee (2001:43): “A arte não reproduz o visível, mas torna visível”. Assim, o diretor não reproduz as obras do Barroco ou do Impressionismo, mas torna visível aspectos desses movimentos que, combinados com a linguagem cinematográfica, resultam em formalizações estéticas que materializam o infigurável (CORRAIN, 2004). A “lavoura cinematográfica” é ela mesma arcaica, pois dialoga também com o tempo da história da arte, podendo ela emergir a qualquer momento do filme.

Bibliografia

    CARVALHO, Walter. Fotografias de um filme. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.

    CORRAIN, Lúcia. A espacialidade no quadro à luz noturna e a construção da intimidade. In: OLIVEIRA, Ana Cláudia de (Org.). Semiótica plástica. São Paulo: Hacker, 2004.

    Étude Cinématographique – Baroque et Cinéma. N. 1-2. Printemps, 1960.

    KLEE, Paul. Sobre a arte moderna e outros ensaios. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

    MARTINS, Fernanda A. C. . Impressionismo Francês. In: MASCARELLO, Fernando (Org.). História do Cinema Mundial. Campinas: Papirus, 2006.

    NASSAR, Raduan. Lavoura Arcaica. 3. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

    NEYRAT, Cyrill. “Errance dans les ruines circulaires.” Vertigo (Special Issue: Projection Baroques): 39-50. Paris: Jean-Michel Place et Sueurs froides-Vertigo; Marseille: Musées de Marseille, 2000.

    SCHAPIRO, Mayer. Impressionismo. São Paulo: Cosac & Naify, 2002.

    TREVISAN, Armindo. O rosto de Cristo: a formação do imaginário e da arte cristã. Porto Alegre: AGE, 2003.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM