Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Luiza Cristina Lusvarghi (USP)

Minicurrículo

    Luiza Lusvarghi é formada em Letras pela FASB (1977), em Comunicação Social (Jornalismo) pela PUC São Paulo (1986), com mestrado (2002) e Doutorado (2007) em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, e Pós-Doutorado pela UFPE (2009). É autora de “De MTV a Emetevê” (2007), “Cinema Nacional e World Cinema” (2010) e “Fora do Eixo: Indústria da Música e Mercado Audiovisual no Nordeste” (2010). Acaba de concluir pesquisa sobre a ficção policial na TV da América Latina na ECA USP pelo PNPD Capes,

Ficha do Trabalho

Título

    Narrativas Criminais e Convergência na TV da América Latina

Resumo

    O objetivo desta comunicação é analisar as recentes tendências da produção audiovisual ficcional televisiva em um contexto de convergência que assinala o surgimento de novas formas de circulação e distribuição dessas obras na América Latina. A emergência de plataformas como Netflix contribui para o acirramento do processo de transmidiação gerando obras interculturais e transnacionais que visam conquistar o mercado regional e mundial.

Resumo expandido

    A ascensão da plataforma Netflix como distribuidora e produtora de conteúdos na região vem impulsionando a consolidação de um novo modelo de negócios multiplataforma que privilegia projetos transmídia, interculturais e transnacionais. O movimento afeta tanto as emissoras tradicionais, que buscam eliminar essa defasagem, quanto as instituições públicas, que vêm lançando serviços similares, disponibilizando gratuitamente suas produções em ambientes virtuais, caso da CDA – Contenidos Digitales Abierto – da Argentina. Em minha pesquisa Transmidiação, Transnacionalismo e Interculturalismo. A Lei, o Crime e a Nova Ordem na Ficção Seriada da América Latina, busquei analisar o processo de transmidiação em seus aspectos transnacional e intercultural por meio da identificação e classificação dos modos de endereçamento das séries televisivas criminais, policiais e de ação. O recorte foi motivado pelo surgimento, tanto no cinema quanto na televisão, de fórmulas hollywoodianas consagradas de narrativa, caso de thrillers de suspense e psicológicos, criminais e de ação – que se distanciavam do cinema de crítica social em geral associado às produções do “terceiro mundo”, mas também das telenovelas. Essas produções, além de evidenciarem o crescimento de ficções de gênero, buscam uma inserção no mercado internacional e na própria região latino-americana, e por este motivo incorporam padrões estéticos e narrativos consagrados e tradicionais. Foram identificados 313 produtos ficcionais de 11 países – Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, Estados Unidos, México, Peru, Venezuela e Uruguai – com distintos formatos: minisséries, docudramas, séries e telefilmes. Muitos projetos incluíam filme e série, e alguns telefilmes foram utilizados como estratégia de divulgação das séries, ou vice-versa, gerando processos de transmidiação. Séries como a brasileira Na mira do Crime (FX, 2015), telefilme e série, a argentina Signos (Telefe, 2015), a mexicana Deus Inc (HBO, 2016) e a estadunidense La Reina del Sur (Telemundo, 2011) representam distintas facetas deste momento.
    Para as majors, caso da HBO e do grupo Time Warner, essa regionalização da produção corresponde a novas estratégias de mercado, dentro do contexto de expansão das transmissões a cabo, para competir com os produtos locais e para poder beneficiar-se de leis de fomento direto e indireto. No caso do Brasil, o fenômeno é estimulado ainda pela cota da TV Paga, devido à aprovação da Lei 12.485/2011, que passou a permitir a exploração de serviços de televisão paga pelas concessionárias de telefonia e a exigir cotas de até 3h30 de produção nacional nos canais de televisão pagos provisionados no FSA (Fundo Setorial do Audiovisual). Além disso, cresceram os serviços por assinatura na web, como o Netflix, que não apenas distribui conteúdos audiovisuais, mas também investe na produção. A primeira série criminal latino-americana foi Narcos (2015-2016), sobre Pablo Escobar, estrelada por Wagner Moura, e dirigida por José Padilha, e foi anunciada a produção da primeira série brasileira, 3%.
    Essa produção abre espaço para o surgimento de uma narrativa de gênero policial que flerta com o noir, com os thrillers de ação e suspense de décadas anteriores, popularizados, sobretudo, pelo cinema e pelos seriados americanos, mas que se depara com a inevitabilidade do crime e da transgressão como única forma de estabelecer a ordem. A cidade das obras latino-americanas não é a do espetáculo, do desenvolvimento e das novas tecnologias, como Nova York, Barcelona, Berlim, mas as cidades “paranoicas” : Buenos Aires, Caracas, Lima, México e Rio de Janeiro, outrora destinos turísticos e de investimento, são agora descritas pela mídia como “paisagens catastróficas, arruinadas por assaltantes, narcotraficantes, catadores de papel e sem-teto” (CANCLINI, 2008, pág. 23).

Bibliografia

    CANNITO, Newton (2010). A televisão na era digital – interatividade, convergência e novos modelos de negócio. São Paulo: Summus
    COSTA, Ana Paula Silva Ladeira (2013) Fluxos Internacionais da Comunicação: A Circulação de Formatos Televisivos Franqueados na América Latina. Tese de doutorado. UFF, Niterói.
    GARCIA CANCLINI, Nestor (2001) CULTURAS HÍBRIDAS : Estrategias para Entrar y Salir de la Modernidad. Buenos Aires, Barcelona, México: Editora Paidós.

    JENKINS, Henry (2009). Cultura da convergência. São Paulo: Aleph.
    MITTELL, Jason (2004), Genre and Television. From Cop Shows to Cartoons in American Culture. New York and London: Routledge.
    NAREMORE, James (2008). More than Night. Film Noir in Its Contexts, Updated and Expanded Edition Berkeley: University of California Press.
    NEALE, Steve (ed. 2000). Genre and Hollywood. New York: Routledge, 2000.
    SARLO, Beatriz (2014). Escenas de la vida posmoderna. Intelectuales, arte y videocultura en la Argentina. Buenos Aires: Siglo Veinteuno

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM