Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    César Geraldo Guimarães (UFMG)

Minicurrículo

    Doutor em Estudos Literários (Literatura Comparada) pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), com pós-doutorado pela Universidade Paris 8 (2002). Professor Titular da Universidade Federal de Minas Gerais, integrante do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da FAFICH-UFMG, pesquisador do CNPq e editor da revista Devires: Cinema e Humanidades.

Ficha do Trabalho

Título

    Entre dois, entre muitos: as cenas do comum em Avi Mograbi

Seminário

    O comum e o cinema

Resumo

    Esta apresentação caracteriza três figuras fílmicas na obra de Avi Mograbi – a indistinção, a agonística e a conversação – que demonstram como o cinema pode se empenhar na criação do comum, sabendo-o marcado pela pluralidade das existências – paradoxalmente – desprovidas de medida comum. Nesta intervenção vamos nos deter na figura da conversação, tal como configurada pela escritura de Uma vez entrei num jardim (2012).

Resumo expandido

    Se o “com” da comunidade só pode subsistir como um ser-juntos sem conjunto, como escreve Jean- Luc Nancy em La communauté afrontée, de que maneira o cinema poderia sustentar essa tarefa? O que é, afinal, fazer uma imagem com os outros? Como escreveu Jean-Louis Comolli em “Viagem documentária aos redutores de cabeça” o encontro filmado atesta que a performance cênica se deu sob a forma de um sacrifício que se consumou, que levou à consumação de uma “carga de vida”, coisa com a qual o espectador também tem de lidar, pois o real, filmado, é dado a “sentir, pensar, experimentar” (Ver e poder, p.146). Testaremos o alcance heurístico dessa noção ao manter o postulado de que o caráter político da cena fílmica coabitada reside no espaço intervalar que se abre no momento em que o visível é tomado pela co-presença de quem filma e de quem é filmado, de tal modo que a cena é movida e afetada pela exposição mútua dos que dela tomam parte, um diante do outro.
    O filme Uma vez entrei em um jardim (2012), de Avi Mograbi, toma um caminho muito diferente das realizações anteriores do autor. A figura do confronto aberto (apanhado no registro direto, no território físico e simbólico dos embates, como em Vingue tudo mas deixe um dos meus olhos) cedeu lugar à conversação e ao desenho de duas atopias: o sonho – dele e do seu professor de árabe (Ali Al-Azhari), dois sonhos de regresso impossível – e a carta de amor, da judia libanesa que escreve, de Beirute, ao seu amante que emigrara para Israel. Os espaços reais do conflito, presentes nos filmes anteriores, são agora cruzados por dois outros: o jardim amoroso, lugar de encontro dos amantes, tal como na canção interpretada por Asmahan (diva libanesa das comédias musicais dos anos 1940 no Egito) e um outro jardim ¬– hoje interditado aos palestinos – do qual foram expulsos em 1948, na região de Assufryya, terra natal de Ali Al-Azhari. O filme permite que Avi Mograbi, Ali-Al-Azhari, junto com sua filha e seu irmão retornem a este lugar, provisoriamente.
    De início, o filme tinha como motivo a história do bisavó e dos avós de Mograbi, de costumes árabes, que habitaram Beirute até 1947, e depois se mudaram para Tel Aviv. Esse filme se chamaria Regresso a Beirute. Em um sonho com o tio-avô que morara em Damasco, o cineasta conta que, menino, dizia preferir ficar na Síria a ir para a Palestina. Mograbi gostaria de contar esse sonho em árabe à sua namorada libanesa, da qual se vê separado em razão das divisões geopolíticas. Esse impossível regresso à Beirute dos seus avós é compensado – mas apenas em parte – pelas imagens em super-8 filmadas por um amigo libanês, que recebera algumas indicações dos prováveis lugares habitados pelos avós do cineasta nas primeiras décadas do século XX. Atravessadas por uma dupla temporalidade – antiga e atual ¬– essas imagens falam também de um exílio amoroso, aquele das cartas escritas pela judia libanesa (lidas pela atriz e cineasta Hiam Abbass). Desterrada e melancólica, a voz passeia pelo jardim de outrora, que consolava a sua alma aflita (como dizem os versos cantados por Asmahan).
    A cena da conversação entre o cineasta e seu professor de árabe torna-se assim o lugar onde a impossível convivência pacífica entre israelenses e palestinos ganha uma forma móvel, deslocada ao sabor dos sutis deslocamentos que os dois interlocutores sofrem conforme a conversa prossegue (permeada pela ironia e pela aceitação das divergências). À fixidez dos lugares no espaço se opõe o seu transporte para o sonho e para a investigação em torno da memória. A cena da conversação permite a passagem entre os espaços bloqueados pelo conflito e pela segregação (como nas zonas divididas por muros e cercas, vigiadas pelas patrulhas israelenses) e inaugura um imaginário no qual as identidades e os pertencimentos se reconhecem híbridos, recuperada a sua vinculação com outra experiência histórica, a da geração de seus pais e avós, anterior à separação brutal entre árabes e palestinos.

Bibliografia

    NANCY, Jean-Luc. La communauté afrontée. Paris: Galilée, 2001.
    ____. La création du monde ou la mondialization. Paris: Galilée, 2002.
    ____. El sentido del mundo. Buenos Aires: La marca, 2003.
    ____. La communauté désœuvré. Paris: Christian Bourgois, 2004.
    ____. La communauté désavouée. Paris: Galilée, 2014
    RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível. Estética e política. São Paulo: ed. 34, 2005.
    ____. A estética como política. Devires: Cinema e Humanidades, v. 7, n.2, dez. 2010.
    ____. Aisthesis. Scènes du régime esthétique de l’art. Paris: Galilée, 2011.
    SEDLMAYER, Sabrina; GUIMARÃES, César; OTTE, Georg (Org). O comum e a experiência da linguagem. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2007.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM