|
|||||||
|
|||||||
|
Nota da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual em defesa da UERJ
A diretoria da SOCINE expressa sua indignação e extrema preocupação com a situação que o governo do estado Rio de Janeiro vem impondo a uma das mais importantes universidades do país, a UERJ.
Especificamente em nossa área de atuação, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro tem contribuído de forma intensa e significativa desde muito antes de nossa criação, há 20 anos. As pesquisas na área de cinema e audiovisual realizadas nessa universidade são anualmente apresentadas em nossos encontros e representam o que de melhor se faz no país. Em 2016 foram 13 pesquisas diferentes apresentadas em apenas um encontro.
A situação que hoje é imposta a essa universidade, com especulações sobre privatizações, é contrária a tudo que é desejável para o desenvolvimento da pesquisa, da formação e do país como um todo.
Nos solidarizamos e nos colocamos à disposição na luta pelo ensino de qualidade e gratuito travado hoje pelos docentes, pesquisadores, técnicos-administrativos e estudantes da UERJ. Mais do que um ataque à uma universidade de um estado, trata-se de um ataque à democracia no país.
Diretoria da Socine
Cezar Migliorin
Alessandra Brandão
Roberta Veiga
Suzana Reck Miranda
Chamada para os anais de textos completos do XX Encontro SOCINE

Estamos preparando a publicação dos anais do XX Encontro SOCINE, este ano realizado de 18 a 21 de outubro na UTP, em Curitiba. Os resumos de todos os trabalhos aprovados serão incluídos nos anais digitais, publicados em nosso site. Já para publicação dos textos completos, convidamos a todos os participantes do encontro que enviem seus textos, de acordo com as normas de publicação, até as 23h59min do dia 4 de dezembro de 2016, exclusivamente para o e-mail anais@socine.org.br.
Esclarecemos que textos fora das normas não serão publicados e não haverá nova chamada para correção ou adequação e que apenas trabalhos efetivamente apresentados podem ser enviados.
Lembramos que o envio não é obrigatório, mas conta pontos no sistema CAPES, e não impossibilita a publicação do artigo em outros periódicos desde que sejam feitas alterações.
Todos os envios terão confirmação de recebimento. Caso não receba a confirmação, entre em contato com a secretaria através do e-mail socine@socine.org.br. Após o prazo final, não aceitaremos mais pedidos de inclusão de trabalho.
A publicação está prevista para fevereiro de 2017 e contará com número de registro (ISBN).
Socine – em defesa da Cinemateca Brasileira

Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini
Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero
Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer
Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.
A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.
O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.
A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.
Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.
Trabalhos Aprovados 2016
Ficha do Proponente
Proponente
- Gianna Gobbo Larocca (UERJ)
Minicurrículo
- Gianna Larocca é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Design da Escola Superior de Desenho Industrial (UERJ). Possui Graduação em Comunicação Social – Cinema e Vídeo pela UFF. Atua profissionalmente como designer gráfico.
Ficha do Trabalho
Título
- Entre a retórica e a base de dados: o material de arquivo no i-doc
Resumo
- Na delimitação do campo de estudos do documentário interativo, frequentemente a tônica é colocada nas implicações da tecnologia digital para o gênero. Alguns autores, contudo, apontam que é preciso observar a permanência de recorrências estético-discursivas do documentário tradicional para se situar em relação ao i-doc, contemplando o hibridismo do gênero. A partir dessa perspectiva, propomos pensar o tratamento do material de arquivo no i-doc A Short History of Highrise (Katerina Cizek, 2009).
Resumo expandido
- Mudanças tecnológicas podem contribuir para operar reconfigurações estéticas e metodológicas no documentário, redefinindo também o que é aceito institucionalmente como pertencente ao gênero. Um exemplo notório na historiografia do documentário é a relevância conferida à emergência de câmeras leves e aparelhos de gravação de som direto na conformação do cinema observativo e participativo, segundo os modos de representação propostos por Nichols (2014).
Ênfase semelhante na importância da inovação tecnológica para a reconfiguração do gênero também tem sido frequentemente empregada pelos teóricos que se dedicam ao estudo dos documentários interativos (Gaudenzi, 2012 ; Aston, 2012). Documentários interativos (i-docs) são filmes distribuídos em plataformas web que se apropriam da tecnologia digital interativa no campo da exibição, afetando a experiência de fruição do espectador. Essa mudança implica uma modificação na forma de organizar o conteúdo narrativo e de solicitar a participação do expectador.
Conforme Gaudenzi , o documentário interativo adiciona à demanda de interpretação, solicitações de participação física por parte do espectador, tais como clicar, mover, teclar. Além disso, segundo a autora, diferencia-se do documentário linear por agregar qualquer tipo de mídia e de borrar os limites entre as decisões do realizador e do espectador na conformação final do filme. No gênero emerge a potencialidade do papel colaborativo do espectador (muitas vezes chamado de usuário em consonância com a denominação comum na área de tecnologia digital). A participação do espectador-usuário diante da plataforma interativa costuma ser o eixo central dessas teorias que buscam estabelecer as bases de entendimento do i-doc.
A ênfase na base tecnológica pode, contudo, obscurecer as relações que o i-doc guarda com o documentário tradicional linear. Tal abordagem motiva Gaudenzi a propor o i-doc como um novo gênero, à parte na história do documentário. A autora propõe uma taxonomia que ignora os componentes textuais tradicionais do gênero e contempla apenas os modos de interatividade colocados em jogo no i-doc, relevantes na medida em que informam diferentes negociações do espectador na construção do mundo histórico.
Contudo autoras como Nash (2012) e Levin (2015), apontam que embora esse tipo de documentário traga questões inéditas para o gênero, não deixa de recorrer a estruturas textuais e estéticas sistematizadas na teoria dos documentários. Nash aponta que a audiência usa o conhecimento que tem dos documentários lineares para situar-se em relação ao i-doc. Também é relevante pontuar a aceitação da versão interativa no campo institucional do documentário, o que segundo Nichols é um dos parâmetros de definição de pertencimento ao gênero.
Nash propõe pensar o i-doc em uma relação entre texto, espectador e as possibilidades de interação, em uma abordagem híbrida do gênero que permite colocar as propostas interativas e affordances da base digital dentro do regime discursivo específico de um filme – e não apenas de maneira generalizada como os modos de interação proposto por Gaudenzi sugerem. Assim pode-se observar como as oportunidades de interação são configuradas dentro do contexto do i-doc e como o seu enquadramento incentiva a participação do espectador em uma relação dialógica com tradição documental narrativa e o conhecimento prévio do espectador.
A partir dessa abordagem, propomos pensar as continuidades e descontinuidades no tratamento do material de arquivo em documentários interativos, através da análise do i-doc A Short History of Highrise (Katerina Cizek, 2009). Contemplando as tradições do documentário linear no tratamento do material de arquivo e abordando as possibilidades interativas da plataforma digital que lhe permite acesso diferenciado, pretendemos tecer uma reflexão sobre as tensões e intersecções entre a retórica do tradição documental e a base de dados digital.
Bibliografia
- ASTON, J; GAUDENZI, S. “Interactive documentary: setting the field”. In: Studies in Documentary Film, 2012, pp. 125-139.
GAUDENZI, S. Interactive documentary: towards an aesthetic of the multiple. Tese. MA Interactive Media of the London College of Media. University of London, 2009.
LEVIN, T. “Do documentário ao webdoc – questões em jogo num cenário interativo”. In: Doc Online, 2015, pp. 5-32
LIETAERT, M. Webdocs – A survival guide for on-line filmmakers, Bruxelas: Not So Crazy! Productions, 2011
MANOVICH, L. The language of new media. Cambridge: MIT Press, 2001.
NASH, K. “Modes of interactivity: analysing the webdoc”. In: Media, Culture & Societ, 2012. pp. 195-210.
NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. São Paulo: Papirus, 2014
O’FLINN. S. Documentary’s metamorphic form: webdoc, interactive, transmedia, partipatory an beyond. In: Studies in Documentary Film, 2012, pp.141-157.
WISTON, B. Technologies of seeing. Londres: British Film Institute, 1996.
Trabalhos aprovados para o XX Encontro SOCINE – UTP – 2016
O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.
A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.
Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.
- PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
- SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
- TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00
Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.
Membros da SOCINE no Prêmio Compós
Prezados membros da Socine,
Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.
Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.
Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.
Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!
O resultado
Melhor Tese 2016: Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”
Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga
Orientador: André Brasil (UFMG)
Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)
Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno
Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr
Orientador: Ismail Xavier (USP)
Melhor Dissertação 2016:
Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT
Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)
Orientador: Cássio Tomaim (UFSM)
Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina
Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos
Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)
Seminários aprovados para o biênio 2015-2017
São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:
- Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
- Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
- Cinema e educação;
- Cinema e literatura, palavra e imagem;
- Cinema Queer e Feminista;
- Cinemas em português: aproximações – relações;
- Corpo, gesto, performance e mise en scène;
- Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
- Interseções Cinema e Arte;
- O comum e o cinema;
- Teoria dos Cineastas;
- Teoria e Estética do Som no Audiovisual.
A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.
Seminários Temáticos para o biênio 2015-2017
Nota sobre os recentes acontecimentos políticos no país
Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.
Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.
O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.
Afirmamos assim que:
– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.
Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:
– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.
– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.
A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual