Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Nicholas Andueza (PUC-Rio)

Minicurrículo

    Mestre em cinema pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro com a dissertação “Paisagem urbana, terrorismo e emancipação: a máscara e o sorriso na trilogia cinematográfica de Batman”. Bacharel também pela PUC-Rio em Comunicação Social – Cinema.

Ficha do Trabalho

Título

    Batman, terrorismo e tortura: ressonâncias da Guerra ao Terror

Resumo

    A trilogia cinematográfica de Batman (2005, 2008 e 2012), dirigida por Christopher Nolan, traz uma série de ressonâncias visuais com a iconologia da Guerra ao Terror: fotos de Abu Ghraib, figuras sem rosto, especulares, múltiplas. Ecos imagéticos que aprofundam o realismo da trilogia ao mesmo tempo em que contribuem para naturalizar determinados dispositivos de poder – como a tortura. Assim, a coerção dos corpos por Batman se conecta à coerção da imagem: é pela força que o herói se legitima.

Resumo expandido

    A trilogia cinematográfica de Batman (2005, 2008 e 2012), dirigida por Christopher Nolan, traz uma série de questões referentes às disputas pelo espaço urbano no contexto posterior aos atentados terroristas do 11 de setembro. Mas a relação dos filmes com o tema do terrorismo vem não somente por meio da representação (herói como força antiterror da ordem versus vilões como terroristas que promovem o caos): vem também pela forma como essa representação é feita. A trilogia guarda ressonâncias visuais com a iconologia da Guerra ao Terror, e são exatamente esses ecos imagéticos que se pretende aqui investigar. São pontos de convergência que exprimem uma latência muda, denotam uma maior complexidade nesses três filmes e os afazem guardar imagens que “incendeiam” em seu contato com o real (DIDI-HUBERMAN, 2012). A hipótese é a de que tais conexões com ícones da Guerra ao Terror aprofundam a intimidade da trilogia de Nolan com esse contexto e servem não somente para potencializar o realismo almejado nela, como também para, por meio desse realismo, naturalizar e legitimar determinados dispositivos de poder. A produção e proliferação de figuras sem rostos, encapuzadas, mascaradas, anônimas, duplas, especulares, múltiplas é combinada com cenas que banalizam a execução da tortura. O Estado de Exceção, paradoxalmente, é proposto por Batman como solução para a manutenção do Estado de Direito (AGAMBEN, 1998). A disputa pelo espaço se torna indiscernível da disputa pela imagem.

    Ao centro do debate está a relação de uma sequência específica do primeiro filme da trilogia, ‘Batman begins’, com uma fotografia tirada por agentes antiterroristas americanos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque. A cena do longa, lançado em 2005, traz o momento de inauguração do Batsinal (dispositivo que projeta o símbolo de Batman nos céus de Gotham); a foto da prisão veio a público em 2004 e ficou conhecida como “O Homem de Capuz”. Nela, vê-se um prisioneiro encapuzado, vestido com uma túnica preta e em pé sobre uma caixa; a postura daquele corpo, como uma espécie de Homem das Dores, remete a toda uma tradição iconológica da figura de Cristo (MITCHELL, 2011), o que torna a cena particularmente potente ao imaginário ocidental. No caso do longa, um mafioso vestido com trapos pretos é crucificado por Batman em um holofote e acaba por projetar o símbolo do herói nas nuvens, reiterando o tema da figura crística e trazendo ecos da imagem de Abu Ghraib (a postura dos corpos, as vestes etc.). A partir dessa convergência entre a foto e a cena, ressonância eloquente sobre o projeto batmaniano de poder, outras ligações são traçadas para evidenciar uma certa sistematicidade na proliferação de imagens – um efeito tão próprio do contexto iconológico da Guerra ao Terror (Idem).

    A retratação, por exemplo, do cão como besta feroz em ‘The dark knight’, segundo filme da trilogia, faz ressoar outras fotos de Abu Ghraib, em que os agentes antiterroristas justamente aterrorizam prisioneiros com cachorros violentos. Além disso, o uso do capuz preto em reféns é naturalizado em ‘The dark knight rises’ – terceiro filme. E é possível citar, ainda, o “Obama-como-coringa”, motivo visual amplamente replicado por fãs na internet que formula uma crítica extradiegética a Obama a partir da associação de sua figura com a do Coringa. A proliferação desses ícones vem como praga e infesta tessitura imagética da trilogia. Concomitantemente a essa explosão de visibilidades, ao contrário do “indizível” e do “inimaginável” associados às cenas de tortura (Idem), na trilogia de Batman, a tortura promovida pelo herói e pelas forças policiais (ao contrário daquela promovida pelos vilões) opera no campo do absolutamente visível. A total visibilidade parece desativar o absurdo da tortura e torná-la uma praxe “necessária”. Assim, a coerção violenta dos corpos se conecta a uma coerção da imagem e do olhar, por meio da qual a autoridade monopólica de Batman se blinda e se preserva – se legitima.

Bibliografia

    AGAMBEN, Giorgio. Homo Sacer: sovereign power and bare life. Stanford, Calif: Stanford University Press, 1998.

    ___________________. O que é o dispositivo? e outro ensaios. Chapecó, SC: Argos, 2009.

    DIDI-HUBERMAN, Georges. Quando as imagens tocam o real. Pós: Belo Horizonte, v. 2, n. 4, p. 204-219, nov. 2012.

    ___________________________. A sobrevivência dos vagalumes. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011.

    FOUCAULT, Michel. História da loucura. São Paulo: Perspectiva, 2012.

    MITCHELL, W. J. T.. Clonning terror: the war of images, 9/11 to the present. Chicago: The University of Chicago, 2011.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM