Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Fernão Pessoa Ramos (UNICAMP)

Minicurrículo

    Professor Titular do Departamento de Cinema/UNICAMP. Foi presidente da SOCINE entre 1997 e 2001. Atuou como professor convidado (2002 e 2015) na Univ Paris III /Sorbonne Nouvelle. Seu livro mais recente é A Imagem-Câmera/2012. Em 2008 lançou Mas Afinal…o que é mesmo documentário?. Escreveu também Cinema Marginal, a Representação em seu Limite. É autor e organizador de História do Cinema Brasileiro e Teoria Contemporânea do Cinema. É coordenador da coleção ‘Campo Imagético’/Papirus.

Ficha do Trabalho

Título

    ‘O HOMEM DO CADERNINHO’, OU COUTINHO PERSONAGEM DE GLAUBER EM ‘CÂNCER’

Resumo

    O que a sensibilidade de Glauber-profeta, traz para cena de Câncer, nos apresentando o personagem Eduardo Coutinho como ‘homem do caderninho’? É estranho vê-lo aqui na voz passiva, dirigido em procedimento de entrelaçamento na tomada pela personalidade. Escreve o tempo todo, sempre com seu ‘caderninho’ à mão. Coutinho figurado como aquele que pensa e escreve (em oposição ao que age, ou encena) é a extrema ironia de Glauber. Na bifurcação com o pensamento está o dilema da expressão sem mediação.

Resumo expandido

    Talvez a participação em Câncer esteja na origem do trauma coutiniano com a escritura ou, ao menos, marque sua primeira expressão manifesta. Expressão registrada pela cena de Glauber, na qual Eduardo Coutinho repete que possui um caderninho, que escreve neste caderninho e por isso é perseguido. Mas o que tem o tal ‘caderninho’? Ele não entrega para interrogador meio policial, meio marginal (Hugo Carvana). É um caderninho que ‘não tem nomes’. Coutinho se auto-define explicitamente na primeira pessoa, neste misto de delírio profético que Glauber faz dele, transformando-o em personagem de si. A expressão da qual quer fugir resume: ‘sou teórico e tenho um caderninho’, repete seguidamente. Ao caracterizar assim seu colega cineasta, a intuição glauberiana (como é próprio das intuições daqueles que profetizam) acerta na mosca. Tanto na distensão, como na ironia. Pois Coutinho efetivamente passará o resto da vida erguendo, no que mais tarde chamará de ‘dispositivo’, um caminho para a negação da maldição que Glauber pôs em suas mãos: o caderninho.
    ‘Intelectual comunista’ é o estigma do personagem. Além do mais é ‘teórico’ e com um ‘caderninho’. Glauber amarra assim as mãos de Coutinho, reduzindo seu campo expressivo ao extremo. Um diretor que só escreve faz roteiros, coisa que Coutinho tinha excelência na época e Glauber o sabia. É também a atividade que mais tarde o documentarista abominará. Mas a questão toma seu volume em ponto mais abaixo. Parece ser castigo de profeta e é significativo que o faro ciclope de Glauber tenha percebido que, ao fugir do ‘caderninho’, selaria seu destino e desafio futuro. Coutinho é um cineasta que, apesar da mesma geração de Glauber, irá amadurecer tardiamente podendo, a posteriori, estabelecer a ponte entre o momento de Câncer e o cinema brasileiro pós anos 2000. Cinema que elegerá Coutinho como referência no embate com a cena, nas modalidades que delineia em seus documentários e que Câncer, em certa medida, avança.
    Pois o intelectual, sujeito téorico-pensador que Coutinho encarna, representa a vitória do sistema sobre a força vital. Vitória que ele passará a vida tentando apagar. É o motivo (inclusive ético) de abrir a mata cerrada das intermediações para expressão pura da potência do ‘outro’, alteridade que, para si e seu cinema, vem do campo ‘popular’. É clara a sintonia entre o desejo (que diz ser ‘neurótico’) de escapar da escrita e o personagem que vê obrigado a desempenhar. Seria neste momento que nasceria a ‘patologia’ da escritura para Coutinho, momento em que Glauber o traz para a cena de Câncer? Vamos deixar a questão em aberto, pois é composta de indagações as quais não se deve resposta. Mas a caracterização não surge gratuita. Câncer traz densidade de primeira pessoa para frente da cena. E se Coutinho já é figurado como aquele que pensa (por oposição ao que age, ou encena), será pelo fato de que o caminho da oposição se configura como dilema (ou opção). É a crosta do pensamento que vai querer romper na exposição do si próprio e na negação (‘neurótica’) de tudo que assemelhe ao intermediário, às mediações suplementares das quais escritura e caderno são modelos. Para atingir a alteridade na cena (no filme de Glauber, a respiramos sem método) é que erguerá seu dispositivo. No entanto, na própria sistematização deste (pois sem dúvida há um sistema no dispositivo coutiniano), foge da liberação e se afunda no personagem, como quem não consegue erguer a perna do pântano. Motivo de trauma, de patologia, com o qual, ainda se debaterá algum tempo antes de conseguir dar-lhe forma, na expressão estilística madura de sua carreira.

Bibliografia

    Aumont, Jacques. Les Limites de la Fiction. Paris, Bayard, 2014.
    Aumont, Jacques. Le Cinéma et la Mise-en-scène. Paris, Armand Colin, 2006.
    Bezerra, Cláudio. O Personagem no documentário de Eduardo Coutinho. Campinas, Papirus, 2014.
    Derrida, Jacques. Gramatologia. São Paulo, Perspectiva, 1973.
    Lins, Consuelo. O Documentário de Eduardo Coutinho – Televisão, Cinema e Vídeo. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2004.
    Lyotard, Jean-François. Discours, Figure. Paris, Klincksieck, 1971.
    Lyotard, Jean-François. La Condition Post-moderne: un rapport sur le savoir. Paris, Ed. Minuit, 1979.
    Mattos, Carlos Alberto. Eduardo Coutinho – O homem que caiu na real. Portugal, Festival de Cinema Luso Brasileiro de Santa Maria da Feira, 2004.
    Ohata, Milton (org). Eduardo Coutinho. São Paulo, CosacNaify, 2013.
    Ramos, Fernão Pessoa. A Imagem-Câmera. Campinas, Papirus, 2012.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM