Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Felipe Corrêa Bomfim (UNICAMP)

Minicurrículo

    Felipe Corrêa Bomfim é doutorando do Programa de Pós-Graduação em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde realizou sua pesquisa de mestrado. Durante a sua graduação, em Cinema pela Universidade de Bolonha (Itália), realizou um intercâmbio de um ano na Universidade de Colônia na Alemanha e estagiou na Cinemateca de Viena, com o apoio do Projeto Leonardo da Vinci da União Europeia.

Ficha do Trabalho

Título

    A voz das “Mulheres xavantes sem nome”: empoderamento e reivindicação

Resumo

    Estudamos o documentário Pi’onhitsi,Mulheres xavantes sem nome (2009), de Divino Tserewahú e Tiago Campos Tôrres. Os atravessamentos no âmbito geracional e de gênero são problematizados no filme diante da impossibilidade de registro de um ritual. Norteados por expedientes na imagem,nos debruçamos sobre as dinâmicas que constituíram a atualização dos símbolos e códigos do ritual Pi’onhitsi, considerando os embates entre manutenção e empoderamento, figurado nas vozes femininas implícitas no filme.

Resumo expandido

    A filmografia representativa de documentários organizados em torno do Projeto Vídeo nas Aldeias (VNA), encabeçado por Vincent Carelli em 1986, é alvo de discussão nos últimos anos em âmbito acadêmico e em festivais cinematográficos como o Festival do Filme Documentário e Etnográfico Forum Doc.BH. O projeto “Interpovos”, desenvolvido pela cineasta Andrea Tonacci no Centro de Trabalho Indigenista (CTI), ainda no final da década de 1970, é retomado por Carelli no Vídeo nas Aldeias com intenção de estabelecer uma comunicação entre as aldeias por meio de imagens (ARAUJO, 2015: 94).
    Como ponto de partida, voltamos nosso olhar para as figuras femininas nos documentários contemporâneos realizados pelo VNA. Para este estudo, selecionamos o documentário Pi’onhitsi, Mulheres xavantes sem nome (2009), de Divino Tserewahú e Tiago Campos Tôrres, haja vista os atravessamentos no âmbito geracional e de gênero suscitados neste filme. Norteados por expedientes na imagem, como o principio de agência no documentário, salientamos a existência de um contrato entre o realizador e o documentado. As nuances entre o aceite ou recusa sublinham, de modo particular, as correlações de poder social nos registros implícitos em filigrana narrativa. Os intervalos entre as falas, os pequenos silêncios presentes nos depoimentos femininos, além de elementos como a linguagem corporal, a rara presença feminina nos planos e o modo como são figuradas delineia, em Pi’onhitsi, o campo sutil da dimensão sensível, onde repousa os afetos e suas marcas nas imagens.
    A discussão toma corpo nas diversas tentativas, evidenciadas pelo diretor Divino Tserewahú, de registrar o ritual que dá o título do filme. O ritual de nomeação das mulheres xavantes perante a aldeia de Sangradouro e a adoção de uma perspectiva que sublinha os empecilhos encontrados em discutir a temática exposta sob o ponto de vista feminino, identifica a presença de ícones que buscam ser reproduzidos por meio da manutenção do ritual, traduzida pela figura dos anciãos da aldeia de Sangradouro, sendo este ritual já considerado extinto em outras comunidades xavantes.
    A presença de dois polos de embate, caracterizados pelo âmbito geracional e de gênero, são sublinhados pelo ponto de inflexão estratégico que o cineasta se coloca em investigar a causa de um ritual desatualizado no presente. Ao adotar um posicionamento que considera as dinâmicas de repulsa e aceitação do ritual de nomeação das mulheres xavantes perante a aldeia, o filme inaugura, em sua narrativa, o deslocamento de uma identidade como essência para uma identidade pensada em relação, traduzida em um caráter desterritorializado e diaspórico. Neste sentido, acompanhamos o impacto relacional da presença evangélica em Sangradouro, diante das menções dos xavantes ao pastor sobre sua opinião sobre o ritual e como detentor de algumas imagens de arquivo da comunidade.
    Pi’onhitsi apresenta as identidades como múltiplas, instáveis e historicamente situadas. Essa construção aponta na direção das considerações desenvolvidas pelos estudos culturais e, em particular, o multiculturalismo policêntrico, que volta seu olhar para uma tentativa de despojamento de vestígios colonialistas ao investir seus esforços em apoderar-se poderes dos quais eram destituídos, por meio da prática da realização cinematográfica compartilhada, participativa e interativa (STAM, 2003: 311).
    Salientamos o jogo de vozes e discursos operantes, em particular sobre a atualização de símbolos femininos no filme, que apresentam um caráter de resistência e de um posicionamento diante da reprodução de símbolos figurados pelo ritual. O impasse do registro sublinha a presença de uma voz das jovens mulheres que repousa como fenda na narrativa, questionando a autoridade dos anciãos. A passos largos de um enfrentamento, temos a problematização dos códigos até então dominantes, colocados em xeque por vozes femininas implícitas que reivindicam sua visibilidade.

Bibliografia

    ARAUJO, Juliano. Cineastas indígenas, documentário e autoetnografia: um estudo do projeto Vídeo nas Aldeias. Instituto de Artes. Tese (Doutorado) em Multimeios. Campinas: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), 2015.
    BERNARDET, Jean-Claude. Vídeo nas aldeias, o documentário e a alteridade. In: ARAUJO, Ana Carvalho Ziller (Org.) Vídeo nas Aldeias 25 anos: 1986-2011. Olinda: Vídeo nas Aldeias, 2011.
    COMOLLI, Jean-Louis. Ver e poder: a inocência perdida: cinema, televisão, ficção, documentário. Trad. Ruben Caixeta de Queiroz et all. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.
    DERRIDA, Jacques. Gramatologia. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2004.
    HALL, Stuart. A questão multicultural. In: Da diáspora. Identidade e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2009. p. 49-93.
    NICHOLS, Bill. La representación de la realidade. Cuestiones y conceptos sobre el documental. 1. Ed. Barcelona: Paidós, 1997.
    STAM, Robert. Introdução a teoria do cinema. Campinas: Papirus, 2003. Trad. Fernando Mascarello.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM