Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Natasha Hernandez Almeida Zapata (UFF)

Minicurrículo

    Natasha Hernandez Almeida é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense, onde desenvolve pesquisa relacionada à distribuição e à exibição cinematográfica nas cidades de Piracicaba e Campinas. Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES.

Ficha do Trabalho

Título

    A voz do pagão: Ramon Novarro, masculinidade e cinema sonoro

Resumo

    Dentro do contexto do star system hollywoodiano dos anos 1920, como representante do estereótipo do latin lover, surgiu Ramon Novarro, um ator mexicano de grande prestígio durante a fase de transição para o cinema sonoro. No Brasil, sua voz foi a primeira a ser ouvida em salas de cinema de diversas cidades. O objetivo desse artigo, portanto, é estabelecer e entender as relações entre star system, masculinidade e a transição para o cinema sonoro, tendo como fio condutor a trajetória de Novarro.

Resumo expandido

    Na manhã do halloween de 1968, os meios de comunicação americanos anunciavam a morte de Ramon Novarro. O ator mexicano, que já havia sido uma grande estrela de Hollywood, foi encontrado morto em sua casa em Hollywood Hills. Mais tarde, foi descoberto que Novarro havia morrido sufocado pelo próprio sangue, após ter sido severamente espancado. Seus assassinos foram dois irmãos que haviam ido à casa de Ramon como garotos de programa, e o haveriam torturado para que ele os desse dinheiro.
    Na época, a divulgação da homossexualidade do ator surpreendeu a muitos fãs e, até mesmo, a algumas pessoas próximas de quem ele mantinha sua orientação sexual em segredo. O sensacionalismo da mídia sobre o assunto trouxe um certo desconforto, já que questionava a imagem de heterossexual e a masculinidade de Novarro, construídas pelo star system hollywoodiano da década de 1920, com o intuito de atrair as plateias femininas para seus filmes.
    Esse star system foi responsável pela consolidação de diversas estrelas dos grandes estúdios norte-americanos. As imagens e condutas das atrizes e dos atores eram rigidamente controladas, e tudo que saísse dos padrões estabelecidos era considerado escandaloso ou imoral. Dentro desse contexto foi que surgiu o estereótipo do latin lover. Carregado de sensualidade, exotismo, boa aparência, pele ligeiramente morena, e movimentos de dançarino, e detentor de uma sexualidade aflorada, podemos concluir que o latin lover funcionava como uma categoria integrante da masculinidade, já que esta seria composta por um conjunto de questões morais, de certos padrões normativos de aparência, comportamento e conduta.
    Como um dos maiores representantes desse estereótipo, além de Rudolph Valentino, surgiu Ramon Novarro, cuja morte trouxe uma necessidade de se repensarem os padrões que costumavam ser impostos aos atores de Hollywood, durante seu período de estrelato. Podemos dizer que o ator mexicano materializa nossa tentativa de criar essa teia de relações entre star system, masculinidade, transição para o sonoro e repercussões no Brasil. Assim, sua trajetória perpassa quase que de maneira espontânea todos os diferentes pontos que procuramos abarcar.
    O início de sua carreira no cinema silencioso, com seu rosto, e corpo, estampando diversas capas de revistas, principalmente no Brasil, e conquistando uma grande quantidade de fãs, demandou a sustentação de um tipo que ele levaria, inclusive, ao filmes sonoros. Nessa fase em que ocorria uma transição tecnológica no cinema hollywoodiano, acontecia também uma mudança nos limites morais dos filmes produzidos e na vida publicizada das estrelas. Novarro passou pelo período de extrema moralidade do Código Hays, e incorporou as novas demandas de Hollywood a suas atrizes e atores, utilizando sua voz em canções que imortalizaria em seus filmes sonoros.
    No Brasil, a importância de Ramon Novarro se avulta, não só por haverem sido exibidos aqui os filmes falados dos quais participou, mas por ter sido a sua voz a primeira a ter sido ouvida, com o início das sessões sonoras, em salas de cinema de diversas cidades. Como novo elemento do exercício de sua sexualidade nas telas, a voz pagã de Ramon, apesar de sua profunda formação católica, carrega consigo os traços de um antigo star system, e as mudanças trazidas pelo som e pela severidade moral da década de 1930, sendo, ainda, capaz de nos provocar questionamentos acerca de temas como a masculinidade e a sexualidade nos dias atuais.

Bibliografia

    ARCHETTI, Eduardo P. Masculinidades: fútbol, tango y polo en la Argentina. Buenos Aires: Antropofagia, 2003.

    BENSHOFF, Harry M.; GRIFFIN, Sean. America on film: Representing race, class, gender, and sexuality at the movies. New York: Wiley Blackwell, 2009.

    BLACK, Gregory D. Hollywood censored: Morality codes, catholics, and the movies. Cambridge: Cambridge University Press, 1996.

    DOANE, Mary Ann. A voz no cinema: A articulação de corpo e espaço. In: XAVIER, Ismail (Org.). A experiência do cinema. Rio de Janeiro: Edições Graal/Embrafilme, 1983.

    FREIRE, Rafael de Luna. Truste, músicos e vitrolas: A tentativa de monopólio da Western Electric na chegada do cinema sonoro ao Brasil e seus desdobramentos. Imagofagia, Asociación Argentina de Estudios de Cine y Audiovisual, n. 5, 2012.

    GOMERY, Douglas. The coming of sound: A history. New York: Routledge, 2005.

    SOARES, André. Beyond paradise: the life of Ramon Novarro. Oxford: University Press of Mississippi, 2010.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM