Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Simone Maria Rocha (UFMG)

Minicurrículo

    É professora Associada do PPGCOM/UFMG onde realizou seu estágio pós-doutoral (2005). Doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ (2003), mestre em Sociologia pela UFMG (1999) e graduada em Sociologia por esta mesma instituição (1997). Graduada em Relações Públicas pela PUCMINAS (1994). Líder do Grupo de Pesquisa Comunicação e Cultura em Televisualidades (COMCULT) do PPGCOM/UFMG.

Ficha do Trabalho

Título

    Heróis/anti-heróis: crítica estilística em Escobar, el patrón del mal

Resumo

    Partindo da crítica de como o estilo evidencia elementos do contexto histórico, proponho compreender a importância de escolhas estilísticas da narcotelenovela Escobar, el patrón del mal na figuração do herói e do anti-herói das personagens de Luis Carlos Galán e Pablo Escobar. A partir de sequências de discursos de campanha de Galán e Escobar salientarei elementos formais que atuam na construção dos significados e evidenciarei como o estilo opera e conforma aspectos textuais e contextuais.

Resumo expandido

    A partir de uma análise que tem como fio condutor a abordagem metodológica do estilo televisivo (BUTLER, 2010) e de modo a evidenciar os elementos estilísticos escolhidos na narrativa, o objetivo deste trabalho é, a partir de uma visada crítica, demonstrar e compreender como se deu a figuração de heróis e anti-herói na produção colombiana Pablo Escobar, el patrón del mal, produzida e exibida pela TV Caracol, 2012. Argumentamos que uma leitura crítica do estilo adquire relevância tendo em vista duas razões.
    A primeira está relacionada à importância da televisão no contexto colombiano como explica o historiador e analista de meios Fabio López de la Roche (2014). Segundo ele um ponto central destas narrativas televisivas (ao menos no que diz respeito ao seu funcionamento dentro do contexto colombiano) é que, para as audiências massivas, ou seja, a maioria dos colombianos que não lêem jornais impressos diárias nem livros de história, nem pertencem ao mundo da cultura letrada, tais produtos constituem-se na única possibilidade de conhecimento da história recente do país. Essas construções narrativas ficcionais da história colombiana dos últimos 30 anos, nas quais a montagem televisiva superpõe materiais documentais com materiais ficcionais, devem merecer uma crítica sistemática. Tal fato nos aponta para a relevância das escolhas narrativas e estilísticas adotadas. Como a série explora a historia do narcotraficante Pablo Escobar Gaviria, que participou no assassinato de vários dirigentes políticos colombianos na década de 1980, houve uma preocupação, por parte dos realizadores em contar uma história que de algum modo evidenciasse a atuação firme e combativa desses dirigentes, que demonstrasse que, apesar de todo o horror espalhado pela Colômbia naqueles anos, houve quem lutasse contra esse império do mal, a ponto de dar suas vidas por uma causa comum como verdadeiros heróis.
    A segunda razão diz respeito ao crescente número de produções televisuais envolvendo o tema do narcotráfico, seu desdobramento, inserção, influência e dano na estrutura econômica e social das sociedades nas quais está presente. Muitas dessas narrativas nos sugerem compreender que a mercantilização da violência é o resultado direto de um governo frágil e do avanço da “lógica de mercado”, numa situação segundo a qual a existência humana e os direitos humanos dependem da posição que se ocupa na hierarquia econômica relegando parte da população, como os camponeses e colonos expulsos de suas terras (desplazados), os pobres, os migrantes, os dependentes de droga, os trabalhadores braçais, as prostitutas etc, à condição de “descartáveis”.
    Neste cenário surge o que alguns autores denominaram narco-cultura (RINCÓN, 2013, 2009) como sendo uma forma de autorrepresentação assumida pelos narcos que inclui uma estética ostentatória, um consumismo notório e a busca por status social. A cultura das drogas, ou narco-cultura, espalhou sua simbologia e seus modos de ser pelas sociedades latino-americanas. Se as formas de ascensão social por meio da educação, do trabalho ou da participação política são excludentes e injustas, a narco-cultura aparece com uma importância significativa, pois ela pode representar a entrada do povo, mesmo que de maneira desviada, na modernidade.
    Pablo Escobar, el patrón del mal, contempla vários desses aspectos e tem grande debate e controvérsia em torno de seus significados pretendidos. Para alguns, ela pode ser considerada uma narrativa espetacular e apologética ao crime e a uma imagem negativa da Colômbia. Sendo assim, o melhor seria esquecer ou ignorar o passado. Já outras posições defendem que o passado precisa ser conhecido, revisto e criticado, para que não se repita no presente.
    Diante das várias possibilidades apresentadas, o extrato que escolhemos para esta análise corresponde às sequências dos discursos políticos de Galán, pré-candidato à presidência, e de Escobar, que se apresentou como suplente do candidato Ravier Ortiz.

Bibliografia

    BUTLER, Jeremy. Television Style. New York: Routledge, 2010.
    LÓPEZ DE LA ROCHE, Fabio. Las ficciones del poder: patriotismo, médios de comunicación y reorientación afectiva de los colombianos bajo Uribe Vélez (2002-2010). Bogotá: IEPRI: Debate, 2014.
    RINCÓN, Omar. Todos temos um pouco do tráfico dentro de nós: um ensaio sobre o narcotráfico/cultura/novela como modo de entrada para a modernidade. MATRIZes. Ano 7 – No 2 jul./dez. 2013 – São Paulo – Brasil.
    RINCÓN, Omar. Narco.estética y narco.cultura en Narco.lombia. Nueva Sociedad #222, Jul.-Ago, 2009. pp. 147-163.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM