Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Eduardo Antonio de Jesus (PUC Minas)

Minicurrículo

    Eduardo de Jesus (Belo Horizonte, 1967) é graduado em Comunicação Social (PUC Minas), Mestre em Comunicação (UFMG) e doutor em Artes (ECA/USP). É professor do programa de pós-graduação da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas. Atuou como curador na exposição “Dense Local” no contexto do festival Transitio-MX (Cidade do México, 2009), “Esses espaços” (Belo Horizonte, 2010), Festival de Arte contemporânea SESC_Videobrasil (São Paulo, 2013) e FIF-Festival Internacional de Fotografia.

Ficha do Trabalho

Título

    As reterritorializações no cinema de Adirley Queirós

Seminário

    Interseções Cinema e Arte

Resumo

    Vamos tomar os filmes de Adirley Queirós para mostrar a potência da imagem em movimento ao abandonar a montagem que pacifica e oculta as intensas disputas simbólicas e econômicas do espaço, devolvendo com isso vigor político e social às formas de representação que trazem as tensões típicas dos espaços urbanos do Brasil, especialmente de Brasília, com toda sua carga simbólica. Para a análise vamos recorrer a geografia, especialmente Henri Lefebvre e David Harvey.

Resumo expandido

    Mais recentemente no cinema brasileiro vemos um expressivo conjunto de obras tomar o espaço, os territórios e a própria vida na cidade como elementos constituintes e fio condutor dos filmes. O espaço assume um protagonismo, deixando de ser apenas um cenário ou pano de fundo onde acontecem as ações narrativas. As tensões típicas das disputas territoriais na cidade, bem como as dinâmicas do espaço são fortemente acionadas em filmes contemporâneos como “Avenida Brasília Formosa” (2010) e “Um lugar ao sol” (2009) de Gabriel Mascaro, “Recife frio” (2009) e “O som ao redor” (2012) de Kleber Mendonça, “O céu sobre os ombros” (2011) de Sérgio Borges, “A cidade é uma só” (2011) e “Branco sai, preto fica” (2014) de Adirley Queirós. Estes filmes, entre outros, revelam a cidade e suas espacialidades acionando um potente conjunto de relações sociais, políticas e culturais que ficam longe das representações que mostram a cidade como um lugar de compras, encontros felizes e apaziguantes. A cidade nestes filmes é representada como um complexo campo de tensão entre diversas forças e poderes que disputam não apenas a visibilidade, mas também a produção de sentido e de subjetividades criando formas de resistência aos gestos do capitalismo contemporâneo que tentam fazer do espaço urbano massa de manobra.
    Se historicamente vemos a cidade ser celebrada em inúmeros filmes em abordagens críticas ou não, hoje podemos perceber, como Jean-Louis Comolli, que “estamos no momento em que as cidades reais preferem essa exaltação, essa cinegenia, e começam a se parecer com a sua versão filmada. Triunfo do espetáculo perceptível também na mutação dos cenários cotidianos, cada vez mais conforme a tipologia que o cinema propõe deles, à imagem, como dizemos, aquela que os filmes fixaram” (COMOLLI, 2008, p.179). Para além da precisa inferência de Comolli, a cidade hoje se multiplica em inúmeras outras imagens. Multiplicaram-se as telas e o cinema ampliou sua abrangência para além da sala de exibição. A imagem em movimento invadiu nossas vidas com o uso dos dispositivos móveis com acesso a internet povoando e redimensionando as experiências do urbano e da vida cotidiana, que nos assediam intensamente na produção de subjetividade. A imagem habita e reconfigura os modos de ser dos territórios urbanos nos acionando o tempo todo em uma enorme profusão de signos. Desde os mais domesticados pela publicidade até as intervenções artísticas em todas as suas vibrações, desdobramentos e escalas com obras de arte, monumentos, grafites e pichações entre outras. Com isso, imagem e cidade tramam múltiplas relações de aproximação, contaminação e recriação. Como as forças do capitalismo contemporâneo manejam sobremaneira a produção de imagens, assim como as experiências, as cidade e suas imagens tornam-se um importante foco de difusão de modos de vida padronizados e alinhados pelas experiências do consumo.
    Tomando as obras de Adirley Queirós – “Rap, canto da ceilândia” (2005), “A cidade é uma só” (2011) e “Branco sai, preto fica” (2014) vamos mostrar a potência da imagem em movimento ao abandonar a montagem que pacifica e oculta as intensas disputas simbólicas e econômicas do espaço, para devolver vigor político e social às formas de representação friccionando ao máximo as tensões típicas dos espaços urbanos do Brasil. Para a análise das obras vamos recorrer ao repertório da Geografia, especialmente a tripartição proposta por Henri Lefebvre (espaço material, a representação do espaço e o espaço da representação) e posteriormente ampliada por David Harvey em torno do espaço absoluto, relativo e relacional.
    Tudo isso acaba por reterritorializar as imagens da cidade em espaços duplamente heterotópicos (Foucault) já que os filmes de Queirós mostram as tramas e tensões históricas que envolvem a construção de Brasília e seu importante projeto utópico-tropical modernista e como isso, de alguma forma, representa as mesmas formas de segregação típicas de outras cidades brasileiras.

Bibliografia

    COMOLLI, Jean-Louis. A cidade filmada. IN: COMOLLI, Jean-Louis. Ver e poder – a inocência perdida: o cinema, televisão, ficção, documentário. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.

    HARVEY, David. Cidades rebeldes – do direito a cidade à revolução urbana. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

    HARVEY, David. O espaço como palavra chave. IN: Revista GEOgraphia, Vol. 14, No 28 (2012).

    FOUCAULT, Michel. Outros Espaços (1967). IN: FOUCAULT, Michel. Estética: literatura e pintura, música e cinema. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.

    GORELIK, Adrián. Sobre a impossibilidade de (pensar) Brasília. IN: Revista Serrote. Nº 10. Rio de Janeiro: IMS, 2012.

    GUATTARI, Félix. Caosmose – um novo paradigma estético. Rio de Janeiro, 34 letras, 1992

    QUEIRÓS, Adirley. Entrevista. IN: Negativo – Cineclube Beijoca. – v. 1 n.1 (jul/set 2013) Brasília, Universidade de Brasília – Departamento de Filosofia (fil/ih), 2013.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM