Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Beatriz Saldanha (UAM)

Minicurrículo

    Beatriz Saldanha é mestranda em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi, com pesquisa intitulada “Protejam todos a criança: Um estudo sobre Hitchcock e a infância”, apoiada pela CAPES. Possui graduação em Letras pela Universidade Federal do Ceará (2012), onde desenvolveu a pesquisa desenvolveu a pesquisa “Violência e erotismo nos contos de Grimm: releituras no cinema moderno”, financiada pelo CNPq.

Ficha do Trabalho

Título

    A adultização dos corpos infantis em Baby Burlesks

Seminário

    Corpo, gesto, performance e mise en scène

Resumo

    Baby Burlesks é uma série de oito curtas-metragens produzidos por Jack Hays e Charles Lamont para a Educational Pictures nos anos de 1932 e 1933. Os filmes faziam paródias de longas-metragens famosos, dos bastidores de Hollywood, dos esportes e da política. O destaque desses filmes eram os atores, crianças de cerca de três anos de idade, ainda em fraldas, interpretando gângsteres, dançarinas de cabaré. Investigo neste trabalho o processo de adultização ao qual eram submetidos os jovens atores.

Resumo expandido

    De início, quero explicar a definição de cinema da infância, a qual permeia e fundamenta a minha pesquisa: podem ser considerados como integrantes de um cinema da infância filmes protagonizados por uma ou mais crianças, que tragam uma visão mais realista sobre ser criança e que possam, de alguma maneira, enriquecer o debate sobre a infância. O autor José de Sousa Miguel Lopes, em seu artigo “O cinema da infância”, faz a seguinte definição: “Todo filme que tem como protagonista uma ou várias crianças, e não filmes que se dirigem às crianças, (…) nos quais se tenta abandonar o terreno da narração na busca de uma imagem diferente ou mais justa da infância”. (LOPES, 2008). François Truffaut, enquanto crítico, dedicou parte de sua escrita à análise dos filmes sobre a infância. Em 1975, escreveu para o Le Courier de l’Unesco, em uma edição especial sobre crianças: “Em relação à sua importância na vida cotidiana, a criança é sub-representada no cinema. É claro que há um certo número de filmes com crianças, mas poucos filmes sobre crianças. Por quê? Simplesmente porque não existem estrelas-crianças. Como os filmes são comercialmente elaborados em cima da exibição de estrelas, a criança só é utilizada neles como extras, à margem da ação e não raro de forma decorativa”. (TRUFFAUT: 2006)
    Entre 1935 a 1938, nos Estados Unidos, presenciou-se um fato até então inédito: Shirley Temple, uma menina de idade inferior a dez anos, foi a grande campeã de bilheteria, ultrapassando astros como Clark Gable e Gary Cooper. Um produto da Grande Depressão, Temple salvou o estúdio Fox da bancarrota e arrancou elogios até mesmo do presidente Roosevelt: “era uma coisa esplêndida. Por apenas 15 centavos, as pessoas poderiam ir ao cinema, ver o rosto sorridente da garotinha e esquecer dos problemas”. Com seu carisma e sorriso cativante, Temple transmitia às pessoas, fragilizadas pela crise econômica, a ideia de que, pelo menos por 90 minutos, não havia problemas no mundo. O que ficou para a posteridade foi a encantadora imagem de Temple em A queridinha da família, mas, anos antes, a jovem atriz havia protagonizado uma série de curtas-metragens de moral duvidosa.
    Baby Burlesks é uma série de oito curtas-metragens produzidos por Jack Hays e Charles Lamont para a Educational Pictures nos anos de 1932 e 1933. Os filmes faziam paródias de longas-metragens famosos, bem como dos bastidores de Hollywood, dos esportes e da política. O destaque desses filmes eram os atores, crianças de cerca de três anos de idade, ainda em fraldas, interpretando gângsteres, dançarinas de cabaré, entre outros personagens tipicamente adultos.
    O primeiro deles, Runt Page, é uma história de gângsteres baseadas no filme A primeira página, e já traz um triângulo amoroso. É o único dos curtas em que as crianças têm as vozes dubladas pelas de adultos. War Babies, o mais representativo, tem como base o filme Sangue por glória. Mais uma vez, mostra um triângulo amoroso, e a pequena Shirley Temple interpreta aqui a personagem que fora de Dolores Del Rio no filme original: uma dançarina de cabaré. The Pie-Covered Wagon, por sua vez, tem inspiração no filme Os bandeirantes; enquanto Glad Rags to Riches parodia o melodrama romântico. Kiddin’ Hollywood brinca com os bastidores do cinema e Temple encarna aqui a sexy Marlene Dietrich. The Kid’s Last Fight mostra os bastidores do boxe e Polly Tix in Washington, da política. Neste, Temple interpreta uma mulher fatal que seduz um político. Kid ‘in Africa, o último curta-metragem da série, é baseado nos filmes de aventura na selva.
    As perguntas que faço neste trabalho são: o fato de uma criança ser uma estrela de cinema implica que ela seja representada de forma digna? Qual o papel da criança dentro do sistema de estrelas de Hollywood? Por fim, qual o lugar do corpo infantil neste sistema?

Bibliografia

    BAECQUE, Antoine de. “O corpo no cinema”. In: COURTINE, Jean-Jacques. História do corpo: As mutações do olhar. O século XX. Petrópolis: Vozes, RJ, 2008.

    LOPES, José de Sousa Miguel. O cinema da infância. In: Revista TXT. Belo Horizonte, junho de 2008.

    MORIN, Edgar. As estrelas: mito e sedução no cinema. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989.

    OSTERWEIL, Ara. Reconstructing Shirley: Pedophilia and Interracial Romance in Hollywood’s Age of Innocence. Camera Obscura 72, Volume 24, Number 3. Duke University Press: Durham, 2009.

    TRUFFAUT, François. O prazer dos olhos: escritos sobre cinema. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM