Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    ROBERTA AMBROZIO DE AZEREDO COUTINHO (UFPE)

Minicurrículo

    Sou graduada em jornalismo pela UNICAP-PE (2006-2010) onde também fiz uma Especialização em Estudos Cinematográficos (2012-2014). Sou mestranda do Programa de Pós- Graduação em Comunicação da UFPE (2015) e desenvolvo uma pesquisa que se debruça sobre a problematização das funções diegéticas do elemento sonoro ruído no cinema de Lucrecia Martel. Minha área de interesse se concentra nos estudos do som fílmico âmbito no qual venho desenvolvendo minha produção bibliográfica.

Ficha do Trabalho

Título

    A ESTÉTICA DO SOM FÍLMICO:ANÁLISES DO RUÍDO NA OBRA DE LUCRECIA MARTEL

Resumo

    Este artigo propõe uma reflexão sobre a dimensão sônica da experiência estética fílmica sob a luz do conceito de “Hiper-realismo sonoro”, o qual será aplicado à análise metodológica da exploração peculiar do ruído no cinema de Lucrecia Martel. Parte-se da hipótese de que tal uso expressivo deste elemento subverta a lógica da linguagem cinematográfica atual, a qual ao priorizar a imagem acaba por subjugar a potência expressiva sonora a um papel passivo na produção do sentido fílmico.

Resumo expandido

    Grande parte dos regimes estéticos que permeiam a linguagem cinematográfica contemporânea reproduz uma tendência que se consolidou ainda no período clássico: O domínio da representação imagética sob a sonora. Tal perspectiva se apresenta como uma herança da tradição visual que notadamente permeia os processos comunicacionais no Ocidente a qual, segundo McLuhan (1977), estaria fundada na transição de uma cultura oral para uma cultura escrita no âmbito social da circulação de informações consolidada com a invenção da imprensa e disseminada na dimensão artística.
    No contexto cinematográfico este domínio da visão é notório, uma vez que aos elementos audíveis, tradicionalmente, são direcionadas funções diegéticas de mero reforço mimético à imagem. Altman (1992) aponta e desconstrói “falácias” referentes ao som fílmico que contribuíram para consolidar esta tendência, interessa-nos especialmente o questionamento do autor acerca da “falácia representativa”, a qual indica uma limitação expressiva inerente ao som, apto a reproduzir, mas não a representar o “real” do material captado. Para Altman (1992) a captação sonora é capaz de ser igualmente inventiva à imagética, uma vez que não se limita ao mero registro, podendo resignificar sua matéria. Tal argumento encontra-se fortalecido pela tecnologia digital a qual ampliou os meios de experimentações sônicas.
    Dentro desta perspectiva, é possível localizar produções que subvertem o modelo clássico dominante ao atribuírem à banda sonora um papel de destaque na construção estética ficcional, é o caso da obra da cineasta argentina Lucrecia Martel, campo de análise desta pesquisa. “[…] Lucrecia enfatiza o som como o maior responsável pela característica sensitiva de seus filmes […]” (BARRENHA, 2011, p.54). O interesse do artigo recai especificamente sobre o uso do ruído, nosso objeto de estudo, entendido aqui como todo som do filme que não seja nem voz, nem música.
    Podemos supor que esta última seja a faceta da banda sonora mais valorizada esteticamente uma vez que convencionalmente é explorada como uma espécie de guia sensorial do público. Já o ruído é timidamente trabalhado em tal dimensão da experiência fílmica. Chion (2011) aponta uma possível justificativa para este quadro ao afirmar que ao contrário da música, componente identificado culturalmente pelo público, “O ruído é um elemento do mundo sensível totalmente desvalorizado no plano estético […]” (Chion, 2011, p.116).
    Na linguagem fílmica, a união entre os avanços tecnológicos e as intenções estilísticas latentes dos realizadores é a fórmula ideal para o aparecimento de novos regimes estéticos, como é caso o do hiper-realismo sonoro, base analítica deste artigo. Neste primeiro momento, tal instância pode ser compreendida como uma forma de representação fílmica que busca transgredir a relação redundante hegemônica entre a dimensão visual e a sônica ao se basear na manipulação criativa das características do som, oferecendo assim ao espectador uma espécie de “hiper-amplificação perceptiva do objeto”. (CAPPELER, 2008, p.65). Nesse contexto, nos filmes analisados, o ruído hiper-realista ao ser direcionado a exercer uma função estética autônoma se propõe a transcender, e não apenas reforçar os sentidos visuais, se diferenciando assim do hiper-realismo hollywoodiano que parece potencializar o áudio sempre em função da imagem.
    Dessa maneira, por meio da investigação dos recursos estilísticos sônicos utilizados nos filmes de Martel, o artigo intenta compreender como esses momentos sonoros de exploração hiper-realista do ruído interferem na configuração estética da diegese? De que maneira os ruídos hiper-realistas atuam na produção de sentido dos filmes analisados? Por meio do conjunto de procedimentos que compõe a análise fílmica, o presente artigo pretende estudar cenas da filmografia da cineasta argentina onde o ruído se destaque enquanto elemento significativo para os engendramentos estéticos ali propostos.

Bibliografia

    ALTMAN, Rick. Sound Theory / Sound Practice. Nova Iorque:Routledge, 1992.

    BARRENHA, Nathalia. A experiência do cinema de Lucrecia Martel: Resíduos do tempo e sons à beira da piscina. 2011. Dissertação de conclusão de curso (Pós-Graduação em Multimeios) – Instituto de Artes da Unicamp, Campinas, 2011. [Orientador: Prof. Dr. Antonio Fernando da Conceição Passos]. Disponível em: < http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000837604 >. Acesso em: 25. Jan. 2016.

    CAPELLER, Ivan. Raios e trovões: hiper-realismo e sound design no cinema contemporâneo. In: CATÁLOGO da mostra e curso O som no cinema. Rio de Janeiro: Tela Brasilis/Caixa Cultural, 2008. P. 65-70.

    CHION, Michel. A Audiovisão. Som e Imagem no cinema. Lisboa: Texto & Grafia, 2011.

    MCLUHAN, Marshall. A galáxia de Gutemberg. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1977.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM