Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Sérgio Eduardo Alpendre de Oliveira (UAM)

Minicurrículo

    Doutorando em comunicação pela Universidade Anhembi-Morumbi; Mestre em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA-USP, graduado em Comunicação Social na FAAP. É colaborador da Folha de S.Paulo e editor da Revista Interlúdio (www.revistainterludio.com.br) e do blog sobre cinema sergioalpendre.com. Ministra oficinas de crítica e aulas de história do cinema por todo o Brasil.

Ficha do Trabalho

Título

    A religiosidade ultrajada: o cinema crítico de João Cesar Monteiro

Seminário

    Cinemas em português: aproximações – relações

Resumo

    A presente proposta visa investigar o cinema de João César Monteiro e o porquê desse cineasta ser chamado de anticlerical. Procuraremos entender o percurso desse cineasta português, se é justa a qualificação de anticlerical, ou se o questionamento à religiosidade está dentro de um contexto mais amplo de crítica ao mundo e à sociedade.

Resumo expandido

    Em As Bodas de Deus (1998), de João César Monteiro (1939-2003), o alter-ego do diretor, João de Deus, recebe da Madre de um convento uma moeda de cem escudos, como recompensa por ter salvado a vida de uma moça que se afogava. A Madre ainda lhe faz a seguinte recomendação: “mas não gaste tudo em vinho”. Logo adiante, João de Deus dá cem dólares ao homem que o ajudou a carregar a moça, e satiriza a fala da Madre, que já não lhe pode mais ouvir: “mas não vá gastar em freiras”. Pouco antes da doação da Madre, esta lhe diz: “Graças à sua boa ação, os anjos e serafins rejubilam no reino dos céus”. João de Deus responde, causticamente: “Madre, não transforme um pequeno impulso aquático numa orgia celestial”. Na despedida, a Madre profere o tradicional “que Deus o acompanhe”, e João rebate, concluindo a série de provocações: “Mais vale só… que mal acompanhado”. Esses são alguns momentos localizados em um determinado filme, o antepenúltimo, da carreira de Monteiro. Existem muitos outros da mesma estirpe provocadora, espalhados em obras como Veredas (1978), Silvestre (1981), O Último Mergulho (1992) ou Vai e Vem (2003), seu testamento cinematográfico, e sobretudo na trilogia com o personagem João de Deus (vivido pelo próprio César Monteiro), formada por Recordações da Casa Amarela (1989), A Comédia de Deus (1995) e o supracitado As Bodas de Deus (1998). Momentos de uma postura que pode ser chamada de anticlerical.
    Lucia Nagib escreveu que Monteiro “adota apaixonadamente o furor anticlerical de Bataille pela longa tendência portuguesa de tradições anticlericais e de um humor tipicamente pornográfico”. (NAGIB, 2011, p. 237). Georges Bataille foi um escritor cujos ensaios e romances, segundo Carol King em verbete para o livro 501 writers, “derrubaram tabus sexuais, enquanto exploravam o conceito de sagrado dentro do êxtase dionisíaco e do erótico” (KING, 2008, p. 339). Por isso a associação entre Bataille e Monteiro feita por Nagib é totalmente justificada. A ideia de “sagrado dentro do êxtase dionisíaco e do erótico” pode ser aplicada tranquilamente aos seus filmes.
    Mas seria mesmo anticlerical sua obra? Lembremos que Luis Buñuel, que para muitos era anticlerical, foi homenageado pela igreja católica por seu Nazarin (1958), longa que mostrava, entre outras imagens ambíguas do clero, um padre altruísta carregando um abacaxi no desfecho. O mesmo diretor, em O Fantasma da Liberdade (1974), vai mais longe e mostra padres jogando e bebendo uísque, e no começo da carreira, em A Idade do Ouro (1930), flagra Jesus Cristo saindo de uma orgia. São provocações que justificam tal epíteto. Mas a que ponto essas provocações, que revelam um anticlericalismo da parte do diretor, não fariam parte de uma crítica maior, contra as limitações da sociedade burguesa? Não seriam tentativas de provocar as pessoas, de fazê-las pensar? Poderíamos então dizer que Monteiro, como Buñuel, não chega a ser anticlerical, apesar de preencher seus filmes com alguns momentos anticlericais? Ou o viés anticlerical estaria na frente, como motor principal das provocações dos cineastas? Monteiro, vale lembrar, exerceu por um bom tempo o papel de crítico cinematográfico. Natural que em sua obra o espírito crítico estivesse presente, como deve ser em toda grande obra de arte.

Bibliografia

    AREAL, Leonor. Cinema Português – Um País Imaginado (em dois volumes). Edições 70, 2009.
    COSTA, João Bénard da. Portugal 45-95 nas Artes, nas Letras e nas Ideias. Centro Nacional de Cultura, 1998.
    D’ALLONES, Fabrice Revault (org.). Pour João César Monteiro. Yellow Now, 2004.
    GIARUSSO, Francesco; LOFFREDA, Pierpaolo; MORSIANI, Alberto (org.). João Giullare di Dio. Ets, 2007.
    MADEIRA, Maria João (org). As Folhas da Cinemateca: João César Monteiro. Cinemateca Portuguesa. Lisboa, 2010.
    MANSO, Angélica García. João César Monteiro: El Cine Frente al Espejo. Universidad de Extremadura, 2010.
    MONTEIRO, João César. Morituri Te Salutant (coletânea de artigos). & etc. e Arcádia, 1974.
    NAGIB, Lúcia. World Cinema and the Ethics of Realism. The Continuum International Publishing Group. New York, 2011.
    NICOLAU, João (org.). João César Monteiro. Catálogo da Cinemateca Portuguesa (com muitos dos textos que Monteiro escreveu). Lisboa, 2005.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM