Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Denilson Lopes Silva (UFRJ)

Minicurrículo

    Professor Associado da Escola de Comunicação da UFRJ , pesquisador do CNPq e autor de No coração do mundo: paisagens transculturais (Rio de Janeiro, Rocco, 2012), A delicadeza: estética, experiência e paisagens (Brasília, Ed.UnB, 2005), O homem que amava rapazes e outros ensaios (Rio de Janeiro, Aeroplano, 2002) e Nós os mortos: melancolia e neo-barroco (Rio de Janeiro, 7Letras, 1999), organizador, ao lado de Andréa França, de Cinema, globalização e interculturalidade (Chapecó, Argos, 2012)

Ficha do Trabalho

Título

    Corpo dândi: Bryan Ferry em Painted Smile

Seminário

    Corpo, gesto, performance e mise en scène

Resumo

    O dandismo remete mais a um modo de vida, ou mais precisamente, a fazer de si uma obra de arte no horizonte de um estética do artifício. Emergente na Inglaterra e na França, na passagem do século XVIII para o século XIX, esta constituição de si como obra de arte se atualiza na cultura midiática e se sustenta, no clip “Painted Smile” de Bryan Ferry, na valorização de um corpo que é sobretudo superfície, definido mais pela roupa do que pela pele, mais pela pose do que pelo gesto.

Resumo expandido

    Ao retomar o interesse por estéticas do artifício no contemporâneo, depois de ter estudado o neobarroco e o camp, gostaria de me deter no dandismo. Diferente dos outros termos que podem ser pensados como categoria estética (camp) ou até mesmo um movimento artístico (neobarroco), o dandismo é mais fluido e remete mais a um modo de vida, ou mais precisamente, a fazer de si uma obra de arte. Mas o que é o dândi? Para muitos, o termo hoje é restrito à moda e à elegância mas seu sentido é mais amplo do que isto. Embora sua presença seja localizada em diferentes momentos e culturas, uma cristalização desse personagem acontece entre o século XVIII e XIX, notadamente na Inglaterra e na França. Nesse momento, Beau Brummel foi o dândi mais célebre. Ele é visto como alguém que lança modas e precursor das celebridades contemporâneas, chamado por uma de suas admiradoras não correspondidas de “um palácio num labirinto” (apud BOLLON, 193). Esta formulação imagética, mais do que um conceito preciso, se desdobra na, talvez mais conhecida formulação sobre o dândi, feita por Baudelaire, para quem, ele é “um sol que declina, frio e melancólico” (1988, 193), recuperada por Walter Benjamin. Seja um poseur frio ou artista melancólico, distante e sedutor, o que interessa é pensar a atualidade do dândi que poderia ser sintetizada em algumas questões: O dândi seria um aristocrata do gosto, uma figura nostálgica em busca de beleza? Seria a beleza e a elegância possíveis de serem evocadas sem ser como alienação sob o império da politização da estética? Poderíamos atualizá-lo para além do camp que Susan Sontag (1964) defende como a experiência possível do dandismo na cultura midiática?
    Minha sugestão nessa apresentação é de que ele poderia ir além atualmente de subculturas que buscam uma marca de distinção e se traduzir como uma das possibilidades de uma rearticulação entre arte e vida no seio mesmo da cultura midiática e de uma estética do artifício que explora a pose no lugar do gesto, a máscara no lugar do rosto, a roupa no lugar do corpo. O dândi não precisa ser artista já que para ela a grande obra de arte seria a própria vida, o cultivo de si mesmo. Mas para nos aproximarmos de Bryan Ferry, acredito que a linhagem dos dândis artistas, como formulada por Baudelaire, nos auxilia, na busca da atualização desse personagem alegórico, para usar a expressão benjaminiana, da modernidade do século XIX, entre o passado aristocrático e um presente marcado por uma burguesia emergente, que encontram no esteticismo um refúgio e uma possibilidade de encontro.
    A fim de tornarmos mais concretas algumas da questões levantadas discutiremos o videoclipe Painted Smile de Bryan Ferry. Entre pop star e dândi, este clip constrói um corpo que foge da necessidade de uma presença forte, dissolvendo-se na imaterialidade da imagem. O corpo, aqui, ao contrário, é difuso, desfocado marcado por poses e maquiagem, sem nenhuma expressão de autenticidade. A roupa é uma segunda pele. Assim como a canção se dissolve numa ambiência, as palavras se dissolvem em música, o cantor recupera um imaginário heterossexual para o dândi, presente em Beau Brummel. O clip é uma fantasia masculina povoada por mulheres evanescentes e que nunca o tocam. Sempre há uma distância entre os corpos, um vidro que separa, numa encenação artificiosa de superfícies transparentes e foscas, um cenário suspenso no tempo e no espaço, dentro dos lábios pintados que se descolam do rosto como uma máscara. As imagens em câmera lenta são para reter a beleza que o tempo corrói. Aqui as mulheres flanam, são ninfas virtuais, próximas mas intocáveis. É o artifício delas que seduz o cantor-dândi e que o leva a naufragar nesse mundo de máscaras. Bryan Ferry vive o paradoxo de um pop star que se constrói pelo seu próprio desaparecimento e pela sua discrição.

Bibliografia

    AGAMBEN, Giorgio. Estâncias – a palavra e o fantasma na cultura ocidental. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007.
    BARBOSA, André Antônio. “O dandismo de dois filmes contemporâneos”. Compós 2015. Disponível em: http://www.compos.org.br/biblioteca/autor-compos-2015-349a3f88-c122-43b1-bdc8-d46375826a33_2771.pdf. Acesso em: 29/04/2016
    BAUDELAIRE, Charles. “Dândi” In: COELHO, Teixeira (org.). A Modernidade de Baudelaire. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
    BOLLON, Patrice. A moral da máscara. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.
    FOUCAULT, Michel.. Ditos e Escritos V – Ética, Sexualidade, Política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.
    GARELICK, Rhonda. Rising Star: Gender, Dandyism, and the Performance in in the Fin de Siècle. Princeton: Princeton University Press, 1998.
    SONTAG, Susan. Notas sobre o “Camp”. 1964. Disponível em: https://perspectivasqueeremdebate.files.wordpress.com/2014/06/susan-sontag_notas-sobre-camp.pdf. Acesso em: 29/04/2016

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM