Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Ignacio Del Valle Dávila (UNICAMP)

Minicurrículo

    Ignacio Del Valle Dávila: Doutor em Cinema e Mestre em Artes do Espetáculo pela Université Toulouse 2. Também possui pós-doutorado em História pela FFLCH-USP (bolsista Fapesp). Atualmente, é professor colaborador do PPG Multimeios da UNICAMP, onde realiza um pós-doutorado CAPES-PNPD. É autor dos livros Cámaras en trance: el nuevo cine latinoamericano, un proyecto cinematográfico subcontinental (Cuarto Propio, Chile, 2014) e Le Nouveau Cinéma Latino-américain (1960-1974) (PUR, França, 2015).

Ficha do Trabalho

Título

    O herói na tela: José Martí e José Maceo no cinema histórico cubano

Seminário

    Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais

Resumo

    Nesta apresentação analisaremos comparativamente a representação da independência cubana nos filmes La odisea del general José (Jorge Fraga, 1968) e Páginas del diario de José Martí (José Massip, 1971). Ambos filmes históricos, podem ser considerados como narrativas fundacionais da nação cubana. Eles fazem parte do ciclo cinematográfico os “Cien Años de Lucha”, através do qual as autoridades cinematográficas cubanas celebraram o centenário do início do processo de emancipação nacional.

Resumo expandido

    No ano 1968, o governo cubano celebrou o centenário do início da “Guerra de los diez años” (1868-1878), a primeira guerra de independência da ilha. Durante essas comemorações, as autoridades cubanas estabeleceram oficialmente, por meio de discursos, debates e editoriais de imprensa, uma conexão direta entre o processo de emancipação nacional do século XIX, a Revolução de 1959 e o regime estabelecido a partir dela. Segundo esse discurso oficial, as guerras de independência e a Revolução constituiriam diferentes etapas de uma mesma luta de libertação nacional.
    Em razão dessas celebrações, o Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficos (ICAIC) produziu um ciclo de filmes, conhecido como os “Cien años de lucha”, centrado nesses conflitos bélicos do século XIX. Todas essas produções, de maneira direta ou indireta, tecem vínculos entre esse passado e o governo revolucionário, estabelecendo paralelos entre as principais lideranças políticas e militares dessas duas temporalidades, o que desencadeia frequentemente em relatos alegóricos. Nesse sentido, eles são monumentos audiovisuais do passado que se inserem dentro da história oficial. Consideramos também que podem ser estudados a partir do conceito de “narrativa fundacional”, desenvolvido por Ismail Xavier (1997) com base nos trabalhos de Doris Sommer sobre os romances de fundação latino-americanos (2004). Esse conceito se aplica a relatos fílmicos sobre as origens – muitas vezes mitificadas – de uma comunidade nacional.
    Entre os filmes dos “Cien años de luta”, podem ser citados os longas metragens de ficção Lucía (Humberto Solás, 1968), La odisea del general José (Jorge Fraga, 1968) La primera carga al machete (Manuel Octavio Gómez, 1969) e Páginas del diario de José Martí (José Massip, 1971). O objetivo desta apresentação é estudar esse ciclo e as suas relações com a política cultural do regime cubano a partir de uma análise comparativa dos dois longas-metragens menos pesquisados desse ciclo: La odisea del general José, sobre um episodio da vida de José Maceo durante a segunda guerra de independência (1895), e Páginas del diario de José Martí, que propõe paralelos entre José Martí e Fidel Castro a partir do jornal de guerra escrito pelo primeiro deles.
    Primeiramente, estabeleceremos alguns dos principais aspetos da política cultural cubana do final dos anos 1960, que determinou o contexto de produção desses filmes. Essa política cultural, inserida na chamada “Ofensiva revolucionária” (Villaça, 2010), se caracterizou por um maior controle da liberdade de expressão dos artistas e intelectuais cubanos que começavam a se mostrar críticos com o regime; bem como por uma exaltação pública do trabalho voluntário nas safras de açúcar e café e de valores como o esforço e o sacrifício “revolucionários”. Posteriormente, a partir da análise fílmica dos dois longas metragens – com foco no estudo da representação dos heróis históricos –, estudaremos a maneira como os filmes se relacionam com o projeto ideológico oficial. A abordagem se centrará nas profundas diferenças entre a estrutura do relato e a mise-en-scène nos dois filmes, o que leva à impossibilidade de afirmar que existiu uma estratégia unívoca na hora de representar a independência cubana, embora os dois filmes façam parte do mesmo ciclo. Por outro lado, a estreia de Páginas del diario de José Martí, de Massip, foi adiada pelo ICAIC, o que pode ser visto como um receio, por parte das autoridades culturais, em relação à interpretação do passado feita pelo realizador (Juan Navarro, 2008). Através da análise comparativa de ambos filmes, nos aprofundaremos nesse aspecto, mostrando contradições entre o filme de Massip e o discurso mais oficial presente em La odisea del general José, de Fraga.
    Esta apresentação se insere numa pesquisa de pós-doutorado sobre os longas metragens de ficção do ciclo dos “Cien Años de Lucha” desenvolvida na Pós-Graduação em Multimeios do Instituto de Artes da Unicamp com uma bolsa PNPD Capes.

Bibliografia

    CHANAN, Michael. Cuban Cinema. 2. ed. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2004. GARCÍA BORRERO, Juan Antonio. Cine cubano de los sesenta: mito y realidad. Madri: Ocho y Medio, Libros de cine, 2007.
    JUAN-NAVARRO, Santiago. “¿Cien años de lucha por la liberación?: Las guerras de la Independencia en el cine de ficción del ICAIC”. Cine y revolución cubana: luces y sombras. Archivos de la Filmoteca, n. 59, p. 142-161, 2008.
    ________. “La primera carga al machete (Manuel Octavio Gómez, 1969). Cine, mito y revolución”. In: AMIOT, Julie e BERTHIER, Nancy (Dir.). Cuba : cinéma et révolution. Lyon: Le Grimh-LCE-Grimia, 2006. 105-113.
    SOMMER, Doris. Ficções de fundação: os romances nacionais da América Latina. Ed. UFMG; 2004 [1991].
    VILLAÇA, Mariana. Cinema cubano: revolução e política cultural. São Paulo: Alameda, 2010.
    XAVIER, Ismail. A personagem feminina como alegoria nacional no cinema latino-americano. Balalaica, Revista Brasileira de Cinema e Cultura, n. 1, 1997, p. 84-101

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM