Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Renata Soares Junqueira (UNESP)

Minicurrículo

    Renata Soares Junqueira é bacharel (1987), mestre (1992) e doutora (2000) em Letras, na área de Teoria Literária, pela Universidade Estadual de Campinas, e livre-docente (2010) pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), onde desde 1994 ensina Literatura Portuguesa na Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara. É autora de TRANSFIGURAÇÕES DE AXEL: LEITURAS DE TEATRO MODERNO EM PORTUGAL (SP: Editora da UNESP, 2013) e organizou MANOEL DE OLIVEIRA: UMA PRESENÇA (SP: Perspectiva, 2010).

Ficha do Trabalho

Título

    Paródia do herói no cinema épico de Manoel de Oliveira e Glauber Rocha

Seminário

    Cinemas em português: aproximações – relações

Resumo

    Visando a uma comparação do cinema de Manoel de Oliveira com o de Glauber Rocha a partir da hipótese de que ambos adotam um método de articulação diegética que os aproxima do teatro de Brecht – por produzir um efeito de distanciamento que dificulta a identificação do espectador com o que na tela se vê –, este trabalho pretende lançar luz sobre procedimentos formais que contribuem para a desconstrução da figura do herói de modo a anular a capacidade que este tem de captar adesão emocional.

Resumo expandido

    Este trabalho é resultado parcial de um projeto de pesquisa que propõe uma comparação do cinema do realizador português Manoel de Oliveira (1908-2015) com o do brasileiro Glauber Rocha (1939-1981) a partir da hipótese de que os dois artistas adotam um método disjuntivo de composição diegética que os aproxima do teatro épico de Bertolt Brecht (1898-1956). Trata-se de proposta interdisciplinar que prevê um entrecruzamento da teoria literária – nomeadamente no que concerne aos estudos de teatro – com teorias do cinema e com estética da encenação. É provável que o enfoque interdisciplinar nos permita, através de uma comparação de filmes dos dois cineastas, compreender melhor não apenas o uso que cada um deles faz de fontes literárias – teatrais ou não – e históricas, mas também a dimensão política que a interpretação dessas fontes e o modo próprio de vazá-las em linguagem cinematográfica conferem às duas cinematografias. Se essa dimensão política é evidente em Glauber Rocha, que preconizava uma arte engajada e que teve que se exilar para escapar das garras afiadas da ditadura militar brasileira, não tem sido bem compreendida em Oliveira, talvez porque neste se apresenta mais veladamente, quase sempre mediatizada por fina ironia e sem qualquer propósito de instrumentalização ideológica da arte.
    Nesta ocasião pretendemos tratar especificamente de alguns procedimentos formais que contribuem para a desconstrução da figura do herói de modo a anular a capacidade que este tem de provocar a adesão emocional do espectador. Veremos que, por meio da paródia, os dois cineastas obtêm resultados similares no que concerne à produção de um efeito de distanciamento que lembra muito a proposta brechtiana de teatro.
    Se em NON, OU A VÃ GLÓRIA DE MANDAR (1990) Manoel de Oliveira desconstrói mitos através de uma revisão crítica que contempla não as vitórias mas as derrotas sofridas pelo povo português ao longo da história da sua formação e da sua expansão territorial – parodiando nessa épica às avessas, com uso de recursos cenográficos, de indumentária e de caracterização das personagens, figuras de heróis como Viriato, líder dos lusitanos; o decepado na célebre Batalha de Toro; ou ainda D. Sebastião e os nobres que o acompanharam a Alcácer-Quibir –, por procedimentos parodísticos semelhantes Glauber Rocha dificulta a adesão emocional (acrítica) do espectador aos atos dos protagonistas de O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO (1969). Com efeito, planos como o de Antônio das Mortes tentando reanimar o professor de história do Brasil (interpretado por Othon Bastos, que já fora o revolucionário Corisco em DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL), que se deixa arrastar completamente derrotado e entregue ao alcoolismo, ou o de ambos, Antônio das Mortes e professor, rolando no chão e disparando contra os jagunços do coronel Horácio as suas armas de fogo à maneira de cowboys americanos, são planos que despertam a suspeita do espectador – e o seu consequente distanciamento crítico – na medida em que sugerem uma associação à paródia, seja pela sobreposição repentina de banda sonora dissonante (no primeiro caso, o samba “Volta por cima”, cantado por Noite Ilustrada, faz implodir a seriedade dramática da cena), seja pela ostentação irônica de arremedo do gênero western, seja ainda pelo uso de outros recursos cinematográficos que a análise evidenciará.
    Esperamos assim oferecer alguns subsídios para uma percepção ampliada da relação que se estabelece, nas duas obras, entre a forma épica e o propósito humanístico e político do filme.

Bibliografia

    BRECHT, Bertolt. Estudos sobre teatro: para uma arte dramática não-aristotélica. Tradução de Fiama Hasse Pais Brandão. Lisboa: Portugália, 1964.

    DIDI-HUBERMAN, Georges. Cuando las imágenes tomam posición: el ojo de la historia 1. Trad. Inés Bértolo. Madrid: Antonio Machado Libros, 2008.

    GRILO, João Mário. O cinema da não-ilusão: histórias para o cinema português. Prefácio de Manoel de Oliveira. Lisboa: Livros Horizonte, 2006. (Horizonte de Cinema).

    JOHNSON, Randal. Oliveira político. In: CRUZ, Jorge, MENDONÇA, Leandro, MONTEIRO, Paulo Filipe, QUEIROZ, André (org.). Aspectos do cinema português. Rio de Janeiro: UERJ, SR-3, Edições LCV, 2009. p. 23-48.

    ROCHA, Glauber. Revolução do cinema novo. Pref. Ismail Xavier. São Paulo: Cosac Naify, 2005.

    XAVIER, Ismail. Sertão mar: Glauber Rocha e a estética da fome. São Paulo: Cosac Naify, 2007.

    ______. O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência. 4 ed. SP: Paz e Terra, 2008.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM