Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Fabrício Basílio Pacheco da Silva (PPGCOM/UFF)

Minicurrículo

    Graduado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense (PPGCOM/UFF). Criador do Cineclube Rã Vermelha, dedicado ao cinema de horror nacional. Tem interesse nos seguintes temas: cinema fantástico, insólito ficcional, cinema nacional e gêneros cinematográficos.

Ficha do Trabalho

Título

    A construção do insólito ficcional em Trabalhar Cansa

Resumo

    O presente trabalho parte do filme brasileiro Trabalhar Cansa (2011) e objetiva investigar os aspectos insólitos empregados no filme. Para isso, ambiciona-se conectar estudos literários e cinematográficos, partindo da teoria de terror incidental proposta Laura Cánepa, da evidenciação de códigos do horror e da proposta temática social da obra, que se somaram aos estudos de Tzvetan Todorov e David Roas acerca do fantástico.

Resumo expandido

    O trabalho pretende situar-se em torno dos debates acerca do cinema brasileiro contemporâneo, no que tange a discussão de filmes que dedicam suas narrativas a elementos do insólito ficcional, conceito empregado aqui como uma categoria comum a vários gêneros de origem literária, conectados por uma herança em torno do sobrenatural. Como aponta Flávio García (2012) o insólito ficcional se revela como uma forma de nomear um macro-gênero, associado a uma “arquitetura sistêmica” que se opõe ao sistema “real-naturalista”.
    Para isso, o trabalho firma como objetivo a investigação dos elementos insólitos, tanto narrativos quanto estéticos, desenvolvidos no filme Trabalhar Cansa (2011), dirigido por Marco Dutra e Juliana Rojas, que hibridiza elementos do gênero cinematográfico do horror, com uma mise-en-scène essencialmente naturalista e uma narrativa voltada para a discussão de problemas sociais.
    Nesse sentido, Laura Cánepa (2013-14) aponta um fenômeno recente que surge em filmes voltados para outros gêneros, mas que apresentam “experiências limítrofes” com a linguagem cinematográfica do horror. Ampliando esse argumento a pesquisadora apresenta em seu artigo Terror incidental? (2013) uma teoria incompleta que abarca Trabalhar Cansa. Para Cánepa, por mais que alguns filmes contenham poucas sequências de violência explícita, existe uma identificação permanente entre espectador e personagem de que “algo terrível” possa ocorrer a qualquer momento, o que se configura como um ponto de intersecção com o horror. Para a autora esse “algo terrível” não é criado por elementos psicóticos ou sobrenaturais, mais sim por mazelas sociais brasileiras não resolvidas.
    Complementando esse argumento, Mariana Souto (2012) aponta que as maiores tensões em Trabalhar Cansa não se instauram na erupção dos elementos sobrenaturais, mas sim nas relações entre “empregador e empregado”, ou seja, na evidenciação da luta de classes.
    Diante desses aspectos o trabalho se volta para bibliografias oriundas da literatura. Neste processo dois teóricos se destacam. Em primeiro lugar nos colocamos ao lado dos estudos estruturalistas de Tzvetan Todorov sobre o fantástico. Para o autor, o fantástico pode ser definido como uma perturbação sobrenatural em um mundo natural/real. Assim, a inserção de um elemento fantástico precisa ter um mínimo de sustentabilidade real, capaz de deixar leitor e personagem em dúvida quanto ao acontecimento. Ou seja, o fantástico ocupa o tempo dessa incerteza e, dessa forma, depende da hesitação para sua existência. Assim que se define uma resposta deixa-se o terreno do fantástico para entrar em dois gêneros vizinhos: o estranho e o maravilhoso. No estranho a resolução da história revela que o acontecimento insólito possui explicação racional, ou seja, o “sobrenatural é reduzido a feitos conhecidos”, enquanto que no maravilhoso se faz necessário admitir novas leis da natureza, como ocorre nas fábulas infantis.
    Também lançamos mão de David Roas (2014), que interpreta o fantástico como a transgressão conflituosa da realidade. Essencial para este trabalho é a distinção que Roas faz em torno de dois tipos de medo emitidos pela narrativa insólita: o medo físico e emocional, e o medo metafisico ou intelectual. O medo físico e emocional está ligado a perturbação da integridade física, este tipo de medo é compartilhado em prevalência nas narrativas fantásticas e nos filmes de horror, associado ao nível das ações narrativas e transmitido aos personagens e ao leitor. Ao contrário disso, o medo metafísico ou intelectual, abole as noções de real, mas não para aterrorizar a integridade física dos personagens, mas sim para revelar a estes que a regras do mundo não funcionam do modo como se pensava, é a essa forma de medo a que filiamos Trabalhar Cansa.
    Buscando imbricar teorias cinematográficas e literárias, almeja-se evidenciar como a obra em questão, subverte elementos tradicionais do horror e do insólito em prol de uma singularidade narrativa.

Bibliografia

    CÁNEPA, Laura. Horrores do Brasil. Filmecultura 61, novembro 2013 – janeiro 2014, p. 33-37
    CANEPA, Laura. Terror Incidental? Revista Interlúdio, 2013. Disponível em: http://www.revistainterludio.com.br/?p=5160 . Acessado em: 15/ 05/ 2016
    GARCÍA, Flávio. Quando a manifestação do insólito importa para a crítica literária. In: Vertentes teóricas e ficcionais do Insólito. Rio de Janeiro: Editora Caetés, 2012.
    SOUTO, MARIANA. O que teme a classe média? Trabalhar cansa e o horror no cinema brasileiro contemporâneo. Contracampo, Niterói (RJ), no25, dez/2012.
    Disponível em: http://www.uff.br/contracampo/index.php/revista/article/view/293 Acessado em: 15/ 05/ 2016
    ROAS, David, A Ameaça do fantástico. São Paulo: Editora Unesp, 2014.
    TODOROV, Tzvetan, Introdução à Literatura Fantástica, São Paulo: Perspectiva, 2008.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM