Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Sueli Chaves Andrade (PUC-SP)

Minicurrículo

    Sueli Andrade é doutoranda em Comunicação e Semiótica (PUC-SP, 2012/2016), tendo realizado estágio de pesquisa doutoral na Wayne State University (2014-2015), Detroit, USA – bolsa CAPES sob a supervisao de Steven Shaviro; mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP, 2009); graduada em História (UFF-RJ, 2006). Possui formação em Psicanalise Lacaniana pelo CLIN-a/EBP-SP, (2010/2012), sendo também pesquisadora e pensadora dos temas da cultura contemporânea tais como corpo e arte.

Ficha do Trabalho

Título

    Rubber Johnny: hibridismo de corpos e linguagens

Resumo

    Rubber Johnny (2005) é um dos trabalhos mais autorais do diretor Chris Cunningham, conhecido por inaugurar o videoclipe de autor nos anos 1990. O objetivo desta apresentação é situar tal obra dentro do contexto de discussão que marca os encontros e desencontros entre as linguagem cinematográfica e videografica sob a perspectiva da representacao do corpo freak. Corpo este responsavel por uma vivencia de estranhamento estético e sensorial, o qual pode ser lida a partir do unheimlich freudiano.

Resumo expandido

    Rubber Johnny (2005) é o trabalho mais radical e experimental do videomaker Chris Cunningham até o presente momento. O objetivo desta apresentação é situar tal obra dentro do contexto de discussão que marca as intersecções entre as linguagem cinematográfica e videografica na qual hibridos imagéticos e corporais podem advir conforme veremos a seguir. No que diz respeito às aproximações que podem ser vistas no vídeo junto a teoria e técnica filmica, a considerar dois aspectos. O primeiro deles a questão sobre autoria, debate que perpassou a historia do cinema nos idos 1960 através da Politique des Auteurs com suas dezenas de artigos publicados junto ao periódico Cahiers du Cinema. Cunningham é o roteirista, diretor, ator e editor do vídeo em questão, em suma, o seu legitimo autor se tomarmos em conta que o autor no cinema é aquele que detém o controle sobre o processo produtivo, fazendo valer sua identidade, além claro da recorrência e insistência de temas que podem ser observadas ao longo de uma carreira. No caso do britânico, essa marca temática diz respeito ao corpo e suas representações freak e cyborg. Como segundo ponto de aproximação à linguagem cinematográfica, temos na edição de Rubber Johnny o que Eisenstein denominou de montagem atonal, ou seja, aquela que mescla métrica, rítmica e tonal de modo a causar um efeito/afeto especifico junto ao espectador. Tal modelo de edição é fundamental para suportar a construção da narrativa acerca da experiência de viver o unheimlich no sentido freudiano do termo. O que necessariamente nos leva a tratar da questão do corpo pelo binômio alteridade-identidade, visto que o corpo de Johnny é um corpo abjeto. Remetendo aqui não somente ao conceito desenvolvido por Judith Butler acerca da performatividade, mas também como uma projeção de corpo que vai além do projeto humanista e que Vilem Flusser nomeou de Vampyrotheutis Infernalis com sua metáfora acerca das infinitas possibilidades de corporalidade e existência humana além da primazia do tecnológico e orgânico. Posto isso, podemos descrever brevemente o objeto deste trabalho com uma narrativa na qual um garoto tem a marca da desproporção e do assimétrico em seu corpo: sua cabeça é macrocéfala enquanto seu tronco e membros são de proporções delicadas com pouco desenvolvimento muscular. O video é mais uma parceria com o músico Aphex Twin e conta a historia de um menino enclausurado em um quarto escuro e que tem como passatempo a dança e o consumo de drogas. Mas o que o corpo de Johnny nos remete em termos de afetação corporal? A primeira sensação refere-se a uma constatação acerca da falência do projeto de um corpo humanista no qual as proporções do homem vitruviano não dão mais conta de serem representativos da complexa diversidade de corpos, gêneros e identidades no contemporâneo. Johnny então, seria uma metáfora de como se re-perspectivar o homem para além do próprio homem pois flerta com o monstro, o desconhecido, o estranho. Outra indagação diz respeito a concepção de um novo inconsciente, o falasser ou corpo falante. Corpo atravessado pela linguagem e tomado pelo sintoma. Sintoma não no sentido de uma clinica psicanalítica, mas no sentido de uma clinica da cultura e dos seus respectivos corpos. Portanto, este trabalho pretende analisar os hibridismos que se colocam na obra de Chris Cunningham através da interlocução que se faz entre vídeo e cinema pelo ponto de vista da linguagem e do cinema de autor e, sobre corpos, pela representacao do corpo freak e como ele pode ser experimentado pelo viés do unheimlich freudiano, no qual a parceria familiar e não-familiar fazem laço. Desse emaranhado todo, espera-se poder encontrar algum eco de modo a se refletir sobre atravessamentos de linguagens e corpos na produção de imagens audiovisuais que marcam o discurso contemporâneo.

Bibliografia

    BERNARDET, Jean-Claude. O autor no Cinema. São Paulo: Brasiliense, 1994.
    BUTLER, Judith. Bodies that Matter: On the Discursive Limits of ́Sex‘. New York and London: Routledge, 1993.
    FLUSSER, Vilem e BEC, Louis. Vampyroteuthis Infernalis. Sao Paulo: Annablume, 2011
    FREUD, Sigmund. O Estranho. In Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, volume XVII. Rio de Janeiro: Imago, 1996. pp. 237-269
    MACHADO, Arlindo. A Televisão Levada a Serio. São Paulo: Editora Senac, 2000.
    MILLER, Jacques-Alain. O osso de uma analise + o inconsciente e o corpo falante. Rio de Janeiro, Zahar: 2015.
    SANTAELLA, Lúcia. Corpo e Comunicação – Sintoma da Cultura, São Paulo: Paulus, 2004

    SANTAELLA, Lúcia. Culturas e artes do pós-humano – Da Cultura das mídias à cibercultura, São Paulo: Paulus, 2003.

    SHAVIRO, Steven. The Erotic Life of Machines, in Parallax 8.4 (October/December 2002): 21-31

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM