Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Maurício de Bragança (UFF)

Minicurrículo

    Graduado em História e Cinema, com Mestrado em Comunicação e Doutorado e Pós-Doutorado em Letras pela Universidade Federal Fluminense. Atualmente é Professor Adjunto do Departamento de Cinema e Video e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF. Publicou A traição de Manuel Puig: melodrama, cinema e política em uma literatura à margem (EDUFF, 2010) e organizou, com Marina Tedesco, o livro Corpos em projeção: gênero e sexualidade no cinema latino-americano (7Letras, 2013).

Coautor

    Hadija Chalupe da Silva (UFF/ESPM)

Ficha do Trabalho

Título

    Escobar, o patrão da mídia – tensões no audiovisual na escobarmania

Seminário

    Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais

Resumo

    A partir de Narcos, da Netflix, coprodução inserida no fenômeno da escobarmania, vamos analisar de que forma a figura de Pablo Escobar encaminha uma discussão que passa pelos formatos narrativos e de produção, a inserção de estratégias em torno de uma identidade continental em termos globalizados, e as tensões geradas pela perspectiva da coprodução ao tratar de forma globalizada narrativas situadas na América Latina.

Resumo expandido

    Percebemos um evidente aumento do número de produções audiovisuais latino-americanas voltadas para o universo do narcotráfico. O tema está presente em várias formas narrativas e modelos de produção, desde telenovelas, seriados, telesseriados, longas-metragens e mesmo videoclipes (se formos tomar a indústria fonográfica em torno dos narcocorridos mexicanos). Este incremento não diz respeito apenas à maior quantidade de títulos disponíveis, mas também a um maior investimento de capital na sofisticação do produto a ser oferecido, buscando um aprimoramento da qualidade técnica que crie um impacto na circulação e consumo destas narrativas. Dessa forma, há uma constatada ampliação de público em torno dessa produção, diagnosticada por Virginia Mouseler, fundadora da WIT, agência que pesquisa a TV no mundo, que, numa palestra durante o International Academy Day, sediado pela Rede Globo em junho de 2015, disse que as tramas de narcotráfico latino-americanas surgem como prioridades de investimento no momento atual, juntamente com o noir nórdico e as telenovelas turcas. Assim, podemos constatar que essas produções relacionadas ao narcotráfico ganham impacto não apenas em mercado latino-americano, mas tendem a se estender a um mercado global. Dentro desse repertório, uma figura se destaca, protagonizando várias tramas e levando para a indústria do espetáculo de âmbito globalizado, uma história onde crime e vida política nacional criavam uma íntima e problemática relação. Nesta comunicação, queremos apresentar uma discussão sobre um fenômeno recente da indústria cultural relacionada à escobarmania. Estamos falando de como o maior e mais importante narcotraficante da história, o colombiano Pablo Escobar, converteu-se numa estrela da indústria do espetáculo, surgindo como protagonista de um destacado número de produções audiovisuais que inclui uma telenovela, um seriado e filmes ficcionais e documentais, sem contar com os inúmeros livros publicados a seu respeito que aquecem o mercado editorial na América Latina, convertendo-se em verdadeiros best-sellers. O líder do Cartel de Medellín que aterrorizou a Colômbia nos anos 1980, sendo responsável pela morte de candidatos à presidência da república, juízes e centenas de civis nos atentados que promovia, ressurge de forma carismática nas narrativas recentes que o acolhem como a uma celebridade (inter)nacional. Pablo Escobar é tema de filmes como Escobar – Paraíso Perdido, de Andrea di Stefano (França/Espanha/Bélgica/Panamá, 2015); o documentário Os pecados do meu pai, de Nicolas Entel (Argentina/Colômbia, 2009); a telenovela Escobar – o patrão do mal (Colômbia, 2012); a série produzida pela Netflix Narcos, dirigida por José Padilha dentre outros, em 2015. Além disso, o traficante também é personagem secundário em Blow, de Ted Demme (EUA, 2001), do documentário A vida privada dos hipopótamos, de Matias Mariani e Maíra Bühle (Brasil, 2015) e do filme ainda em produção de título provisório Mena, que conta a história de um piloto do traficante. Mena é uma produção americana que traz a estrela Tom Cruise no papel do piloto a serviço do tráfico. Nesta comunicação, a partir de Narcos, vamos analisar de que forma a figura de Pablo Escobar encaminha uma discussão que passa pelos formatos narrativos e de produção, a inserção de estratégias em torno de uma identidade continental em termos globalizados, e as tensões geradas pela perspectiva da coprodução, pontuando um debate que recorre às próprias estratégias históricas do cinema hegemônico hollywoodiano ao tratar de forma internacionalizada narrativas situadas na América Latina. Neste sentido, percebemos o narcotráfico para além de um tema da moda, mas também como um campo de problematizações capaz de desvelar as tensões presentes nas políticas e disputas em torno das representações da América Latina.

Bibliografia

    BRAGANÇA, Maurício de. A narcocultura na mídia: notas sobre um narcoimaginário latino-americano. Significação: Revista de Cultura Audiovisual, v. 37, p. 93-109, 2012.

    CHALUPE da Silva, Hadija.; SILVA, Antonio Carlos Amancio da . Mercado comum de filmes. In: Carlos Gerbase, Eduardo Campos Pellanda; Juliana Tonin. (Org.). Meios e mensagens na aldeia virtual. 1aed.Porto Alegue: Editora Sulina, 2012, v. 1, p. 167-188.

    MARTIN-BARBERO, Jesús. La globalización en clave cultural: una mirada latinoamericana. Globalisme et pluralisme. Colloque internationale. Montreal/abril de 2002. Disponível em http://www.er.uqam.ca/nobel/gricis/actes/bogues/Barbero.pdf acesso em 02/04/2016.

    RINCÓN, Omar. “Todos temos um pouco do tráfico dentro de nós: um ensaio sobre o narcotráfico/cultura/novela como porta de entrada para a modernidade”. São Paulo: MATRIZes, jul/dez 2013.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM