Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    João Lanari Bo (Unb)

Minicurrículo

    Professor da Faculdade de Comunicação da Unb desde meados dos anos 80.
    Ex-membro da SOCINE, em 1997-2000.
    Realizador de curtas em vídeo, 16 e 35mm.
    Crítico e pesquisador de cinema (publicações revistas “Devires” e “La Furia Umana”, jornal Correio Braziliense)
    Diplomata, defendeu tese de mestrado profissionalizante intitulada “Proteção do Patrimônio na UNESCO”

Ficha do Trabalho

Título

    “Blokada”: ruínas, imagens e espaço sonoro

Resumo

    A Segunda Guerra Mundial levou ao paroxismo situações de violência. O cinema e os demais suportes audiovisuais tem se encarregado de expor as possibilidades dramáticas desse grande trauma histórico. “Blokada” é um exercício de 52 minutos sobre o bloqueio de Leningrado durante a 2ª Guerra, feito exclusivamente com material de arquivo, sem narração e/ou entrevistas, com pista de ruídos construída de modo artificial, em estúdio. A relação som-imagem que se instaura produz uma inédita e inquietante familiaridade.

Resumo expandido

    A Segunda Guerra Mundial levou ao paroxismo situações de violência, como é sabido. O cinema e os demais suportes audiovisuais tem se encarregado de expor as possibilidades dramáticas e o repertório gráfico das imagens desse grande trauma histórico, que parecem não ter fim. Ficção, documentário, imagens de arquivo: um excesso de informação, que configura uma espécie de sintoma coletivo e compartilhado. As imagens dizem muito, mas o cerne da violência, o sofrimento de homens e mulheres, crianças e idosos, é incomensurável e inenarrável. O sintoma apenas exterioriza o problema emocional ou mental, já dizia Freud.
    Talvez um dos episódios mais patéticos da Segunda Guerra seja o bloqueio à cidade de Leningrado. De outubro de 1941 a janeiro de 1944, foram cerca 870 dias de cerco quase integral, que levou à morte mais de um milhão de pessoas, um terço da população. A maioria morreu de frio, fome e doenças, como tifo, escarlatina e icterícia; muitos pereceram nos bombardeios.
    Não faltam livros, filmes, documentários, enfim, registros dessa verdadeira epopeia. A exemplo do que ocorre em eventos igualmente comoventes, sua exteriorização por meio dos artefatos culturais é dolorosa e lenta, conformada a manipulações e chantagens. No caso em tela, em plena União Soviética stalinista, ao difícil processo do ponto de vista psicossocial agrega-se uma cruel distorção dos fatos. Após a “glasnot” implementada por Gorbachev e a queda do muro de Berlim, a revisitação histórica adquiriu novos horizontes, sujeita, não obstante, às vicissitudes do processo político da Rússia contemporânea, pós-guerra fria. O atual atrito entre a Rússia e a Ucrânia, a partir do estabelecimento da autodeclarada “República da Criméia” e a sua “absorção” pela Federação Russa, em 18 de março de 2014, dá uma medida da permanência de variáveis complexas nesse ambiente. É no cenário de fragmentação da antiga URSS que Sergei Loznitsa, nascido em 1964 na Bielorrússia e educado na Ucrânia, completou sua formação de diretor de cinema.
    O média-metragem “Blokada”, o foco dessa apresentação, surge inserido nesse cenário. À primeira vista, funciona como projeto de cicatrização histórica: o estranhamento da trilha sonora, entretanto, concorre para uma desestabilização do projeto.
    Loznitsa trilhou um percurso pouco usual, depois de graduar-se em engenharia e matemática e atuar como pesquisador de inteligência artificial em Moscou. Em 1991 – em plena “perestroyka” – inscreveu-se no Instituto Gerasimov de Cinema, em Moscou. Seu primeiro filme, “Today we are going to build a house”, foi realizado em 1996. “Blokada” (“Blokade” em inglês), finalizado em 2005, deu a Loznitsa o prêmio de melhor documentário russo do ano. A reputação internacional foi consolidada com os longas de ficção “My joy” (Minha felicidade, 2010) e “In the fog” (Na neblina, 2012). Sua obra conta ainda com vários curtas e média-metragens, além de participação em filme de episódios (“Ponts de Sarajevo”, de 2014).
    “Blokada” é um exercício de 52 minutos sobre o bloqueio de Leningrado, feito exclusivamente com material de arquivo, quase todo de “newsreel” (cinejornal), sem narração e/ou entrevistas, com pista de ruídos naturais construída de modo inteiramente artificial, em estúdio.
    A especificidade de “Blokada” no que tange à disponibilização de imagens de arquivo com a trilha de ruídos artificial, elaborada de uma forma absolutamente original, recriou um espaço-tempo cinematográfico lá onde não havia mais do que escombros, físicos e/ou impressos no celuloide. Ademais, cabe uma aproximação do “objeto documental” como uma “virtualização/atualização de determinadas indagações” (REZENDE, 2011). Ao fim, um diálogo com outros filmes de Loznitsa, como “Revue” (2008), construído também com imagens de cinejornal da antiga URSS, e, sobretudo, “Maidan” (2014), impressionante e rigoroso documento sobre a “Revolução Euromaidan”, ou, traduzindo do ucraniano, “Revolução da Dignidade”.

Bibliografia

    YOUNGBLOOD, Denise. A Chronicle of our time: Serguei Loznitsa “The Blokade” (2006). The Russian Review 66 (October 2007), pags. 693-98.
    REZENDE, Luiz Augusto. Microfísica do Documentário – ensaio sobre criação e ontologia do documentário. Rio de Janeiro, 2013, Azougue Editora e eventos
    MOYNAHAN, Brian. Leningrad – Siege and Symphony. Grã-Bretanha, 2013, Quercus Edtions.
    WILLIAMS, Paul. The status of Found Footage. Spectator volume 20 n. 1, Fall 1999/Winter 2000, pp. 57-69 (acesso em janeiro de 2015)
    NICHOLS, Bill: History, Myth, and Narrative in Documentary. Film Quarterly, Vol. 41, No. 1 (Autumn, 1987), pp. 9-20, University of California Press (acesso em janeiro de 2015)
    GUMBRECHT, Hans Ulrich. Depois de 1945: Latência como origem do presente. São Paulo, 2014, Editora UNESP
    LAURENT, Natacha. L’œil du Kremlin – Cinéma et censure en URSS sous Staline. Toulouse, 2000, Editions Privat.
    CHION, Michel. The voice in cinema. New York, 1999, Columbia University Press.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM