Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    PAULO ROBERTO MUNHOZ (UTP)

Minicurrículo

    Paulo Munhoz é cineasta e professor. Entre suas obras se destacam os longas-metragens em animação BRICHOS – A FLORESTA É NOSSA (2012), BELOWARS (2007) e BRICHOS (2006), e os curtas O POETA (2001) e PAX (2006) (www.tecnokena.com.br). Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da UTP – com apoio da Taxa Capes Prosup; Mestre em Tecnologia pelo PPGTE – UTFPR (2002); Especialista em Ciências da Computação pela PUCPR (1995); Engenheiro Mecânico pela – UFPR (1989).

Ficha do Trabalho

Título

    A Arte da Tecnologia no filme Gravidade, de Alfonso Cuarón

Resumo

    Este estudo busca verificar em que medida a tecnologia pode ser considerada como elemento artístico principal num filme de longa-metragem. Tomamos como corpus de análise o filme Gravidade, do diretor Alfonso Cuarón, e o estudamos no sentido de compreender o que poderia ser tratado como fundamental ou acessório na sua realização estética. Outro mister desse trabalho é contribuir na visão da tecnologia como elemento fundante do humano, em consonância com o pensamento do professor Álvaro Pinto.

Resumo expandido

    Alinhados que estamos ao pensamento do professor Álvaro Vieira Pinto, entre outros autores, entendemos o Ser Humano como ser de linguagem e de tecnologia. Ou seja, desde o primeiro uso de instrumentos como pedras, ossos e galhos, usados para matar, construir, plantar, desenhar ou escrever, homens e mulheres se fazem seres humanos pela extensão de suas possibilidades motoras, pela ampliação de sua potência mecânica, pelo aumento de sua velocidade, pela ampliação de suas condições de conforto e proteção, pela ampliação de seus poderes de visão e audição, bem como de representação e expressão. Vistos como seres de linguagem, dominam seus corpos e fazem uso da voz e das palavras para compreensão coletiva do mundo à sua volta, alterando inclusive sua forma de pensar. Nessa perspectiva, o cinema se apresenta como um locus privilegiado de maximização do Humano, como um espelho ou lente a refleti-lo, ampliá-lo e sondá-lo, pois é arte de linguagem e de tecnologia.
    Desde os primeiros experimentos de animação de imagens, da produção de ilusões catóptricas e dióptricas, do espetáculo da Lanterna Mágica, do Cinetoscópio de Edison e Dickson, do Cinematógrafo dos Irmãos Lumière até os dias de hoje, o desenvolvimento das tecnologias fizeram o cinema avançar numa busca contínua da melhor qualidade da imagem e do som, do melhor espetáculo sensorial para o público, no intuito de fornecer o melhor ferramental para os cineastas. Tais desenvolvimentos impactaram as linguagens e estéticas, num diálogo ora conflituoso (o surgimento da banda sonora, por exemplo) ora harmonioso, mas sempre profícuo em termos de resultados. No entanto, assuntos que tratam da relação entre técnica e estética parecem mais raros nos debates da teoria e da crítica que, tradicionalmente, centram-se mais nas questões de ordem temática, política ou narrativa dos filmes. Nesta lacuna é que se encaixa a nossa contribuição, daí a justificativa deste trabalho.
    Objetiva-se verificar em que medida a tecnologia deixa de ser meio e suporte para se constituir no espetáculo cinematográfico em si. Nosso corpus de análise é o filme Gravidade, do diretor mexicano Alfonso Cuarón, de 2013.
    Nossa hipótese é de que, na busca do máximo realismo, Alfonso Cuarón e sua equipe desenvolveram um trabalho em que a grande personagem do filme não é a Dra. Ryan, interpretada pela atriz Sandra Bullock, mas o conjunto de soluções tecnológicas que fazem o público imergir no espaço, numa experiência de grande realismo que ilude as pessoas a ponto de acharem que o filme foi filmado no espaço extraterrestre. Nosso argumento é que nesse filme tecnologia é a protagonista, considerando que sua performance é essencial para o desenvolvimento da trama. Esse argumento pode ser corroborado pela análise da mise-en-scène que coloca em evidência a total liberdade da câmera, em contínuo movimento, numa circunstância impossível de ser realizada sem o casamento da computação gráfica, da robótica e de uma interpretação preparada especialmente para a aplicação da figura humana em cenários virtuais e avatares digitais.
    Por outro lado, vemos em Gravidade um reflexo de O Homem Com Uma Câmera (1929), de Dziga Vertov. Ou seja, um filme que, abraçando amorosamente a máquina, nos torna mais humanos.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques. O cinema e a encenação. Edições Texto e Grafia, Lisboa, 2006.
    BAZIN, André. O que é o cinema? São Paulo: Cosac Naify, 2014. 416 p.
    BENNET, Bruce. FURSTERNAU, Marc. MACKENZIE, Adrian. Et alii. Cinema and Technology: cultures, theories, practices. Palgrave Macmillan, 2008.
    GRAVIDADE. Diretor Alfonso Cuarón. BLU-RAY, 3D, Warner Bros. 2013.
    MACHADO, Arlindo. Pré-cinema & pós-cinemas. Campinas, SP: Papirus, 1997. 303p.
    MANNONI, Laurent. A Grande Arte da Luz e da Sombra. São Paulo, Editora SENAC São Paulo : UNESP, 2003. 514 p.
    MANOVICH, Lev. The language of new media. Cambridge: Mit Press, 2001.
    PAGLIA, Camille. Imagens cintilantes: uma viagem através da arte desde o Egito a Star Wars. Rio de Janeiro: Apicuri, 2014. 224 p.
    PINTO, Álvaro Vieira. O conceito de tecnologia. Contraponto: Rio de Janeiro, 2013.
    UM HOMEM COM UMA CÂMERA. Direção de Dziga Vertov. Produzido por VUFKU (1929). Versão em
    SÍTIO DA EMPRESA FRAMESTORE. http://www.framestore.com/work/gravity

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM