Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    GEÓRGIA CYNARA COELHO DE SOUZA (USP)

Minicurrículo

    Doutoranda em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA/USP. Graduada em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás-UFG (2005), especialista em Cinema e Educação pelo Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás (2010) e mestre em Comunicação/Mídia e Cultura pela UFG (2012). Desenvolve pesquisa sobre a música no cinema brasileiro contemporâneo. É docente titular do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG), nas disciplinas de Produção Sonora.

Ficha do Trabalho

Título

    O compositor-personagem no cinema brasileiro: André Abujamra

Resumo

    Reflexão sobre o compositor no processo de realização cinematográfica: sua inserção na equipe; a interação com outros profissionais; as principais etapas de seu trabalho; a integração de sua trilha musical ao conjunto de procedimentos sonoros e visuais do cinema, até a finalização do filme. Como estudo de caso, abordaremos o percurso André Abujamra, um dos compositores mais recorrentes nos créditos de longas-metragens de ficção produzidos no país a partir da Retomada do cinema brasileiro.

Resumo expandido

    Até que o nome do compositor apareça nos créditos de um filme, é comum que boa parte de sua ideia original tenha sido alterada pelas sugestões de outros profissionais da equipe. No cinema, a música não é a obra final e não constitui uma obra de arte independente, lembra Giorgetti (2008). Sendo um dos elementos sonoros que comporá, juntamente com os demais sons e elementos visuais, a narrativa fílmica, a música já nasce orientada – pelo roteiro, pela fotografia –, e com as colaborações do produtor, editor de som, montador e, principalmente, do diretor, que assume a responsabilidade pelas decisões artísticas.

    Embora a assinatura da música original de um filme seja atribuída ao compositor, ela é proveniente de um conceito estabelecido por outrem, a partir do qual o músico compõe. A clareza no diálogo com o compositor, aliada à compreensão da linguagem musical e sua importância por parte do diretor, tende a contribuir para a construção de uma relação intrínseca entre a música e o filme.
    Há, neste processo, uma constante negociação entre a liberdade criativa do músico e o projeto artístico do diretor, na qual interferem aspectos como a notoriedade artística, o conhecimento técnico, as relações políticas e interpessoais estabelecidas na área cinematográfica e a capacidade de argumentação de um e de outro.

    Abordaremos, em especial, as experiências do músico popular André Abujamra. Com formação erudita em Música não concluída, grande domínio da tecnologia digital de áudio e há mais de 20 anos compondo para filmes de vários gêneros, estilos, tamanhos, equipes e orçamentos, pode-se afirmar que o compositor especializou-se nessa função, aprendendo, ao longo de sua prática artística e profissional, as especificidades que a música adquire quando inserida em um filme e tensionando as características dos scores tradicionais, seja optando por timbres artificiais produzidos em computador graças à tecnologia digital, seja misturando-os à música popular de diferentes origens, acessível em coleções de arquivos sonoros disponíveis na internet.

    A recorrência do nome do artista nos créditos de longas-metragens brasileiros a partir da segunda metade da década de 1990 e a consequente visibilidade adquirida pelo seu trabalho face a outros diretores em atividade no país fizeram surgir parcerias entre Abujamra e alguns cineastas importantes além de Anna Muylaert, como Beto Brant, Marcelo Masagão, Aluizio Abranches e Ricardo Elias. O estabelecimento dessas parcerias, aliado ao reconhecimento da crítica e do público, também contribuiu para a carreira do compositor no sentido de confirmar sua permanência no ambiente cinematográfico nacional contemporâneo.

    Um traço interessante do percurso do artista que pretendemos abordar é o fato de, desde o início de sua trajetória como compositor no cinema, Abujamra negociar uma aparição como figurante. Assim o compositor começou a ser creditado, também como personagem, em filmes e telenovelas. Quando perguntado sobre os motivos dessa negociação, o artista é direto: “Eu adoro aparecer! Eu sou egocêntrico, eu sou artista, eu gosto de me exibir!” (ABUJAMRA, 2016). Dentre os personagens interpretados por ele no cinema, um se destaca por ter saído da ficção e ganho vida própria, chegando, inclusive, a gravar discos e assinar músicas integrantes de trilhas sonoras de várias obras cinematográficas. Trata-se de Fat Marley, personagem “batizado” por Abujamra e criado por Anna Muylaert para Durval Discos (Anna Muylaert, 2003).

    A construção da carreira de Fat Marley, bem como a negociação para figuração e a participação de fonogramas de seus discos em filmes, nos leva a crer que Abujamra busca uma visibilidade que extrapola sua função de compositor de trilha musical para cinema, uma vez que a música, não sendo a obra final, não deve desviar a atenção do espectador a ponto de desconectá-lo da experiência cinematográfica. Analisaremos aqui, portanto, o discurso do compositor sobre o seu próprio ofício no cinema.

Bibliografia

    ABUJAMRA, André. André Abujamra: depoimento [mar. 2016]. Entrevistadora: Geórgia Cynara. São Paulo: entrevista inédita concedida para a pesquisa, 2016.

    BERCHMANS, Tony. A música do filme: tudo o que você gostaria de saber sobre a música de cinema. São Paulo: Escrituras, 2006.

    BUSCOMBE, Edward. Ideias de autoria. In: RAMOS, Fernão (org.). Teoria contemporânea do cinema: pós-estruturalismo e filosofia analítica. São Paulo: SENAC, 2004, vol. 1, p. 281-294.

    GIORGETTI, Mauro. Da natureza e possíveis funções da Música no Cinema. Disponível em: . Acesso em: 19 julho 2014.

    GORBMAN, Claudia. Unheard Melodies: Narrative Film Music. Bloomington: Indiana University Press, 1987.

    MATOS, Eugênio. A arte de compor música para o cinema. Brasília: Editora Senac, 2014.

    SERAFIM, José Francisco (org). Autor e autoria no cinema e na televisão. Salvador: EDUFBA, 2009.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM