Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Fernanda Resende Serradourada (Unicamp)

Minicurrículo

    Mestranda em Multimeios na Unicamp

Ficha do Trabalho

Título

    CORPOS E SUBJETIVIDADES ANIMADAS: A ESTÉTICA DE MONIQUE RENAULT

Resumo

    Experimentações quanto à linguagem e representações de corpos eram o mote de Monique Renault e outras animadoras do cinema de animação independente dos anos 70. Filha do Maio de 68 e desejosa de uma estética guiada pelas questões de gêneros, ela resistia ao “Betty Boopismo” e às representações de mulheres com enormes curvas e cílios. O corpo representado era chave nesse processo. Mas no que as singularidades da representação animada contribuíam para a construção desses corpos?

Resumo expandido

    A animação tem a capacidade singular de apresentar questões sociais complexas, tabus e sentimentos em formas subjetivas bem diferentes das que o live-action consegue proporcionar. Singularidades essas que podem dar bastante voz à subjetividade e à expressão pessoal do artista, podendo ser um caminho intenso para entender nosso mundo social sob outra perspectiva, mostrando coisas de uma forma que o “mundo real” não mostra. Representar imageticamente algo que não pode ser visto, representar o invisível e o espaço interno, conceitos abstratos e estados inimagináveis onde a subjetividade se faz muito presente.
    Com a consciência deste poder e impulsionada pelo movimento feminista e pelo movimento dos direitos civis na década de 1970, a animadora feminista franco-holandesa Monique Renault fazia animações em que experimentava e propunha novas formas e corporalidades animadas que transformavam as noções tradicionais de gêneros. Filha do Maio de 68 fugia da representação de corpos com enormes curvas e cílios e ironizava a virilidade da forma animada masculina. Novas corporalidades animadas essas que eram construídas através da ambigüidade, mutabilidade e que representavam as formas femininas como sujeitos e não como objetos narrativos marginais ou espetáculos eróticos, que ao mesmo tempo revelavam a relação de mulheres com seu próprios corpos, as percepções de seus espaços privados e públicos, suas identidades sociais e políticas dentro do espaço doméstico e profissional e relações entre sexualidade, desejo e criatividade. As corporalidades podiam variar desde uma simples linha animada solta no espaço, ambígua e altamente mutável (e que se transforma em diversas outras formas) até em corpos representados com formas mais semelhantes ao nosso “mundo real”.
    A fluidez e performatividade da linha, a criação de um design original, o engajamento com narrativas diferentes que desafiavam narrativas lineares da animação mais tradicional e a adoção de pautas altamente pessoais e sobre questões de gêneros, resultaram na politização direta de Monique Renault e outras animadoras no cinema de animação. A resistência ao “boopismo” (em referência a personagem Betty Boop), como ficou conhecido, era muito mais que apenas uma rejeição ao design altamente sexual do corpo feminino. Era uma resposta direta para as representações feitas através de códigos e formas ortodoxas e tradicionais, associadas aos códigos Disney e masculinos de composição e construção narrativa, pessoal, social e política. Também era o reconhecimento das possibilidades e tecnologias disponíveis para as mulheres na criação de novos corpos, códigos, gêneros e subjetividades uma vez que esses códigos tradicionais estavam sendo derrubados.
    É nesse sentido que a animação como linguagem era vista potencialmente como um vocabulário radical e uma tecnologia formadora de gêneros. Radicalidade, experimentalismo e irreverência eram palavras chaves ao movimento. Uma busca por novas linguagens e estéticas que se utilizavam das particularidades da técnica da animação, como a mutabilidade, a fluidez da forma e o poder de tornar visível o invisível, e que dificilmente são conquistadas através da imagem live-action. A representação do corpo passava então de mero objeto a sujeito, se afastando de representações eróticas e/ou papéis secundários, criando uma nova linguagem, novas formas e subjetividades fluídas e performáticas, criticando as tradições e preenchendo o buraco entre a representação e o referente. A representação não era meramente um processo de transmitir conhecimento ou experiência, mas era em si mesma o coração do dilema.
    É a partir deste parâmetro que pretendemos analisar Swiss Graffitti (1975), curta-metragem de animação de Monique Renault através do relacionamento dos campos teóricos do feminismo, do queer e do cinema de animação por Laura Mulvey, Teresa de Lauretis, Judith Butler, Paul Wells e Jayne Pilling.

Bibliografia

    BUTLER, J. Bodies that Matter: On the Discursive Limits of “Sex”. Nova York e Londres: Routledge, 1993
    LAURETIS, T. Technologies of Gender: Essays on Theory, Film and Fiction. Bloomington: Indiana University Press, 1989.
    MULVEY, L. Visual Pleasure and Narrative Cinema. Londres: Routledge, 1992.
    PILLING, J. Animating the Unconscious: Desire, Sexuality and Animation. Nova York: Columbia University Press, 2012.
    PILLING, J. A Reader in Animation Studies. Sydney: John Libbey & Company Pty Ltd: 1997.
    WELLS, P. Understanding Animation. Londres: Routledge, 1998.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM