Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Gabriela Kvacek Betella (UNESP)

Minicurrículo

    Bacharel em Letras (Italiano) pela USP, mestre e doutora pelo DTLLC-FFLCH-USP, com pós-doc no IEB-USP, professora assistente no DLM da FCL-UNESP-Assis, área de Língua e Literatura italiana. Sua atuação está voltada para os estudos das relações entre Literatura, História e Audiovisual, em projetos, grupos de pesquisa e no programa de pós-graduação de sua unidade, na linha de pesquisa Literatura Comparada e Estudos Culturais.

Ficha do Trabalho

Título

    Gêneros e fronteiras em Caro diario (Nanni Moretti, 1993)

Seminário

    Cinema e literatura, palavra e imagem

Resumo

    O sétimo longa de Moretti é analisado como gênero híbrido dotado de aparente autenticidade da autobiografia e da desenvoltura ficcional por meio de um rompimento com a objetividade e conservação de um ponto de vista narcísico. Reflexões políticas e éticas resultam da autoexposição como mecanismo estético, crítico e autocrítico. Verificamos a hibridização e a escrita autobiográfica articuladas no resultado tomado a partir da estabilidade dos gêneros dissolvida graças à afirmação da instabilidade.

Resumo expandido

    Se Bakhtin já havia antecipado uma pluralidade dos gêneros discursivos, capaz de aumentar com o desenvolvimento e com a complexidade da práxis humana, nada mais justo do que considerar a ampliação das noções de gêneros discursivos, literários e audiovisuais e levar em conta o conceito de gênero híbrido para todos os campos artísticos. Ainda como introito, é preciso considerar que alguns críticos argumentam que a arte é sempre autobiográfica, pois mesmo se não reproduz os fatos da existência do artista do modo como são percebidos por um observador externo, não por acaso mostra uma vida interior, pensamentos, emoções. Por outro lado, a teoria da narrativa nos ensina que nunca há coincidência total entre autor e personagem, nem mesmo na autobiografia.
    Sabemos que nas tendências autobiográficas contemporâneas a discursividade verbal atravessa os limites da confissão de si e aporta em estratégias de intertextualidade e práticas do ensaio, da autoficção, da metaficção. A composição criativa ganha melhores condições de ser assimilada pelos interlocutores, sejam leitores ou espectadores. A estrutura híbrida de depoimento, ficção, documentário, se enriquece com as inovações, rompe o convencional, contudo exige uma compreensão para além dessa estrutura visivelmente atraente com a subjetividade elevada à autenticidade.
    Nosso trabalho discute as intenções autobiográficas no cinema de Nanni Moretti (1953-), cineasta italiano da geração conhecida como “nova” ou “terceira onda”, cuja obra vem sendo tratada em termos de autobiografia e metacinema. Privilegiamos a análise do posto de narrador em Caro diario, de 1993, considerando o ensaio pessoal, o diário, o diário de viagem, as memórias e o romance autobiográfico como seus pares literários. Temos em vista a engenhosidade com a autenticidade, disposta a atender à necessidade de realidade, hábil em dar acesso à intimidade e a sanar alguma curiosidade, porém decidida a se manter na fronteira entre realidade e ficção. Propomos uma análise que desvenda as razões do rompimento com as pretensões de objetividade “realista”, “neutra” e a preferência pelo narcísico ponto de vista, do qual partem as agudas reflexões políticas e éticas, por sua vez colocadas com legitimidade. Investigamos a postura e o alcance da autoexposição como mecanismo estético, crítico e autocrítico.
    Moretti desafia a estabilidade dos gêneros e também interfere na instabilidade da hibridização dos mesmos, pois seus filmes afirmam-se como autobiográficos, mantendo a possibilidade de dialogar com várias produções e autores notadamente voltados para a crítica política, em momentos decisivos. O cinema italiano passou por uma crise no final do século XX, agravada pelo descaso dos órgãos governamentais, pela padronização da produção nacional e pelo descrédito em novos diretores, a despeito da situação provocar um refluxo ideológico na geração pós-68. Moretti conseguiu explorar esse inconsciente marcando sua filmografia com o domínio de uma intuição dos ânimos sobre uma nova forma. Assim, a discussão das próprias convicções pelos protagonistas fundiram sentimentos de uma época e, ao mesmo tempo, abordaram os novos modos de narrar no cinema, num percurso autorreferencial e metalinguístico que ainda leva em conta a nostalgia do passado e os estereótipos.
    A proposta aqui não é exatamente desvendar as intersecções autobiográficas nos filmes de Moretti, nem evidenciar o grau de intertextualidade, mas verificar como as noções de hibridização e de escrita autobiográfica se articulam com os seus filmes, sobretudo em Caro diario, no qual a palavra escrita costura os três episódios. Tentamos demonstrar que há modalidades instigantes, pois a trajetória do diretor vai levá-lo a abdicar de falar pelo outro e abrirá espaço para que este fale em primeira pessoa, referindo-se não a si, mas ao diretor. Tentamos explicar até que ponto a estabilidade dos gêneros é dissolvida pelo cinema de Moretti por meio de uma afirmação da instabilidade.

Bibliografia

    ARFUCH, L. O espaço biográfico: dilemas da subjetividade contemporânea. Trad. Paloma Vidal. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2010.
    BRUNETTA, G. P. Cent’anni di cinema italiano. Vol. 2: Dal 1945 ai nostri giorni.
    DE GAETANO, R. Nanni Moretti: Lo smarrimento del presente. Cosenza: Pellegrini, 2012.
    KLINGER, D. I. Escritas de si, escritas do outro: o retorno do autor e a virada etnográfica. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2007.
    MAZIERSKA, E. e RASCAROLI, L. Il cinema di Nanni Moretti: sogni e diari. Roma: Gremese, 2006.
    MICCICHÉ, L. “Ecce bombo” di Nanni Moretti. In: _____. Cinema italiano degli anni ’70. 2. ed. Venezia: Marsilio, 1989, p. 294-295.
    PAGANO, A. S. Gêneros híbridos. In: MAGALHÃES, C. M. (org.) Reflexões sobre a análise crítica do discurso. Belo Horizonte: UFMG, 2001, pp.
    Qualcosa di sinistra (Wolfgang Achtner, 2007).

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM