Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Catarina Laranjeiro (CES-FEUC)

Minicurrículo

    Catarina Laranjeiro (Guimarães, 1983). Estudou Psicologia (licenciatura) e Antropologia Visual (mestrado) e actualmente é doutorando em Pós-Colonialismo e Cidadania Global na Universidade de Coimbra. Desde 2006 tem colaborado em diferentes projetos de intervenção social e artística na Cova da Moura, Intendente e 6 de Maio.  Em 2009/2010 esteve na Guiné-Bissau a trabalhar em Educação para o Desenvolvimento. Realizou o filme Pabia di Aos.

Ficha do Trabalho

Título

    Quem filma hoje o Estado-nação na Guiné-Bissau?

Seminário

    Cinemas em português: aproximações – relações

Resumo

    “O Regresso de Cabral” foi filmado por Sana N’Hada em 1978, podendo ser considerado um filme de propaganda do I Governo da Guiné-Bissau. “A Lei da Tabanca” é um filme amador realizado por Bigna Tona, sem qualquer apoio financeiro. Se o primeiro é um filme que ativa mecanismos para a construção da Guiné-Bissau enquanto Estado-Nação, partilhando repercussões ideológicas com o governo-partido da época, o segundo procura denunciar o papel regulador e opressor do Estado que se mantém até hoje.

Resumo expandido

    No contexto das lutas de libertação, diferentes estadistas compreenderam que o cinema constituía uma ferramenta poderosa para a construção da memória identitária das nações que lutavam pela sua autonomia, tendo-se tornado num componente essencial nas lutas que marcaram o fim do colonialismo. Destaca-se que este encontro começou no momento da descolonização e continuou no pós-independência, quando muitos dos novos Estados africanos tomaram o cinema como uma forma de expressão política da sua soberania no plano simbólico. O cinema africano emergiu por uma vontade de realismo social, de educação moral e política e de reabilitação cultural, numa altura em que estava tudo por fazer no sentido de recusar o exotismo e a alienação colonial. Foi neste contexto que quatro jovens guineenses foram enviados pelo movimento de libertação, o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde) para estudar cinema em Cuba em 1968. Pretendia-se assim que a nação guineense fosse projetada no imaginário colectivo através de processos de representações sociais que o cinema convoca.

    Após a independência da Guiné-Bissau foi criado o Instituto Nacional de Cinema da Guiné-Bissau (INCA). Quando Sana N’Hada foi contemplado com uma bolsa sueca para realizar um filme, decidiu documentar as cerimónias fúnebres em honra de Amílcar Cabral na cidade de Bissau durante a transladação do corpo de Conacri, onde tinha sido assassinado a 20 de Janeiro de 1973. O filme “O Regresso de Cabral” é assim o regresso do líder da luta de libertação através do discurso fílmico. Cabral surge como uma figura messiânica na qual reside toda a força política e anímica da construção do novo país soberano e independente. A ideia de um líder carismático que reunia o consenso da população foi essencial para a afirmação e legitimação da luta de libertação no contexto internacional. Tendo o líder sido assassinado havia que garantir a perpetuação da sua influência através do ritual fúnebre, que por sua vez foi perpetuado através do discurso fílmico. Desta forma, o corpo morto de Cabral foi encouraçado e contaminado por símbolos materiais e imateriais que tinham como objectivo facilitar a sua incorporação na memória colectiva através da enunciação indireta das mitologias associadas à luta de libertação e ao novo Estado-nação que sobre esta se fundava. Permite-nos assim aceder ao imaginário nacional idealizado pelo PAIGC e de como através dos rituais fúnebres do seu líder histórico foi acionada uma visão política que se procurava legitimar a opção política escolhida pela liderança do movimento. Considero que este foi um dos instrumentos que possibilitou impor um projeto político que pretendia alcançar a mesma identidade nacional entre dois países com histórias sociais e políticas muito distintas, sendo no caso particular da Guiné-Bissau, existem ainda inúmeras diferenças entre os 27 grupos étnicos que compõe o território. Por sua vez, o filme “A Lei da Tabanca” evidencia como o projeto de Estado-nação guineense desafia radicalmente o reconhecimento e a integração do pluralismo de posições e a diversidade sociocultural, princípio básico para ampliar a participação democrática, ao tornar visível uma pluralidade de identidades que constituem a Guiné-Bissau contemporânea que ultrapassam as memórias do projeto nacionalista avançado pela direção do PAIGC. A convocação destas identidades emerge como um possível meio para compreender as múltiplas rupturas e conflitos e o seu contributo para a construção de uma identidade que não quis ser singular. E talvez assim se obtenham algumas pistas sobre as razões que transformaram a delimitação de fronteiras e as políticas de pertença e cidadania em espaços de instabilidade política permanente.

Bibliografia

    Bhabha, Homi (2005), O Local da Cultura. tradução de Myriam Ávila et al, Belo Horizonte: Editora UFMG.

    Cabral, A. (1974) Guiné-Bissau: a nação africana forjada na luta, Lisboa: Nova Aurora.

    Diawara, Manthia (2011) Cinema Africano: Novas formas estéticas e políticas, Sextante Editora.

    Didi-Huberman, Georges (2012), Imagens Apesar de Tudo. KKYM, Lisboa. Portugal.
    Gil, José (1996), A Imagem Nua e as Pequenas Percepções. Lisboa: Relógio d’água.

    Santos, Boaventura de Sousa (2002), “Para Uma Sociologia das Ausências e uma Sociologia das Emergências”, Revista Crítica de Ciências Sociais, (63), 237-280.

    Sousa, Julião Soares “O Fenómeno Tribal, o Tribalismo e a Construção da Identidade Nacional” in Torgal et. al (eds) (2008), Comunidades Imaginadas: Nações e Nacionalismos em África, Imprensa da Universidade de Coimbra.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM