Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    ANA LUCIA DE ALMEIDA SOUTTO MAYOR (EPSJV/FIUOCRUZ)

Minicurrículo

    Doutora em Literatura Comparada pela UFF (2006), atualmente é pesquisadora em saúde pública na EPSJV/FIOCRUZ, trabalhando com as relações entre iniciação científica e as linguagens de arte. Atua nos seguintes temas: literatura, cinema, narrativas poéticas e educação. Desde 2007, participa do grupo CINEAD (Cinema para aprender e desaprender) e, desde 2009, também do projeto “Currículo e Linguagem Cinematográfica na Educação Básica”, coordenado pela Profa. Dra. Adriana Fresquet (FE/UFRJ).

Coautor

    Maria Cristina Miranda da Silva (UFRJ)

Ficha do Trabalho

Título

    “ACABOU A PAZ: ISTO AQUI VAI VIRAR UM FILME!”

Seminário

    Cinema e educação

Resumo

    O objetivo central deste trabalho é o de pensar as relações entre cinema e educação, tomando o documentário “Acabou a paz: isto aqui vai virar o Chile” (2016), dirigido por Carlos Pronzato. Partindo das reflexões de Jean-Louis Comolli acerca do cinema documentário, pretende-se analisar a educação do olhar como gesto ético, estético e político, apontando algumas possibilidades exploratórias desta narrativa no contexto das salas de aula de educação básica

Resumo expandido

    A linguagem cinematográfica, em suas especificidades expressivas, singulariza-se, entre outros aspectos, por sua capacidade de “capturar” o espectador, na medida em que mobiliza seus sentidos, levando-o, potencialmente, a uma experiência de imersão na sala de cinema. Desde sua invenção, o cinema revelou uma potência intrínseca à sua própria linguagem: envolver o espectador de maneira intensa e totalizante, levando-o, por meio das imagens em movimento, a vivenciar realidades, muitas vezes, bastante distintas e distantes de seu próprio mundo.
    De modo mais específico, o documentário, pensado como um campo de tensões e compromissos particulares do cinema, assume – em que pesem inovações e desafios cada vez mais instigantes, notadamente àqueles afeitos às suas relações com o cinema de ficção – um lugar privilegiado de encontro com o real e com o tempo histórico, ainda que saibamos ser impossível escapar da subjetividade contingente ao olhar de quem se dispõe a registrar o mundo à sua volta.
    A advertência de Comolli (2001) acerca do “risco do real” aponta para sua natureza, de certa maneira, instável, uma vez que, dada sua aderência à superfície dos fatos, não se pode assegurar, com precisão, suas condições de execução, já que a dinâmica dos acontecimentos, muitas vezes, se sobrepõe à tentativa de mapear e registrar, pelas imagens em movimento, os objetos da própria realização documentária. Além disso, chama atenção para o fato de que, mais do que as condições de financiamento e difusão do filme, o que está em jogo no cinema documentário é o seu próprio objeto, isto é, que grupos, movimentos, indivíduos ou questões se pretendem abordar.
    Essas considerações iniciais a respeito do cinema documentário ancoram-se no desejo de analisar e discutir o documentário “Acabou a paz, isto aqui vai virar o Chile” (2016), dirigido por Carlos Pronzato – também diretor de “A rebelião dos pinguins” (2007), sobre o movimento dos secundaristas no Chile -, pensando em possibilidades exploratórias no contexto da educação básica.
    A narrativa cinematográfica dirigida por Carlos Pronzato aponta para as relações intrínsecas entre o cinema documentário e a memória, tomada tanto do ponto de vista histórico e coletivo, como no âmbito individual e particular. No caso do filme em questão, interessa-nos examinar, de maneira mais específica, o caráter coletivo do movimento dos secundaristas, ainda que, como veremos ao longo de nossa análise, haja uma valorização dos estudantes como sujeitos, em suas singularidades, porta-vozes de suas próprias narrativas sobre a realidade que habitam.
    Para Benjamin (1998, p.229), “a história é objeto de uma construção cujo lugar não é o tempo homogêneo e vazio, mas um tempo saturado de agoras.“ Podemos dizer, considerando o documentário de Pronzato e também suas relações com outras narrativas fílmicas – inscritas no próprio documentário – que o cinema pode ter o papel de atualização do presente, do agora, por meio do relatado, do que é revivido. Trata-se de dar a ver “acontecimentos lembrados” como “chaves” para aquilo que veio antes e pode vir depois.” (BENJAMIN, 1998:37). Nesse sentido, “Acabou a paz…” é como um lampejo na memória entre as diferentes gerações, justo nesse contexto em que a muralha ideológica pretende apagar a história, remetendo o trabalho ao início do século XIX, em que todas as relações eram com os indivíduos, inexistiam contratos de trabalho, associações e sindicatos, lutas coletivas, forjadas coletivamente.
    De certa forma, o filme de Pronzato nos apresenta também uma possibilidade de reflexão sobre o próprio cinema e sobre como os jovens vêm sendo sensibilizados (ou não) na escola na educação do seu olhar. Nesse sentido, a imagem cinematográfica revela-se como potência desdobrada do realidade, fazendo da educação do olhar um gesto ético, estético e político de dar a ver o mu

Bibliografia

    BENJAMIN, Walter. “Sobre o conceito da História”. In: Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. 7. ed. – São Paulo: Brasiliense, 1994. – (Obras escolhidas; V. 1)
    BENVINDO, Antonio Carlos Silva. “O Rap brasileiro e o dilema da visibilidade midiática”. In: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Recife, 2011.
    COMOLLI, Jean-Louis. “Sob o risco do real”. Publicado originalmente no site www.diplomatie.gouv.fr. Traduzido por Paulo Maia e Ruben Caixeta de Queiroz. Publicado no catálogo do fdorumdoc.bh.2001.
    SOUZA, Gustavo. “Uma jornada para o espectador: crer, não crer, crer apesar de tudo. In: MATRIZes. Ano 2 – No. 2 primeiro semestre de 2009.
    ZIBAS, Dagmar M. L. “A Revolta dos Pingüins” e o novo pacto educacional chileno”. In: Revista Brasileira de Educação. v. 13 n. 38 maio/ago. 2008. Pp. 199-220.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM