Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    André Guimarães Brasil (UFMG)

Minicurrículo

    Doutor pela ECO/UFRJ (estágio doutoral na Universidade Paris 8), André Brasil é professor do Departamento de Comunicação da UFMG, onde integra o corpo docente da Pós-Graduação. Pesquisador do CNPq, participa do Grupo de Pesquisa Poéticas da Experiência e da equipe de editores da Revista Devires – Cinema e Humanidades. Realiza o pós-doutorado junto ao Centro de Mídia, Cultura e História (New York University), dedicando-se ao estudo comparativo dos cinemas indígenas no Brasil, EUA e Canadá.

Ficha do Trabalho

Título

    Caçando capivara: com o cinema-morcego dos Tikmu’un (Maxakali)

Seminário

    O comum e o cinema

Resumo

    Na comunicação, abordo o filme Caçando capivara (2009), realizado pela comunidade tikmu’un (maxakali) da Aldeia Vila Nova, em Minas Gerais, atentando-me ao modo como traços do xamanismo tikmu’un inscrevem-se concretamente nas imagens. O filme acompanha um grupo de caçadores (cineastas-caçadores, caçadores-cineastas) que, junto aos yãmiyxop (povos-espíritos com os quais mantêm aliança), saem em busca da capivara, animal tornado raro na região, outrora rica em diversidade. Para que a quase impossibilidade da caçada se transforme em possibilidade, é preciso que a dimensão fenomenológica do cinema se altere, seja habitada, por uma dimensão cosmológica; que a paisagem desertificada seja povoada por afetos, agências e seres existentes e extintos, visíveis e invisíveis. Tomando emprestada sua dinâmica aos cantos xamânicos dos Tikmu’un, Caçando capivara sugere a possibilidade de um “cinema-morcego”, que aciona, quem sabe, uma outra modalidade de visão.

Resumo expandido

    Ainda que permita denunciar a triste situação social a que estão submetidos os Tikmu’un, Caçando capivara, filme realizado pela comunidade da Aldeia Vila Nova, em Minas Gerais, porta um outro gesto, tão ou mais contundente. Trata-se de, em meio à homogênea paisagem da monocultura, reencontrar os afetos que constituem a experiência tikmu’un: afetos que o filme busca nos cantos, nos animais, nas crianças e nos yãmiy – povos-espíritos com os quais estabelecem relação de troca, conhecimento e aliança.
    A imagem será então o lugar de encontro entre história e mito: se, por um lado, nos deparamos atônitos com a experiência de escassez e cerceamento a que este povo foi submetido, de outro, percebemos como, ao ser transfigurada por uma rica cosmologia, a terra desolada da história pode manter-se abrigo de uma multiplicidade de forças e formas de vida. Os planos-sequência que abrem caminho no denso matagal cifram esse duplo caráter do filme: a aparente monotonia da imagem do capinzal vai-se revelando e se modulando por dentro; também o som contínuo do percurso dos caçadores varia com as vozes, murmúrios, rumores, assovios e piados. E então, é todo o filme que, em sua economia de recursos, vai se tomando por essa riqueza, em uma cena variável e relacional entre homens, animais e espíritos. Ainda que o filme se apresente de modo bastante econômico, em uma espécie de realismo opaco, precário, frágil, forjado na escassez, é notável como, ao longo do percurso, a paisagem tenha se povoado de tantos e diversos seres existentes ou extintos, todos eles, em algum momento, sujeitos do ponto de vista e da enunciação: os cães, a anta, o veado, o boi, o passarinho, po’op (povo-macaco-espírito), xunin (povo-morcego-espírito), mõgmõka (povo-gavião-espírito), as mulheres, as crianças, os peixinhos, a mandioca, a capivara.
    Em Caçando capivara, as duas atividades – caçar e filmar – são assumidas pelas mesmas pessoas; Derly e Marilton são cineastas-caçadores (caçadores-cineastas) que não apenas se desdobram entre uma e outra tarefa: eles filmam como caçadores e caçam como cineastas. Por isso, caçadores, não se furtam a narrar, no interior da cena, a experiência da qual são parte; e, por isso, cineastas, estão imersos na experiência da caçada, corpos afeitos à andança no brejo ou ao rastreamento de uma capivara submersa e conhecedores dos protocolos que ligam os humanos aos animais, à paisagem e aos espíritos. Percepção e sensibilidade de caçadores serão então responsáveis, ao menos em parte, pela alteração do plano, por sua transformação em um agenciamento de forças e afecções.
    Não é à toa que os sons ganhem proeminência e, juntamente com a duração da imagem, provoquem a abertura do enquadramento para além dos limites do olhar. A imagem-escuta nos convoca a perceber uma trama sensível de ruídos, no interior da qual se misturam os diálogos breves e fragmentários dos caçadores, assim como sua risadas.
    Entoados pelos yãmiyxop na sequência de abertura, os cantos pontuam o percurso dos caçadores: não sabemos bem de onde vêm as vozes. Foram acrescentadas posteriormente às imagens? São cantos entoados (ou ouvidos) pelos caçadores em seu caminho? São extra ou intradiegéticos? Os cantos sugerem uma voz over de espécie diferente, inusitada: é como se viessem de um espaço virtual, nem totalmente interior, nem totalmente exterior, mas transversal à cena.
    Integrando-se parcialmente à experiência cosmológica do grupo, realizado por caçadores-cineastas (cineastas-caçadores), o filme cria-se, entre outros, sob o abrigo dos xunin, povo-morcego-espírito. Recusando-se a se submeter aos limites do plano, as imagens menos perspectivam o mundo do que se deixam afetar e alterar por ele. Nesse sentido, são imagens cegas, a guiar-se pelos cantos, pelos sons e suas mínimas variações, pelos eventos, muitos deles, nas bordas do não-ver. Imagens-escuta que acionam, quem sabe, outra modalidade de visão.

Bibliografia

    ROMERO, Roberto. A Errática tikmu’un_maxakali: imagens da Guerra contra o Estado. (Dissertação de Mestrado apresentada junto ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFRJ, 2015).
    ROSSE, Eduardo Pires. E kõmãyxop vem visitar um livro. In: Maxakali, T; Rosse, E.P. (orgs.). Kõmãyxop – cantos xamânicos maxakali/tikmu’un. Rio de Janeiro: Museu do Índio, 2011.
    TUGNY, Rosângela. Filhos-imagens: cinema e ritual entre os Tikmu’un. In: Revista Devires – Cinema e Humanidades, Belo Horizonte, UFMG, v.11, n.2, jul./dez.2014, p.154-179.
    TUGNY, Rosângela (org.); narradores, escritores e ilustradores tikmu’un da Terra Indígena do Pradinho. Cantos e Histórias do Morcego-Espírito e do Hemex. Rio de Janeiro: Azougue Ed., 2009.
    TUGNY, Rosângela (org.); narradores, escritores e ilustradores tikmu’un da Terra Indígena de Água Boa. Cantos e Histórias do Gavião-Espírito. Rio de Janeiro: Azougue Ed., 2009.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM