Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Antonio Marcos Aleixo (FFLCH-USP)

Minicurrículo

    Doutor em “Estudos Linguísticos e Literários em Inglês” (FFLCH-USP)
    Participações na SOCINE:
    2009 – “Nashville: a resistência ao espetáculo a partir da apropriação da técnica expressiva”.
    2010 – “A “Hollywood Rennaissance” e o cinema radical de Robert Altman”.
    2013 – “Hillbilly: a persistência de uma imagem no cinema norte-americano”.
    2015 – “Robert Altman: um Van Gogh lúcido no turbilhão hollywoodiano”.

Ficha do Trabalho

Título

    Convergências com a Psicanálise no foco narrativo de Beleza Americana

Resumo

    Em uma convergência entre a psicanálise e as técnicas analíticas oriundas da crítica de cinema, efetuamos, na presente comunicação, a análise do foco narrativo de Beleza Americana (Sam Mendes, 1999), o qual interpretamos como o resultado formal de um “olhar melancólico”. Nosso objetivo é expor alguns passos dessa análise, de modo a ressaltar um “saber” depositado no ponto de vista que o filme constrói.

Resumo expandido

    Lançado em 1999, Beleza Americana (American Beauty, Sam Mendes) retrata uma classe-média norte-americana constituída por relações inter-subjetivas reguladas a partir de valores componentes de um sistema narcisista ampliado em escala social. A célula dramática do tecido ficcional é uma tríade edipiana clássica (pai-mãe-filha), cuja orientação triangular serve de modelo à disposição das outras peças que adensam o tecido da narrativa. No presente trabalho, proponho discutir este sistema de relações, abordando-o em um movimento que transita da estruturação do ponto de vista narrativo para as formas que ele gera, de modo a trazer à tona uma imagem que, a meu ver, constitui um “saber melancólico”.

    Logo na sequência de abertura, descobrimos que nosso contato com o relato será mediado por uma consciência narrativa. Trata-se de um narrador em primeira pessoa, gozando de um considerável nível de onisciência, o que, no plano formal, está registrado como uma relativa liberdade de movimento de seu olhar e de sua voz “sem corpo” e, no plano temático, por uma posição subjetiva peculiar (a revisão de sua biografia no instante mortal), o que lhe confere um conhecimento privilegiado de sua situação presente e futura.

    A relação que se estabelece entre narrador e espectador, no nível do “contrato de leitura”, se sustenta sobre um mecanismo similar à identificação psíquica, por meio do qual o espectador é levado a adotar o ponto de vista do narrador, assimilando suas impressões, seus afetos e seus julgamentos. No que tange à focalização, o relato em primeira pessoa é fortemente distorcido por “projeções fantasmáticas do narrador”, atualizadas na forma de interpolações de devaneios dramatizados na cadeia de enunciados narrativos e da incorporação de elementos simbólicos e metafóricos (as pétalas de rosa e a onipresença da cor vermelha) na composição visual das cenas.

    A multiplicação de tais projeções opera um deslocamento na esfera de interesse do relato, do conteúdo narrado para a situação narrativa. Ou seja, conforme descobrimos que o narrador não apenas distorce seus enunciados para gratificar suas pulsões, mas também que se encontra em uma situação narrativa precária, na qual essas pulsões se tornaram capazes de exercer uma pressão exigente perturbadora, o espectador vai deslocando sua atenção das imagens e cenas apresentadas para o ponto de vista que as constrói.

    A partir de então, cabe questionar o modo de construção e veiculação desse ponto de vista. Uma hipótese possível é oferecida pela teoria psicanalítica de uma relação de identificação melancólica entre sujeito e objeto: enquanto voz e olhar desancorados, o narrador é sujeito da narração, o eu-épico de onde emana a tessitura ficcional; enquanto personagem central do relato, ele pode ser também objeto da narração, sujeito objetivado. Além disso, na medida em que esse ponto de vista não pode, por conta da “não-confiabilidade” auferida por sua situação, aspirar à neutralidade necessária à representação objetiva, ele deve, necessariamente, produzir uma visão parcial, limitada, distorcida, de objetos e acontecimentos. Isso não significa que seu relato não tenha interesse para o espectador; muito pelo contrário, é justamente por isso que ele pode nos ensinar algo: embora o narrador de Beleza Americana não possa construir uma “ciência” da experiência social norte-americana, se por isso entendermos uma tradução rigorosa e metodológica de objetos cientificamente determinados, ele se empenha em construir um discurso a respeito dessa experiência. Enfim, um discurso que busca apossar-se da experiência inconscientemente vivida, elaborando-a associativamente, de modo a encaminhar uma transformação; eis um sentido em que a Psicanálise utiliza a palavra “saber”.

Bibliografia

    CHATMAN, Seymour. Story and Discourse: narrative structure in fiction and film. New York: Cornell University, 1978.

    CHION, Michel. Audio-Vision: sound on screen. Trad. Claudia Gorbman. New York: Columbia University Press, 1990.

    FREUD, Sigmund. Formulações sobre os dois princípios do funcionamento mental (1911). In:_________ O Caso Schreber, Artigos Sobre Técnica e outros trabalhos (1911 – 1913). Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 231 – 244

    FREUD, Sigmund. Luto e Melancolia (1917 [1915]). In:_______ A História do Movimento Psicanalítico, Artigos sobre a Metapsicologia e outros trabalhos (1914 – 1916). Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 243 – 263

    FREUD, Sigmund. Psicologia de grupo e análise do ego (1921). In:________ Além do Princípio de Prazer, Psicologia de Grupo e outros trabalhos (1920 – 1922). Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 78 – 154

    LEITE, Ligia Chiappini Moraes. O Foco Narrativo (ou a polêmica em torno da ilusão). São Paulo: Ática, 2006.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM