Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Fabián Rodrigo Magioli Núñez (UFF)

Minicurrículo

    Professor adjunto do Departamento de Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense (UFF). Sua formação acadêmica foi inteiramente realizada na UFF: Bacharel em Comunicação Social (Habilitação em Cinema), em 2000; Mestre em Comunicação, Imagem e Informação, em 2003, e Doutor em Comunicação, em 2009. Seus temas de interesse são: cinema latino-americano, cinema brasileiro, história do cinema, crítica cinematográfica e preservação audiovisual.

Ficha do Trabalho

Título

    O ‘roto’ na tela: o tipo popular urbano no cinema clássico chileno

Seminário

    Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais

Resumo

    A produção cinematográfica chilena em seu período clássico não é muito diferente de outras cinematografias latino-americanas. Podemos encontrar uma forte interrelação entre a imprensa, o teatro de revista e as estrelas do rádio com a produção cinematográfica chilena. Também é semelhante a forte rejeição, por parte da elite intelectual e social, às produções locais de êxito comercial. O nosso objetivo é estabelecer uma análise de dois filmes protagonizados pelo comediante Eugenio Retes, egresso do teatro de revista dos anos 1930, célebre por encarnar a figura do ‘roto’ no cinema chileno: “Uno que ha sido marino” (1951) e “El Gran Circo Chamorro” (1955), ambos de José Bohr. Nosso propósito é refletir como o personagem popular urbano é encarado nessas comédias dos anos 1950, a partir do entendimento de que a figura do ‘roto’ chileno pode ser interpretada como uma voz dissonante e contestadora ao processo de modernização conservadora sofrido pela sociedade chilena no século XX

Resumo expandido

    Santa Cruz Achurra, ao estudar a representação do nacional-popular no cinema chileno dos anos 1940, década considerada áurea dessa cinematografia durante o período clássico, constata a diminuição de filmes históricos, gênero comum na produção silenciosa, e o grande sucesso de comédias e melodramas com sequências musicais, em cujos filmes podemos encontrar o protagonismo de personagens populares. Tais filmes abordam tanto o ambiente rural quanto o urbano. Assim, a figura do popular presente nas telas é encarnada sob as duas personas típicas da chilenidade: o ‘huaso’ e o ‘roto’. Simultaneamente, ao longo da década de 1940, assistimos ao principal esforço para erguer uma indústria cinematográfica nacional, com forte auxílio do Estado: a Chile Films. Também podemos constatar uma aproximação de gêneros com a produção cinematográfica mexicana, que gozava de ampla popularidade em terras latino-americanas, o que não era exceção no Chile. A guisa de conclusão, Santa Cruz Achurra sublinha uma presença maior de elementos do campo na produção cinematográfica chilena dos anos 1940, enquanto que, desde a década anterior, o país começava a sofrer um forte êxodo rural em direção aos centros urbanos, além de uma presença maior das camadas populares urbanas no âmbito político, organizados em sindicatos e nos partidos de esquerda. Em tom mais de formulação de hipóteses do que de afirmações categóricas, Santa Cruz Achurra se questiona “Por que o ‘huaso’ e não o ‘roto’? Para compensar simbolicamente a falta de inclusão dos setores rurais no modelo industrializador? (…) Por que o ‘huaso’ simbolizava o povo são e bom, infantil e inocente, ainda não envenenado por agitadores? Por que a negação em se reconhecer no urbano e no moderno?”
    A nossa intenção não é responder a tais questões, pois como o próprio Santa Cruz Achurra ressalta, seria necessária uma profunda pesquisa para esse empreendimento. No entanto, a nossa proposta parte de tais questões, embora nos foquemos na década seguinte, nos anos 1950, considerado um dos períodos mais turvos da cinematografia chilena em termos de produção, após a derrocada do sonho industrial de Chile Films. Por outro lado, são anos considerados chaves pela historiografia do cinema chileno, pois é nessa década que surgem as bases de um cinema social e político no âmbito documental. Em termos políticos, a década de 1950 é ambiguamente marcada no Chile por atos repressivos, como a perseguição aos comunistas, e pelo ideário desenvolvimentista. Portanto, o nosso estudo se volta basicamente à figura do ‘roto’, uma vez que a nossa preocupação é o universo urbano e como as suas transformações sociais são abordadas no cinema chileno. Por outro lado, não podemos esquecer que a sombra do desastre da Chile Films é um fantasma que ronda a cabeça desses cineastas.
    A produção cinematográfica chilena em seu período clássico não é muito diferente de outras cinematografias latino-americanas. Podemos encontrar uma forte interrelação entre a imprensa, o teatro de revista e as estrelas do rádio com a produção cinematográfica chilena. Também é semelhante a forte rejeição, por parte da elite intelectual e social, às produções locais de êxito comercial. Nesse sentido, é impressionante a radical diferença entre as pretensiosas obras da Chile Films e essa produção de apelo popular. Portanto, o nosso objetivo é estabelecer uma análise de dois filmes dos anos 1950 protagonizados pelo comediante Eugenio Retes, egresso do teatro de revista dos anos 1930, célebre por encarnar a figura do roto no cinema chileno: “Uno que ha sido marino” (1951) e “El Gran Circo Chamorro “(1955), ambos de José Bohr. Nosso propósito é refletir como o personagem popular urbano é encarado nessas comédias dos anos 1950, a partir do entendimento de que a figura do ‘roto’ chileno pode ser interpretada como uma voz dissonante e contestadora ao processo de modernização conservadora sofrido pela sociedade chilena no século XX.

Bibliografia

    BRAGANÇA, M. “Cantinflas e Mazzaropi: um peladito e um caipira no descompasso do bolero e do samba”. 2003. 140f. Dissertação (Mestrado em Comunicação, Imagem e Informação) – Instituto de Arte e Comunicação Social, Universidade Federal Fluminense, 2003.

    GUTIÉRREZ, H. Exaltação do mestiço: a invenção do ‘roto’ chileno. In. “Esboços – Revista do Programa de Pós-Graduação em História da UFSC”. Florianópolis, n. 20, jun.- dez. 2008. pp. 139-153.

    SANTA CRUZ ACHURRA, E. In. Entre huasos y rotos. Identidades en pantalla: el cine chileno en la década de los 40. In. BARRIL R., C.; SANTA CRUZ G., J. (Org). “El cine que se fue: 100 años de cine chileno”. Santiago: Arcis, 2011. pp. 130-8.

    SANTA CRUZ G. J. José Bohr y un cine ausente. In. BARRIL R., C.; SANTA CRUZ G., J. (Org). “El cine que se fue: 100 años de cine chileno”. Santiago: Arcis, 2011. pp. 42-0

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM