Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Cristina Teixeira Vieira de Melo (PPGCOM/UFPE)

Minicurrículo

    Professora do Departamento e da Pós-graduação em Comunicação da UFPE. Doutora em linguística pelo IEL/Unicamp. Mestre em linguística pelo PPGL/UFPE.

Ficha do Trabalho

Título

    A bela e a boa morte na TV, transmutações do corpo

Resumo

    Time of death (2013) é uma série documental de seis episódios do Showtime. Câmeras registram os últimos dias de vida e a hora da morte de oito doentes terminais. Analisamos como os procedimentos narrativos utilizados pelo programa demonstram/justificam a sua missão “humanista” e simultaneamente/concorrentemente correspondem às expectativas do espetáculo midiático que necessariamente o é. Para tanto, tensionamos a figura da “boa morte”, ideário da medicina paliativa que está na base conceitual de Time of death, com outras “figuras da morte”, seja a da “bela morte” personificada pelo herói grego ou a morte do herói romântico. Interessa-nos verificar até que ponto o programa convoca cenas típicas do que é considerado uma “bela morte” – “a luta e a morte no campo de batalha”, “a morte junto aos familiares”, “a morte nos “braços da amada”, “a verdade das últimas palavras”, etc. – fazendo-as coincidir com os gestos, as performances, as mise en scène dos personagens.

Resumo expandido

    Time of death (2013) é uma série documental de seis episódios produzida pelo canal de TV por assinatura norte-americano Showtime. As câmeras registram os últimos dias de vida de oito doentes terminais junto a seus familiares, amigos e aos profissionais de saúde que os acompanham. O programa difere por demais de outros gêneros televisivos que costumam representar a morte. Sabe-se que embora pertencentes a campos distintos, respectivamente o da informação e o do entretenimento, os programas policiais e os filmes de terror investem numa superexposição do corpo morto, retratando a morte de forma violenta e, por vezes, grotesca. Os telejornais, por sua vez, costumam suprimir o corpo do cadáver, a exceção é a cobertura que realizam da morte de figuras públicas. As telenovelas e outros programas de cunho melodramático, quando comparados aos telejornais, parecem sofrer menos constrangimentos para mostrar a doença e a morte. Mas, no geral, não costuma-se ver nesse tipo de narrativa a degenerescência do corpo físico. A personagem doente termina se curando ou consegue adaptar-se às suas novas limitações. Já em Time of death todos os protagonistas morrem ao final. O próprio título da série evidencia isso. A morte não é algo incidental na vida das pessoas retratadas; ao contrário, o início da narrativa audiovisual se dá no momento mesmo do anúncio de que a morte de cada uma se aproxima. O horizonte de expectativa de vida é mínimo. Morte anunciada, as câmeras passam a publicizar aquilo que no geral se quer esconder: a decrepitude do corpo e a morte. O programa suscita questionamentos vários de natureza ética: Por que dar a ver algo que para a sociedade contemporânea tornou-se um interdito? Por que mostrar a degradação do corpo e a morte do outro? Por que o outro, por sua vez, se deixa filmar em tal estado? Parte dessas perguntas, os próprios participantes respondem. Na esteira do que preconiza o ideário da medicina paliativa, enfermos, familiares e cuidadores alegam que é necessário tratar a morte como parte da vida, aceita-la, falar sobre ela, torna-la visível. Esse discurso sobre o morrer e a morte se alia a práticas de “humanização” do tratamento de doentes terminais que buscam proporcionar-lhes uma “morte digna”, a chamada “boa morte”. Isso implica ter à disposição do doente uma equipe multidisciplinar que possa cuidar da pessoa como um todo, controlando os sintomas da doença, evitando que sinta dor, dando-lhe suporte emocional, social e espiritual, bem como a seus familiares. A “boa morte” retoma o ritual de se morrer em casa, próximo de parentes e amigos. O moribundo não fica isolado. A medicina paliativa almeja a produção de uma cena tranquila, pacífica e visível em torno da morte. Tal construção consiste numa postura de aceitação do término da vida. Ainda segundo o modelo paliativista, o morto deve deixar uma marca singular para seu círculo social. Nesse contexto, a cena final é construída para se tornar uma lembrança para os que permanecem vivos. A partir dessas considerações sobre a medicina paliativa e sua ideia da “boa morte” (Menezes e Barbosa, 2013), buscamos analisar como os procedimentos narrativos (enquadramentos, planos, montagem, mise en scène, etc.) presentes em Time of death demonstram/justificam a missão “humanista” do programa e simultaneamente/concorrentemente correspondem às expectativas do espetáculo midiático que necessariamente o é. Para tanto, tensionamos a figura da “boa morte” acima descrita com outras “figuras da morte”, seja a “bela morte” personificada pelo herói grego (Vernant, 1977) ou a morte do herói romântico. Enfim, interessa-nos verificar até que ponto Time of death convoca, reivindica cenas típicas do que é considerado uma “bela morte” – “a luta e a morte no campo de batalha”, “a morte junto aos familiares”, “a morte nos “braços da amada”, “a verdade das últimas palavras”, etc. – fazendo-as coincidir com os gestos, as performances, as mise en scène dos personagens.

Bibliografia

    ARIÈS, Philippe. História da Morte no Ocidente. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.

    ELIAS, Norbert. A solidão dos moribundos seguido de envelhecer e morrer. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

    MENEZES, Rachel Aisengart; BARBOSA, Patrícia de Castro. A construção da “boa morte” em diferentes etapas da vida: reflexões em torno do ideário paliativista para adultos e crianças. In: Ciência & Saúde Coletiva, 18(9): 2653-2662, 2013.

    VERNANT, Jean-Pierre. A bela morte e o cadáver ultrajado. São Paulo: USP. 1977.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM