Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Fabiana Rodrigues (PUCPR)

Minicurrículo

    Graduada em Letras pela UFPR, especialista em língua portuguesa, mestre e doutoranda em Comunicação e Linguagens pela UTP. Atualmente é professora assistente do departamento de Educação e Humanidades da PUCPR. Também é integrante pesquisadora do GP – GRUDES – Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano – na UTP.

Ficha do Trabalho

Título

    A ALEGORIA DO SAGRADO EM BERGMAN

Resumo

    O presente artigo tem como objetivo analisar como se articulam as relações entre o Sagrado e o Profano em três obras do cineasta sueco ““A fonte da donzela – 1960”; “Através do espelho – 1961”e “Luz de Inverno – 1962”. Pretende-se pensar o “sagrado”, em Bergman, como algo da ordem do alegórico/simbólico. Portanto, analisaremos o conceito de sagrado na obra de Bergman de forma ampla, vasta, não nos limitaremos a uma única definição, ou melhor, a definição mais marcada a qual aproxima o “sagrado” do contexto religioso, pois o sagrado será visto, aqui, como uma perturbação dos sentidos, ou, ainda, como algo que venha a dar sentido à construção cênica no cinema de Bergman. Como suporte teórico serão utilizados Mircea Elíade, Umberto Eco, Soren Kierkegaard e Peter Berger para a questão da angústia e do processo de secularização nas religiões, respectivamente; e para o contexto do cinematográfico e do fílmico trabalharemos com as análises de Jacques Aumont e Ismail Xavier

Resumo expandido

    Definir o conceito de “sagrado” é uma tarefa complexa porque não se pode pensar no nesse conceito apenas no sentido de algo estritamente ligado à religião. É muito comum o achismo de que o termo “sagrado” e “religião” são sinônimos, que se interligam não deixando espaço para outras definições. Também, não se pode pensar no sagrado sem pensar no a-sagrado, ou talvez, no próprio profano. Essa é a tônica que vem a nortear essa pesquisa: a representação alegórica do sagrado na obra do cineasta sueco Ingmar Bergman – o sagrado como um devaneio da alma, o sagrado como um pano de fundo ao profano.
    O termo “sagrado” , há muito, tem sido usado em sua forma derivada de algo que exprime o perfeitamente bom, ou seja, um atributo de moralidade, divindade, algo que faz bem. Em Kant, por exemplo, há chamada “vontade santa”, a vontade impelida pelo dever e que obedece à lei moral, à convenções do sagrado, do ser sagrado. O sagrado e o profano vem a formar uma parte dessa dialética em que se impõe e pressupõe o outro de forma que é extremamente difícil compreender o primeiro sem o segundo. Esta relação é tão extrema que, se contrapomos tais elementos de forma lógica, percebemos que, se todo o mundo fosse composto pelo viés do sagrado, este então, estaria de tal forma dissolvido no mundo que não poderia ser diferenciado e, perderia sua característica básica: ter valor e significado plenos e diferentes no mundo. Mas, de que ordem é esse “sagrado” que Bergman aborda em boa parte de suas obras? Julgo ser algo da ordem do alegórico. Portanto, analisaremos o conceito de sagrado na obra de Bergman de forma ampla, vasta, não nos limitaremos a uma única definição, ou melhor, a definição mais marcada a qual aproxima o “sagrado” do contexto religioso, pois o sagrado será visto, aqui, como uma perturbação dos sentidos, ou, ainda, como algo que venha a dar sentido à construção cênica no cinema de Bergman. Essa construção cênica pode ser pensada como uma alegoria, uma ideia que perpassa o sentido literal, voltando-se à questão do existencialismo. A palavra alegoria deriva do grego “allós” – outro – e de “agourein” – falar. A retórica antiga teorizou a alegoria como uma forma de expressão, em que se “diz b para significar a” ; consiste, portanto, na substituição de um pensamento por outro a que está ligado, mantendo uma relação de semelhança entre o referente e seu significado subjacente. Em Bergman, cada elemento, cada close, cada cena expressa outro significado que não o seu sentido manifesto, remetendo a outro nível de significação. Bergman não faz considerações a nomenclaturas religiosas ou exposições a religiões em si, o que o cineasta explora é o contexto do “sagrado”, ou, os espaços ditos “sagrados”. Muito provável que haja uma alegoria dos sentimentos e desejos mais recônditos da alma humana. Podemos pensar esse “sagrado” como uma alegoria definida como um tropo do pensamento do cineasta, uma metáfora continuada, capaz de exprimir ou representar de forma concreta suas ideias mais abstratas.
    Essa forma de abstração da realidade apresenta dois sentidos completos: um literal e outro intelectual, porém sua significação fundamental repousa no sentido conotado, simbólico que evoca e intensifica o significado que surge a partir do objeto denotado, da cena mensurada.
    Como objeto de pesquisa serão analisados os seguintes filmes do cineasta: “A fonte da donzela – 1960”; “Através do espelho – 1961”e “Luz de Inverno – 1962”. Com exceção de “A fonte da donzela”, os filmes “Através do Espelho (1961); “Luz de Inverno” (1962) e “O Silêncio” (1963), fazem parte da chamada “Trilogia do Silêncio”. Essas obras recebem esse nome por se constituírem na chamada crise da fé, ou como notoriamente conhecida “ausência de Deus”. Os três filmes apresentam algumas variações entre si, e ainda que a temática seja quase sempre revisitada, a abordagem e a construção narrativa são distintas, mantendo cada um dos filmes a sua singularidade.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques; MARIE Michel. A análise do filme. Trad. Marcelo Felix – 3ª ed. Lisboa, Ed. Texto e Grafia, 2013.
    ________________. A imagem. Trad. Estela dos Santos Abreu e Claudio – 13ª ed. Campinas, SP: Papirus, 1993.
    BERGER, Peter. O dossel sagrado. São Paulo: Paulinas, 1985.
    BERGMAN, Ingmar. Imagens. Trad. Alexandre Pastor – 1ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
    ECO, Umberto. Semiótica e filosofia da linguagem. São Paulo: Ática, 1991.
    ELÍADE, Mircea. Mito e realidade. Trad. Pola Civelli – 6ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2013.
    ______________. O sagrado e o profano: a essência das religiões. Trad. Rogério Fernandes – 3ª ed. – São Paulo: Editora: WMF – Martins Fontes, 2000.
    KIERKEGAARD, Søren. O conceito de angústia: uma simples reflexão psicológica-demonstrativa direcionada ao problema dogmático do pecado hereditário. Trad. Álvaro Luiz Montenegro Valls – 3ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM