Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Bruno Fabri Carneiro Valadão (UFRJ)

Minicurrículo

    Roteirista, assistente de direção e diretor de fotografia para cinema e TV. Pesquiso a interface do cinema com outras humanidades, tais como a literatura, a filosofia e a história

Ficha do Trabalho

Título

    Constelações de “Terra em transe”: reflexões sobre a imagem dialética

Resumo

    Em 2016, passados quase cinco décadas do lançamento de Terra em transe, a distância histórica parece nos dar o mote ideal para propormos o cinema – em especial a obra de Glauber Rocha – como um “medium criador de imagens” (BENJAMIN, 2006) que tem na montagem o instrumento perfeito para nos revelar as imagens dialéticas, que faz a tarefa do cineasta se confundir com a tarefa do historiador, tanto em 1967 quanto hoje. É sobre esta re-atualização permanente que nossa comunicação versará.

Resumo expandido

    Em 1967, quando do lançamento do segundo longa-metragem de Glauber Rocha, Terra em transe, Nelson Rodrigues definiu a fita recém-lançada como um “vômito triunfal”, pois, “qualquer obra de arte para ter sentido no Brasil, precisa ser esta golfada hedionda” (RODRIGUES, 1994). Hoje, passados quase cinco décadas, o insight rodriguiano parece-nos o mote ideal para propormos o cinema – em especial a obra de Glauber Rocha – como um “medium criador de imagens” (BENJAMIN, 2006) que tem na montagem cinematográfica o instrumento perfeito para nos revelar as verdadeiras imagens: as imagens dialéticas, que faz a tarefa do cineasta se confundir com a tarefa do historiador, tanto em 1967 quanto hoje.

    Nas circunstâncias temporais e espaciais a que aludiremos nesta comunicação, o cineasta se transforma num tipo privilegiado de historiador, aquele que analisa as coisas e os fenômenos a partir de uma perspectiva bastante especial. É isso que entendemos como uma “historiografia barroca” que se diferencia da história como ciência da causa-e-efeito por ter uma origem não uma gênese (BENJAMIN, 1984) como a “razão dominadora” (ROCHA, 2005) quer fazer crer. O historiador – segundo o comentário de Sérgio Paulo Rouanet para Origem do drama barroco alemão de Walter Benjamin (1984) – “mineraliza” o fluxo incessante dos acontecimentos e analisa a fundo esses fenômenos, salvando seus extremos, assim entrevendo uma “estrutura” – que não é da ordem do estruturalismo e de suas correntes, mas de uma rede de afinidades invisíveis. Aqui, surge o que Benjamin chama de “história natural”: um fenômeno histórico não seria consequência de tempos e fenômenos imediatamente anteriores a ele, mas de séries de afinidades que concatenam diversos fenômenos separados no tempo e no espaço, formando uma constelação.

    Portanto, o filme Terra em transe é um fato cinematográfico atravessado pelos mais diversos elementos: sons, imagens e palavras, ditas e escritas, que se entrelaçam formando um turbilhão que busca recontar a história e a política brasileiras – e da América Latina –, analisando estes elementos e os reordenando de maneira não-naturalista. Usa de recursos que fazem uso de expedientes literários que incidem na mise-en-scène do filme e na montagem, proporcionando uma escritura fílmica peculiar.

    A atualidade deste longa-metragem em nossos dias reside neste apelo permanente ao presente, ao nosso agora (tomado aqui em um sentido mais forte, urgente). Sua capacidade de sempre se reatualizar, nos campos histórico, político e artístico, demonstram seu potencial de renovação constante nos âmbitos do debate cultural e cinematográfico no Brasil, na América Latina e no mundo. Não se trata apenas de um “epitáfio” do espírito de uma época, como já foi definido por Ismail Xavier em Alegorias do subdesenvolvimento (1987/2012), mas de um autêntico, reinteremos aqui mais uma vez, “medium criador de imagens” que sempre torna latente (através da anamnesis de um tipo especial) os elementos revolucionários permanentes que habitam não mais o “presente” (referente à “razão dominadora”), mas o “agora da cognoscibilidade” (BENJAMIN, 2006), locus da Verdade.

Bibliografia

    ANDRADE, Oswald de. A crise da filosofia messiânica. In: A utopia antropofágica. São Paulo: Globo, 2001.

    BENJAMIN, Walter. Questões introdutórias de crítica do conhecimento. In: Origem do drama barroco alemão. São Paulo: Brasiliense, 1984.

    BENJAMIN, Walter. Konvolut “N” (Teoria do conhecimento, teoria do progresso). In: Passagens. Org. Willi Bolle. Belo Horizonte: UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial, 2006.

    FRIEDRICH, Hugo. Baudelaire: o poeta da modernidade. In: BAUDELAIRE, Charles. Poesia e prosa. (Org. Ivo Junqueira). Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2006.

    ROCHA, Glauber. Revolução do cinema novo. São Paulo: Cosac Naify, 2005.

    ROCHA, Glauber. Roteiros do terceyro mundo. Org. Orlando Senna. Rio de Janeiro: Embrafilme/ Alhambra, 1985.

    RODRIGUES, Nelson. A menina sem estrela. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM