Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Ricardo José Gonçalves Duarte Filho (UFRJ)

Minicurrículo

    Graduado em Cinema e Audiovisual pela UFPE (2015) e atual mestrando do programa de Comunicação e Cultura da UFRJ, onde desenvolve a pesquisa “Dândis, Drags e Bichas Pintosas: O Camp no Cinema Queer Brasileiro Contemporâneo”. Seu campo de interesse envolve cinema contemporâneo, camp, estética, e estudos queers.

Ficha do Trabalho

Título

    As potências do fútil em “A Seita”

Resumo

    A presente comunicação tem como questionamento a possibilidade da utilização do artifício e do fútil no cinema queer como elementos subversivos, tendo como exemplo central o filme “A Seita” (2015), mas também discutindo outras produções queers brasileiras contemporâneas onde julgo encontrar possíveis ressonâncias estéticas, como “Doce Amianto” (Guto Parente, 2013) e “Como era Gostoso meu Cafuçu” (Rodrigo Almeida, 2015). Parto assim da discussão levantada por Rosalind Galt ao afirmar que “cor, opulência, excesso e estilo são armas estéticas para corpos queer” (GALT, 2015: 60) e da hipótese que esses filmes, ao entregarem-se deliberadamente a “futilidade”, podem ser possíveis ponto de implosões e problematizações de interdições que privilegiam uma estética cinematográfica sóbria e realista, valorização historicamente calcada em discursos que subjugam corpos que saiam do instituído como “normal”.

Resumo expandido

    No mapeamento da sexualidade da sociedade grega no segundo volume de sua História da Sexualidade, Foucault ressalta um ponto bastante interessante levantado pelas discussões morais e filosóficas sobre as relações entre homens: para elas serem “belas” e dignas, necessitariam de comedimento em relação aos prazeres, pois o excesso desses demonstraria um homem domado por suas paixões e anseios. Assim, considerava-se efeminado não aquele que tinha relações sexuais com outro homem, mas sim o excessivo, o que se deixa levar por seus prazeres, incluindo aí também o prazer propiciado por adornos, como o autor ressalta ao escrever que “ninguém é tão severamente condenado como os rapazes (…) por suas posturas, sua maquiagem, seus adornos ou seus perfumes” (FOUCAULT, 1998: 197).
    Avançando temporalmente, encontraremos no relato apócrifo da acusação feita pelo Marquês de Quensberry a Oscar Wilde, ideias ressonantes com os pontos discutidos por Foucault. É acreditado que ele tenha dito ao escritor: “Eu não falo que você é isso, mas você parece isso, e posa como se fosse, o que é tão ruim quanto”. Para o marquês, o fato de Wilde agir como um “pederasta” seria tão grave quanto a ação do sexo em si. Importante ressaltar que ambos os exemplos ocorrem antes da criação do conceito do “homossexual”, portanto demonstram que, antes mesmo da criação do discurso da homossexualidade, a afetação, o excesso e o artificial estiveram e, creio, continuam pejorativamente ligados a uma desvalorização do efeminado. Esses discursos deixam visíveis relações históricas entre o “excesso” e os corpos queers: “posar”, entregar-se aos adornos e ao artifício seria tão condenável quanto “ser”.
    Através desse brevíssimo e pontual esboço genealógico da relação entre futilidade e o efeminado, partirei da afirmação de Rosalind Galt que “cor, opulência, excesso e estilo são armas estéticas para corpos queer” (GALT, 2015: 60). O cinema torna-se então um campo fértil para essas “armas estéticas” por tratar-se de uma arte onde a mise-en-scène é um elemento primordial e cuja função primeira, desde antes da hegemonia do regime narrativo, é “fazer ver” e de causar o maravilhamento do seu público através de suas imagens (GUNNING, 2006). O seguinte trabalho almeja, então, traçar possíveis leituras do cinema queer produzido no Brasil na última década, onde percebo o uso de escolhas estéticas e narrativas em filmes como “Doce Amianto” (Guto Parente, 2013), “Como era Gostoso meu Cafuçu” (Rodrigo Almeida, 2015) e “A Seita” (André Antônio, 2015) como possíveis formas de vislumbrar uma potência subversiva do fútil e do estilo, voltando-se, para tal, especialmente a “A Seita”, visto como possível exemplo centralizador das ideias e conceitos aqui discutidos.
    O filme se passa em um futuro distópico, onde os habitantes mais abastados de Recife abandonaram a cidade para viver em “colônias espaciais”, um dos moradores das colônias decide então retornar para a cidade, onde passa seus dias lendo, flanando pelas ruínas e fazendo sexo casual com homens que encontra em suas andanças. A ação e a narrativa são escassas, pois o essencial ao filme é sua superfície: os cenários, as cores, as roupas, as cortinas, as louças etc. Importante notar que o filme também trata, diretamente, de tópicos marcadamente políticos, com questões caras ao cinema brasileiro contemporâneo, como a especulação imobiliária e a gentrificação urbana. Porém, defendo que sua principal força estética-política é de suscitar novas questões e deslocamentos, ao demonstrar que o estilo e o artifício podem ser utilizados como elementos subversivos. Portanto, o artigo parte do pressuposto que esses filmes, ao entregarem-se deliberadamente a “futilidade”, podem ser possíveis ponto de implosões e problematizações de interdições que privilegiam uma estética cinematográfica sóbria e realista, valorização historicamente calcada em discursos que subjugam corpos que saiam do instituído como “normal”.

Bibliografia

    DYER, Richard. The culture of queers. London: Routledge, 2002.
    FOUCAULT, Michel. História da sexualidade, volume 2: O uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Graal, 1998.
    GALT, Rosalind. Lindo: teoria do cinema, estética e a história da imagem incômoda. Revista ECO-Pós, v 18, n 3, 42-65. 2015
    GUNNING, Tom. The cinema of attractions: early film, its spectator and the avant-garde. In. STRAUVEN, Wanda. (org). Cinema of attractions reloaded. Amsterdam University Press, 2006.
    HALPERIN, David M. Saint Foucault: Toward a Gay Hagiography. Oxford: Oxford University Press, 1995.
    HALPERIN, David M. How to be gay. Cambridge, MA: Belknap Press of Harvard University Press, 2012.
    LOPES, Denilson. O homem que amava rapazes e outros ensaios. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2002
    PRYSTHON, Angela. Utopias da frivolidade. Recife: Cesárea, 2014.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM