Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Gheysa Lemes Gonçalves Gama (UFJF)

Minicurrículo

    Doutoranda pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (2012) onde desenvolve pesquisa na área de antropologia do cinema. É Mestre em Ciências Sociais (2008), Especialista em Planejamento e Gestão Social (2005) e Graduada em Turismo (2004), todos pela UFJF. Atualmente é professora efetiva do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IF), campus Juiz de Fora, onde atua no curso técnico em Eventos.

Ficha do Trabalho

Título

    A estrada como alegoria da identidade cultural em filmes de estrada

Seminário

    Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos

Resumo

    Este artigo pretende observar as mudanças ocorridas na identidade cultural brasileira a partir das modificações alegóricas assumidas pela estrada em road movies nacionais. Para cumprir tal objetivo pretende-se realizar um estudo comparativo entre os road movies Iracema, uma transa amazônica (BODANZKY; SENNA, 1974) e Dromedário no asfalto (VARGAS, 2014), sendo que no primeiro filme a estrada é apresentada como uma alegoria da nação e no segundo como alegoria da transformação pessoal, caracterizando um rito de passagem.

Resumo expandido

    Este trabalho se propõe a analisar filmes a partir de uma categoria das Ciências Sociais, a saber, a identidade cultural. Parte-se do pressuposto que ao investigar a trajetória de filmes de estrada nacionais, realizados no período que compreende o início da década de 1960 até 2015, é possível observar que, num determinado momento histórico as obras pertencentes a esta categoria fílmica apresentam representações de identidade coletiva (a identidade nacional), modificando-se posteriormente, para representar uma identidade fragmentada.

    Essa tese será verificada, neste artigo, a partir de um estudo comparativo entre dois filmes de estrada: Iracema, uma transa amazônica (BODANZKY; SENNA, 1974) e Dromedário no asfalto (VARGAS, 2014). Enquanto em Iracema… a estrada aparece como uma alegoria do Brasil, onde a jornada dos protagonistas Iracema e Tião Brasil Grande pela Transamazônica funciona como um relato às críticas condições do país à época, em Dromedário… a estrada é um ritual de passagem, no qual Pedro, o personagem principal, deve transcorrer para viver seu luto pela morte da mãe e ir ao encontro do pai, resultando numa odisseia subjetiva, no qual o protagonista emerge transformado.

    Esse estudo comparativo será realizado a partir da análise fílmica das duas películas, preocupando-se, especialmente, com as representações assumidas pela estrada/viagem; amparado por estudos e artigos de jornais e revistas colhidos em pesquisa feita na Cinemateca Nacional, situada em São Paulo.

    Há diferenças consideráveis entre esses dois filmes: Iracema… é um filme da década de 1970, situado no norte do país enquanto Dromedário…, filme mais contemporâneo, está no outro extremo, no sul do Brasil. Contudo outra característica se faz relevante neste momento, o fato de serem representantes de dois momentos distintos dos filmes de estrada nacionais, sendo que a diferença está nas alegorias assumidas pela estrada nestes road movies, que se modificam, ao mesmo tempo em que se verifica mudança na própria identidade cultural, esta última confirmada em autores como Anderson (2008); Bauman (2008, 2001) e Hall (2005).

    Enquanto Iracema… representa um momento do país no qual as identidades culturais estavam muito vinculadas à ideia de nação e à identidade nacional; Dromedário… é representante de um outro momento, onde observa-se uma mudança na identidade cultural, agora mais fragmentada e centrada no indivíduo, o projeto de nação e de identidade nacional persiste, mas agora dialoga com as outras identidades culturais que o sujeito constrói pra si (HALL, 2005).

    Por esta razão, em Iracema… a estrada aparece como uma alegoria da nação brasileira, pois é a partir desta obra que conhecemos o Brasil daquela época, país de grande extensão territorial, e exuberância natural, mas que sofre de diversas mazelas, como a exploração do homem, falta de terra, degradação ambiental, ilegalidades nas transações, miséria e trabalho escravo. Já em Dromedário… percebe-se o papel transformador da estrada. O protagonista Pedro prolonga seu período na estrada, porque percebe sua existência nela como um momento de reflexão e redenção, a estrada funciona como evidente rito de passagem, no qual Pedro precisa sair de seu local de origem, permanecer na estrada (na communitas) e chegar ao seu destino final transformado e revitalizado por sua experiência na communitas (TURNER, 2013).

Bibliografia

    ANDERSON, Benedict. Comunidades Imaginadas: reflexões sobre a origem e a difusão do nacionalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
    BAUMAN, Zygmunt. A sociedade individualizada: vidas contadas e histórias vividas. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
    ______. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
    BERNARDET, Jean-Claude. Cinema brasileiro – propostas para uma história. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
    COHAN, Steven; HARK, Ina Rae. The road movie book. New York: Routledge, 1997.
    HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2005.
    PAIVA, Samuel. Gêneses do gênero road movie. In: XXXIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2010, Caxias do Sul.
    TURNER, Victor W. O processo ritual. Petrópolis: Editora Vozes, 2013.
    VAN GENNEP, Arnold. Os ritos de passagem. Petrópolis: Vozes, 2013.
    XAVIER, Ismail. Alegorias do subdesenvolvimento: cinema novo, tropicalismo, cinema marginal. São Paulo: Brasiliense, 2012.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM