Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Thiago Henrique Ramari (UEL)

Minicurrículo

    Thiago Henrique Ramari é graduado em Comunicação Social – Jornalismo, especialista em Docência no Ensino Superior e mestrando de Comunicação na Universidade Estadual de Londrina (UEL). O projeto de pesquisa atual se concentra em uma análise dos efeitos que o filme Violência Gratuita (1997), de Michael Haneke, provoca no público, a partir da perspectiva do pós-estruturalismo francês, sobretudo do conceito do fora, abordado por Maurice Blanchot, Michel Foucault e Gilles Deleuze.

Ficha do Trabalho

Título

    Violência Gratuita: espectador-personagem, desprazer e reflexão

Resumo

    O painel busca explicar como Violência Gratuita (1997), de Michael Haneke, atualiza a experiência do neorrealismo italiano, com a transformação do público em espectador-personagem, a fim de refletir sobre o consumo de imagens de violência como entretenimento. Com base nos conceitos cinematográficos de Deleuze (1983; 1990), nota-se que, ao implicar a audiência na diegese através de apartes, o filme a submete a situações óticas e sonoras puras que abrem espaço ao desprazer e à reflexão.

Resumo expandido

    Depois que a imagem-movimento e, consequentemente, o cinema clássico entraram em crise, devido a apropriações ideológicas que culminam em Leni Riefenstahl, os filmes modernos se tornaram o espaço primordial da experimentação. Segundo Deleuze (1990), cineastas de vários países passaram a fazer uso da imagem-tempo, deram diferentes atribuições aos personagens e investiram na reflexão de uma verdade do cinema – e não mais de um cinema da verdade. Essa valorização do novo, que caracterizou diversos movimentos cinematográficos, reverbera na produção atual, possibilitando mais contribuições.

    Violência Gratuita (1997), do austríaco Michael Haneke, alinha-se de maneira única ao neorrealismo italiano para promover uma experiência-limite na audiência. Se o movimento encabeçado por Roberto Rossellini, Vittorio De Sica e Luchino Visconti transformou seus personagens em personagens-espectadores, com o objetivo de refletir sobre a realidade italiana após a Segunda Guerra Mundial, conforme relata Deleuze (1990), Haneke realiza uma inversão, tornando seus espectadores em espectadores-personagens, a fim de que avaliem criticamente o consumo que fazem de imagens de violência como entretenimento.

    É preciso lembrar que no cinema clássico os personagens estavam ligados a um circuito de ações e reações, que Deleuze (1983) define como esquema sensório-motor. Este esquema era a matéria-prima das imagens-movimento, caracterizadas por uma representação indireta do tempo, ou seja, uma montagem lógica que garantia a impressão de realidade. A partir do neorrealismo italiano, entretanto, uma nova condição se desenvolve: os personagens não mais agem e reagem aos estímulos, mas ficam diante de situações atuais ou virtuais, observando-as e escutando-as a fim de compreender o que se passa nelas. São situações óticas e sonoras puras, que abrem espaço ao pensamento e à imagem-tempo – a representação direta do tempo.

    Haneke estende essa transformação à audiência, concebendo espectadores-personagens. Em Violência Gratuita, ele cria uma estratégia narrativa híbrida, com características do cinema clássico e do cinema moderno, para contar a estória de uma família feita refém e assassinada por dois jovens. Com base na cartografia realizada por Wheatley (2009), nota-se que, nos primeiros 29 minutos, há o predomínio de imagens-movimento. A plateia é levada assim a tomar o filme como um suspense comum, que estimula sustos, medos e expectativas de que as vítimas se salvem. Contudo, no 87º plano, essa relação muda: um dos criminosos olha diretamente para a câmera e pisca para a audiência, impondo a esta última o papel de cúmplice dos homicídios. Esse recurso, o aparte, repete-se três vezes, nos planos 138, 283 e 324.

    Dito de outra forma, o primeiro aparte rompe a cápsula diegética, permitindo que o seu conteúdo vaze e contamine o espaço ocupado pelo público; e a sua repetição anula qualquer possibilidade de promoção de um lapso de consciência no espectador, tão comum aos filmes clássicos que visam ao entretenimento, forçando-o a viver aquilo que Haneke (2014, p. 575, tradução nossa) chama de “a verdadeira medida da violência na realidade”, ou seja, “medos profundamente desconcertantes de dor e de sofrimento”.

    É por esse motivo que Violência Gratuita causa desprazer ao público. Vendo-se no universo diegético como cúmplice de assassinos, o espectador-personagem tem como que uma paralisia, assim como os personagens-espectadores do neorrealismo italiano: “[…] a situação em que está extravasa […] e lhe faz ver e ouvir o que não é mais passível, em princípio, de uma resposta ou ação” (DELEUZE, 1990, p. 11). O único caminho é permanecer diante dessa situação ótica e sonora pura que é o filme e pensá-lo apropriadamente, o que culmina em uma reflexão sobre o consumo da violência como entretenimento, seguindo os passos de Sontag (2003).

Bibliografia

    DELEUZE, Gilles. Cinéma I: l’image-mouvement. Paris: Les Éditions de Minuit, 1983.

    ________________. Cinema II: a imagem-tempo. São Paulo: Brasiliense, 1990.

    HANEKE, Michael. Violence and the media. In: GRUNDMANN, Roy. (Ed.). A companion to Michael Haneke. West Sussex: Wiley Blackwell, 2014.

    SONTAG, Susan. Diante da dor dos outros. [E-book.] São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

    VIOLÊNCIA gratuita. Direção: Michael Haneke. Produção: Veit Heiduschka. Intérpretes: Susanne Lothar; Ulrich Mühe; Arno Frisch; Frank Giering; Stefan Clapczynski e outros. Roteiro: Michael Haneke. Áustria: Wega Film; Filmfonds Wien; Österreichischer Rundfunk; Österreichisches Filminstitut, 1997. 1 DVD (108 min), son., color.

    WHEATLEY, Catherine. Michael Haneke’s cinema. New York: Berghahn Books, 2009.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM