Ficha do Proponente

Proponente

    Telmo Medici Sillos Fadul (UnB)

Minicurrículo

    Telmo Fadul é aluno do Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Literatura (PosLIT) da Universidade de Brasilia (UnB). Pesquisa os condicionamentos da literatura na internet. Graduado em Jornalismo, também pela UnB, atua como assessor de comunicação da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). Ocupou cargo de assessor técnico na Comissão de Ciência de Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados e trabalhou como repórter dos jornais O Tempo e Hoje em Dia.

Ficha do Trabalho

Título

    Dubshashs de “Ela quer pau”: recepção, discurso e autobiografia

Resumo

    Entre abril e maio de 2015 popularizou-se no Brasil o uso do aplicativo Dubsmash, que permite ao usuário filmar a si mesmo dublando um trecho de áudio. O vídeo resultante é compartilhado nas redes sociais. Este trabalho analisa cinco dubsmashs da música “Ela quer pau”, de Mc Pikachu, e constata que possuem uma natureza ambígua: ao mesmo tempo em que materializam distintas recepções do texto, vinculadas sempre a formações discursivas, funcionam como registro autobiográfico de seus autores.

Resumo expandido

    Criado em novembro de 2014 na Alemanha pelos programadores Daniel Taschik, Jonas Druppel e Roland Grenke, o aplicativo de smartphone Dubsmash difundiu-se no Brasil no ano seguinte, entre abril e maio. A prática de filmar a si mesmo na encenação de um áudio famoso se tornou febre e os dubsmashs invadiram as redes sociais – Facebook, Twitter e Instagran – os serviços de mensagens instantâneas, como o WatsApp.

    Este artigo analisa cinco dubsmashs da mesma música – Ela quer pau – do cantor de funk Mc Pikachu. O corpus foi selecionado em meio a centenas de vídeos resultantes de busca no YouTube e no portal Xvideos (conteúdo adulto) com os termos “dubsmash” e “tava no fluxo” – o primeiro verso da letra. O recorte foi delimitado por ser representativo da gama de diferentes sentidos atribuídos à música por meio dos dubsmashs.

    Vejamos a letra (o enfoque deste trabalho será exclusivamente o texto, já que, em um dos dubsmashs do escopo, os versos chegam a ser entoados à capela): “Tava no fluxo / Avistei a novinha no grau / Sabe o que ela quer? / Pau, pau, pau / Ela quer pau / Pau, pau, pau / Ela quer pau”.

    Para um leitor comum e não familiarizado com as músicas de funk, apenas as informações constantes do texto não estabelecem, com segurança, o significado de expressões como “no fluxo”, “no grau” e “pau” – esta, levando-se em conta seus múltiplos sentidos metafóricos. Os dubsmashs de Ela quer pau têm, em média, onze segundos, e retratam apenas o trecho da letra transcrito acima. Todos eles procuram definir a natureza do desejo da “novinha” e preencher as lacunas de significado que emanam dos versos.

    As perguntas motivadoras desta pesquisa são: que tipo de relação os dubsmashs mantêm com o texto de Mc Pikachu? O que dizem que a “novinha” quer? Como se dá a recepção desses videoclipes?

    Veremos que os dubsmashs representam, antes de qualquer coisa, diferentes leituras que seus autores fizeram da música. Os vídeos não se propõem como produtos autônomos, com os quais a canção deva dialogar em pé de igualdade. O intuito de cada dubsmash é dar materialidade a uma leitura possível para a letra do funk. Os videoclipes dão corporeidade ao que até então figurava apenas como palavra.

    Essas atribuições de sentido, porém, estão sempre atreladas a discursos pré-existentes sobre a mulher (novinha): ora ela quer apanhar, ora quer ser estuprada, ora quer ter um pênis (o signo do poder masculino), ora quer ter o domínio do coito. Tais discursos dialogam entre si e chegam até mesmo a provocar eventos extratextuais.

    Isso acontece porque os dubsmashs são recebidos como confissões autobiográficas pelo público projetado – os contatos das redes sociais dos usuários do aplicativo. Por meio dos dubsmashs, os leitores/ouvintes/espectadores compreendem duas coisas: primeiro, que o emissário compartilha de determinado ponto de vista (é partidário desta ou daquela opinião); segundo, que aderiu a um movimento contemporâneo, uma moda, uma tendência da internet – o próprio ato de se fazer dubsmashs.

    A princípio, serão apresentados e descritos os cinco dubsmashs objetos deste estudo. A abordagem focará os discursos por trás de cada dubsmash – definidos como uma exegese da letra de Mc Pikachu substancializada audiovisualmente. Em seguida, a recepção dos dubsmashs entra em foco, com o reexame do último dos videoclipes, tomado, inevitavelmente e com consequências, como confissão autobiográfica.

Bibliografia

    BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e simulação. Trad. de Maria João da Costa Pereira. 1. ed. Lisboa: Relógio d´Água, 1991.
    FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. Trad. de Laura Sampaio. 5. ed. São Paulo: Edições Loyola, 1996.
    JAUSS, Hans Robert. O prazer estético e as experiências fundamentais da poiesis, aisthesis e katharsis. In: LIMA, Luiz Costa (Coord. e Trad.). A Literatura e o leitor: textos de estética da recepção. 2. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.
    LEJEUNE, Philippe. O pacto autobiográfico: de Rousseau à internet. Org. de Jovita Maria Noronha. Trad. de Jovita Maria Noronha e Maria Inês Guedes. 2. ed. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2014. 459.
    STIERLE, Karlheinz. In: LIMA, Luiz Costa (Coord. e Trad.). A Literatura e o leitor: textos de estética da recepção. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.
    THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. Trad. de Wagner de Oliveira Brandão. Rev. de tradução de Leonardo Avritzer. 15. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.